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Programa vai financiar criação de cursos pré-vestibulares e de reforço no ensino médio

Gazeta do Povo- Curitiba-PR
20 de Jan de 2002

MEC prevê R$ 9 mi para negros e índios

Ministro Paulo Renato Souza viaja a Washington amanhã para apresentar o projeto ao BID

Estudantes negros e INDÍGENAS receberão atenção especial do Ministério da Educação. Um projeto de US$ 9 milhões está sendo preparado para financiar a criação de cursos pré-vestibulares e de reforço no ensino médio que dêem prioridade a estudantes negros e índios. "Nossa intenção é que o programa comece já em março a preparar estudantes para o vestibular de 2003", afirmou o ministro da Educação, Paulo Renato Souza.

O ministro vai amanhã a Washington apresentar o plano ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que deve emprestar ao Brasil US$ 5 milhões. Os outros US$ 4 milhões sairão dos cofres do governo federal.

A intenção de Paulo Renato Souza é assinar a liberação do empréstimo em março, em uma reunião do BID que será realizada em Fortaleza (CE). Antes disso, o ministério usará parte dos de outro acordo com o banco para iniciar o trabalho.

Com o recurso, O MEC vai financiar cursos de recuperação paralela e pré-vestibulares tanto para estudantes do último ano do ensino médio quanto para aqueles que já o concluíram, mas não têm condições de pagar um cursinho. Será feita uma seleção de projetos e uma equipe de consultores escolherá as melhores propostas. Serão beneficiados aqueles que se comprometerem a priorizar o ingresso de estudantes negros, INDÍGENAS e também os de baixa renda. O ministério também pretende incentivar universidades públicas a criarem esses cursinhos.

Sete estados - Rio, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo - serão incluídos inicialmente no projeto. Além dos cursos, o projeto prevê a capacitação de professores para trabalhar com inclusão social e preconceito racial e a elaboração de material didático específico. "Esperamos diminuir o desequilíbrio no acesso ao ensino superior", disse o ministro.

No projeto para o BID, foram apontados seis problemas que emperram o acesso de minorias ao ensino superior. O primeiro seria a pouca articulação entre o ensino médio e o superior e a falta de informação. Além disso, o MEC avalia que as iniciativas para tentar levar esses grupos ao ensino superior nem sempre têm continuidade e não há garantias de que realmente funcionem.

Pesquisa

Acesso é limitado

Segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) de 1999, apenas 16% dos jovens brasileiros negros, entre 18 e 23 anos, concluíram o ensino fundamental. Entre os brancos, são 37%. Além disso, apenas 2% dos negros entre 18 e 25 anos chegam à faculdade. Entre os brancos, o índice de jovens com ensino superior é de 11%.

O programa proposto pelo Ministério da Educação pretende dar atenção também aos índios. Hoje o acesso deles às universidades é tão limitado que não chega a ser registrado nas pesquisas. Algumas instituições já iniciaram cursos superiores de formação de professores indígenas, mas ainda são poucos os que conseguem terminar o ensino médio.

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