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Projeto beneficia quem mora em Manaus

A Crítica, Cidades, p. C6
21 de ago de 2002

Projeto beneficia quem mora em Manaus

O presidente da Fepi, Ademir Ramos, antecipou que está em negociação para que as duas malocas construídas na área do Tarumã, que foram usadas no ano passado no Ecosystem 1.0, sirvam de palco para um projeto interativo, beneficiando os índios que moram na cidade. Na capital, hoje, eles são em torno de 20 mil pessoas.

O último Censo 2000 do IBGE apontou a existência de 120 mil índios no Amazonas - a maior população do Brasil -, excluindo os povos isolados, cerca de dez grupos. São 65 etnias, 27 línguas e mais de 70 organizações. A língua mais falada é a ticuna, cuja população alcança os 50 mil habitantes e está concentrada principalmente na região do Alto Solimões.

A campanha "Biotecnologia - Ciência dos Brancos, Sabedoria dos Índios" será lançada às vésperas do início da 1ª Conferência de Pajés do Amazonas, que acontece de amanhã ao dia 25. O encontro indígena, que deve reunir mais de cem representantes de tribos e etnias da Amazônia e do Brasil, servirá para reforçar a discussão em torno da valorização e proteção do conhecimento tradicional, também chamado de etnobiologia.

Mas, ao contrário da conferência, que tem como público alvo os indígenas e especialistas na área, a campanha quer sensibilizar a população, de modo geral, sobre a questão, aumentando o grau de alerta e abrindo caminho para denúncias de qualquer tipo de biopirataria e apropriação indébita.

A biotecnologia e o conhecimento dos povos, esclarece Ademir Ramos, se constituem como dois saberes distintos sobre a biodiversidade, mas não antagônicos. "Eles estabelecem um diálogo que propicia avanços na saúde, além de representar um importante valor para a soberania e o desenvolvimento sustentável das nações".

Prevista para terminar em 2003, a campanha "Biotecnologia - Ciência dos Brancos, Sabedoria dos Índios" começa com a fase de sensibilização, com duração até novembro deste ano.

Nesse período será feita divulgação maciça em escolas, igrejas, universidades e organizações indígenas sobre o conhecimento tradicional, com o reforço da distribuição de material educativo, cartazes, camisetas, adesivos e veiculação de vinhetas em emissoras de televisão, chamando para os grandes temas da campanha: combate à biopirataria; o que é o conhecimento indígena; sua contribuição na ciência, e ganhos que podem ser revertidos com a sabedoria.

Nessa fase, a Fepi, em conjunto com o Núcleo de Estudos e Análises sobre a Propriedade Intelectual Indígena (Neapi), vai articular palestras e exposição na mídia, sempre levando organizações e membros de tribos, facilitando também a interiorização da discussão.

A segunda etapa, de mobilização, vai promover a participação em fóruns, alguns realizados em Municípios como São Gabriel da Cachoeira, Parintins, Envira e Maués, e na capital em universidades, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O terceiro e último momento da campanha será buscar mecanismos legais de proteção ao conhecimento tradicional, fornecendo subsídios para a criação de uma legislação estadual específica. Para isso, da Conferência dos Pajés estará saindo uma Carta de Manaus com propostas para articular ações de valorização à sabedoria dos povos.

A Crítica, 21/08/2002, Cidades, p. C6

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