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Autor: Naiara Bertão , Um Só Planeta — São Paulo
14 de Jan de 2026
Uma iniciativa de telessaúde voltada a populações indígenas, apoiada pelo Ministério da Saúde e desenvolvida em parceria com o hospital Sírio-Libanês, alcançou a marca de mil atendimentos de Cuidado Especializado Digital (CED) entre setembro de 2024 e outubro de 2025.
Implementado em cinco Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), o projeto registrou resolutividade de 93,85% dos casos acompanhados, de acordo com o Ministério da Saúde. Além disso, evitou 85% dos deslocamentos de pacientes para outros níveis de atenção à saúde - a logística é um dos principais gargalos para esta população receber atendimento especializado médico.
Batizado de Tecnologias e Estratégias Remotas para o Avanço da Saúde Especializada em Territórios Indígenas, o projeto integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). A iniciativa tem como foco ampliar o acesso ao cuidado especializado, reduzir o tempo de espera por consultas e minimizar remoções de pacientes indígenas para centros urbanos, muitas vezes distantes de seus territórios.
As ações são realizadas nos DSEI Alto Rio Solimões, Vale do Javari, Alto Rio Purus, Alto Rio Juruá e Interior Sul. Ao todo, são ofertadas 14 especialidades médicas, entre elas reumatologia, urologia, ortopedia, cardiologia, endocrinologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, dermatologia, neurologia, psiquiatria, clínica médica, medicina de família e comunidade, geriatria e cuidados paliativos. O atendimento também envolve quatro áreas multiprofissionais: enfermagem, nutrição, fisioterapia e psicologia.
Segundo o secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, a iniciativa está alinhada a outras ações do governo federal para ampliar a conectividade nas Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI).
"Esses mil atendimentos, realizados diretamente nos territórios indígenas, além de diminuir as remoções desses pacientes para hospitais e estabelecimentos de saúde, geraram resolutividade, mostrando que não se trata de um teste, mas sim um atendimento qualificado que diminuiu a espera pelo atendimento de especialidades médicas", afirmou. O Ministério tem ainda outras iniciativas para levar conectividade a mais de 700 UBSI no país.
O projeto prioriza três linhas de cuidado: câncer do colo do útero, saúde materno-infantil e atenção psicossocial. Em setembro de 2025, foi implementada a Linha de Cuidado Digital Multiprofissional para o Combate ao Câncer do Colo do Útero, com foco no rastreamento organizado de mulheres elegíveis nos DSEI Alto Rio Solimões e Vale do Javari.
Ainda em 2025, no DSEI Alto Rio Solimões, foram realizadas 631 autocoletas para detecção molecular do DNA do HPV em mulheres atendidas nos Polos Base de Belém do Solimões, Feijoal, Vila Bittencourt, Umariaçu I e Umariaçu II. No DSEI Vale do Javari, as coletas ocorreram na aldeia São Luiz e na Casa de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) de Atalaia do Norte, ampliando o acesso ao rastreamento e às ações de prevenção do câncer do colo do útero.
O projeto também iniciou a pesquisa molecular para detecção de DNA-HPV por meio de autocoleta com o uso do dispositivo Coari, que permite a coleta de material celular vaginal para triagem do vírus com técnica de biologia molecular. A tecnologia foi implantada nos Polos Base de Belém do Solimões, Feijoal e São Luiz. Profissionais médicos e de enfermagem dos distritos passaram ainda por treinamentos em videocolposcopia. Para 2026, está prevista a entrega de equipamentos point of care, que possibilitam a realização de testes diagnósticos rápidos diretamente no local de atendimento.
No DSEI Vale do Javari, a autocoleta com o dispositivo Coari também passou a ser realizada na CASAI de Atalaia do Norte. Para os casos que demandam cirurgia de câncer do colo do útero, foi pactuada a regionalização do tratamento no município de Tabatinga, atendendo pacientes dos DSEI Alto Rio Solimões e Vale do Javari.
Criado em 2009, o Proadi-SUS é uma parceria entre o Ministério da Saúde e sete hospitais de referência no país. O programa tem como objetivo apoiar e fortalecer o Sistema Único de Saúde por meio de projetos de capacitação, pesquisa, incorporação de tecnologias, gestão e assistência especializada, conforme demandas do ministério.
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