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Projeto Sivam pode entrar em operação a partir do mês de julho

Página 20-Rio Branco-AC
Autor: Romerito Aquino
07 de Mai de 2002

Os biopiratas, os narcotraficantes, os contrabandistas e outros que estejam atuando ilegalmente na Amazônia brasileira vão começar a ser combatidos de forma mais segura e competente a partir do dia 25 de julho deste ano.

É o que prometem os operadores do tão esperado Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), o mega projeto de 1,4 bilhão de dólares que foi concebido pelo governo brasileiro nos últimos cinco anos para monitorar, por sofisticados meios eletrônicos, a maior reserva natural do planeta.

Com a primeira fase prevista para ser inaugurada no dia 25 de julho próximo, quando entrará em funcionamento o Centro Regional de Vigilância de Manaus (AM), o Sivam pretende vigiar uma área de 5,2 milhões de quilômetros quadrados, correspondente a mais da metade dos Estados Unidos e toda a Europa Ocidental.

Nesta área, estão concentradas 67% das florestas tropicais do planeta, 22% das espécies de plantas conhecidas no mundo, 20% de toda a água doce da Terra, mais de 300 espécies de mamíferos, 517 de anfíbios, 1.300 de pássaros, 1.400 de peixes, além de US$ 1,7 trilhão estimado em madeira de lei e US$ 1,6 trilhão em metais nobres. Sem falar no petróleo, que nem começou a ser pesquisado na região.

Ao entrar em funcionamento, o Sivam envolverá um centro de Coordenação Geral (CCG), com sede em Brasília; três Centros Regionais de Vigilância (CRV), sediados em Manaus, Belém e Porto Velho; além de Unidades de Vigilância (UV), Unidade de Vigilância Transportada (UVT) e Unidades de Telecomunicações. Essas unidades estarão espalhadas por toda a Amazônia.

Pelo ar, o Sivam vai disponibilizar cinco aviões radares, que estarão permanentemente voando em condições de flagrar todo tipo de aeronave em vôo em qualquer um dos estados da região. Além disso, haverá três aviões de sensoriamento remoto capazes de registrar todas as conversas em qualquer freqüência, todos os movimentos na floresta e a existência de minérios no subsolo.

Pelas águas, o Sivam disporá de 200 plataformas de coletas flutuantes medindo, continuamente, o nível, a velocidade e a qualidade das águas. O sistema vai dispor ainda de 10 radares meteorológicos e 81 estações meteorológicas, sendo 70 de superfície e 11 de altitude, que vão operar por meio de balões. Haverá também 14 estações detectoras de raios e relâmpagos.

O Sivam vai disponibilizar para seus pesquisadores, em plena floresta, 300 equipamentos de radiodeterminação. As comunidades locais poderão dispor de 940 salas de usuá-rios, com antena parabólica, computador e fax.

A sofisticação do Sivam levou os especialistas das áreas de segurança e meio ambiente a preverem que, quando estiver em plena operação, o sistema vai garantir ao país o completo controle eletrônico de toda a Amazônia brasileira.

Isto significa que haverá substancial melhoria do tráfego aéreo, com os aviões voando sobre a região com a mesma segurança com que voam hoje sobre Brasília, a capital federal.

O Sivam permitirá também que a ocupação e o uso da terra sejam amplamente facilitados pela ação dos monitoramentos. As condições climáticas serão acompanhadas passo a passo, da mesma forma que será exercida uma vigilância especial sobre florestas, rios, desmatamentos e reservas indígenas.

Os especialistas em segurança ressaltam que haverá o cruzamento de todas as informações, o que permitirá a montagem de um quadro completo de controle da Amazônia, tanto em relação ao seu espaço aéreo, como a seu espaço terrestre, particularmente no que diz respeito às suas riquezas naturais.

A norte-americana Raytheon e a brasileira Atech são as empresas responsáveis pelo desenvolvimento do software e os equipamentos de precisão do projeto, enquanto a Embraer é a fornecedora dos aviões.

ONGs temem vazamento de informações

As lideranças ambientalistas e muitas ONGs já manifestaram no Congresso Nacional sua preocupação em relação à disponibilização das milhares de informações que serão geradas diariamente pelo projeto Sivam.

Essas lideranças temem que as informações sejam vazadas para fora do país tendo em vista que, afinal, foi norte-americana Raytheon quem elaborou o software e forneceu a maior parte dos equipamentos do sistema.

Os dirigentes da empresa norte-americana garantiram, no entanto, que o desenvolvimento do software foi feito com a introdução de dados fictícios. Assim, quando o projeto iniciar suas operações, sob controle exclusivo de técnicos brasileiros, será carregado com dados verdadeiros e as informações geradas serão disponibilizadas de acordo com critérios estabelecidos pelas autoridades brasileiras.

Apesar da garantia dada pela Taytheon ao governo brasileiro, as lideranças ambientalistas temem que, de alguma forma, técnicos estrangeiros tenham acesso a essas informações e, eventualmente, possam repassá-las a quem interessar.

O ministro do Meio Ambiente, José Carlos de Carvalho, garantiu às lideranças ambientalistas, no entanto, que todos os cuidados foram tomados pelo governo para que as informações geradas permaneçam sob controle das autoridades brasileiras.

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