VOLTAR

Projeto de carro elétrico e híbrido poderá não sair

O Globo, Economia, p. 27
31 de Jul de 2010

Projeto de carro elétrico e híbrido poderá não sair
Setores do governo temem perda de incentivo ao etanol

Martha Beck

A proposta do governo para desenvolver carros elétricos e híbridos no Brasil - que inclui a desoneração tributária para investimentos nessas tecnologias - pode acabar sendo enterrada. Embora o conjunto de medidas já esteja pronto para ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as três reuniões marcadas para que isso ocorresse foram adiadas, sem previsão de nova data.

- As chances de conseguirmos apresentar a proposta ao presidente estão ficando cada vez menores - disse um técnico que participa do grupo de trabalho criado para discutir a proposta e composto pelos ministérios do Desenvolvimento, da Fazenda, de Minas e Energia e da Ciência e Tecnologia.

Pouco do que está na proposta teria efeito imediato no mercado, uma vez que as medidas são de longo prazo, mas seu anúncio ajudaria a atrair para o Brasil investimentos da indústria automotiva nesta área, avaliam os técnicos. Entre as ações sugeridas estão a criação de um centro de pesquisa em veículos elétricos e híbridos, a adoção de um selo que classificaria os veículos de acordo com sua eficiência, a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros elétricos (hoje em 25%) e o estabelecimento de um crédito tributário para a empresa que investir em tecnologia elétrica ou híbrida.

Projeto inicial não agradou a Lula
O primeiro sinal de que o projeto brasileiro teria problemas veio em maio, quando o Ministério da Fazenda teve que cancelar, em cima da hora, a divulgação dos incentivos ao carro elétrico/híbrido por ordem de Lula. O Ministério do Desenvolvimento havia alertado o Palácio do Planalto para o risco de incentivos ao carro elétrico prejudicarem eventuais investimentos na tecnologia do etanol, o que não agradou a Lula.

Fazenda e Desenvolvimento voltaram à mesa para rediscutir o tema e aparar arestas. A apresentação das propostas de incentivo foi refeita, deixando claro que a intenção é incentivar a tecnologia dos carros elétricos em conjunto com os movidos a etanol.

- O Brasil tem a chance de trabalhar numa tecnologia totalmente limpa e desenvolver um veículo movido a etanol e a eletricidade - disse um técnico.

O problema é que agora o assunto parece não ser mais uma prioridade para o próprio presidente. A prova disso foi que um conjunto de medidas anunciado na semana passada pelos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, com a liberação de recursos para inovação, não deu o destaque esperado para o carro elétrico/híbrido. Provocado, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, disse que o tema exige cuidados para não prejudicar a indústria do etanol.

O Globo, 31/07/2010, Economia, p. 27

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.