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Projeto avalia ações para zerar desmatamento

O Globo, Sociedade, p. 28
11 de Fev de 2015

Projeto avalia ações para zerar desmatamento

RIO - Um ranking inédito mostrou como as 500 maiores instituições do mundo que controlam a cadeia de commodities do planeta estão se preparando para zerar o desmatamento até 2020. Os produtos comercializados são considerados mercadorias de risco da floresta, devido a seu potencial para degradar a vegetação. Entre eles estão óleo de palma, carne, couro, madeira, papel e celulose. Somados, seu valor comercial anual supera a marca de US$ 100 bilhões.
O projeto "Forest 500" ("Floresta 500"), como foi batizado, avaliou e classificou os compromissos assumidos por 250 empresas, com receitas anuais totais superiores a US$ 4,5 trilhões; 150 investidores e credores; 50 países e regiões; e 50 outros atores influentes no setor de sustentabilidade.
Os países avaliados concentram cerca de 90% das florestas tropicais do mundo e são responsáveis por quase 90% do desmatamento tropical ocorrido na última década.
No ano passado, algumas nações deste grupo aderiram a uma proposta que prevê a erradicação do desmatamento até 2030. O Brasil não está entre os signatários do acordo. Apesar disso, o país está entre aqueles que obtiveram melhor avaliação na nova pesquisa, devido ao seu potencial para desenvolver parcerias mais abrangentes com seus principais parceiros comerciais.
Outros países latino-americanos que concentram grandes florestas, como Colômbia e Peru, também foram bem avaliados. Entre os importadores de commodities, os mais elogiados são a Alemanha e a Holanda. A China e a Índia, porém, figuram entre os mais criticados na extração de mercadorias de risco para o meio ambiente.
Na iniciativa privada, apenas sete instituições gabaritaram as exigências de qualidade impostas pelo levantamento, sendo cinco europeias, uma japonesa e uma americana. Na lanterninha do ranking, 30 companhias, a maioria baseada na Ásia e no Oriente Médio, não assumiram qualquer compromisso para evitar o desflorestamento.
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- Fazemos parte de uma economia de desmatamento global. O desmatamento está em nosso chocolate e na nossa pasta de dentes, na nossa alimentação animal e nos nossos livros, nos nossos edifícios e nossos móveis, nos nossos investimentos e nas nossas pensões - ressalta Mario Rautner, diretor do Programa de Desmatamento do Programa Global Canopy, idealizador do "Forest 500".
Rautner destaca que o desmatamento e as mudanças no uso da terra causam mais de 10% das emissões globais de gases-estufa, comprometem a segurança hídrica regional e ameaçam a subsistência de mais de um bilhão de pessoas.
- Nosso objetivo é informar às instituições como elas podem progredir rumo ao desmatamento zero. Juntas, essas têm poder para limpar as cadeias de fornecimento globais e praticamente pôr fim à devastação das florestas tropicais.

O Globo, 11/02/2015, Sociedade, p. 28

http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/ranking-avalia-compr…

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