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22 de Ago de 2011
Desde setembro de 2007, um grupo de quatro profissionais desenvolve na Casa de Saúde do Índio (Casai) de São Paulo, o programa Tamoromu, iniciativa que promove atividades terapêuticas com os usuários da casa. A antropóloga Vanessa Alvarenga Caldeira, coordenadora do programa, explica que a ação surgiu após diálogo com os indígenas que reclamavam não ter o que fazer para passar o tempo dentro da Casai. "O objetivo é realizar trabalhos para que os indígenas se sintam produtivos, para que eles levem algo produzido para casa", define Vanessa.
O Programa Tamoromu consiste na realização de oficinas, como História e Cerâmica, vídeo, brincadeiras, caminhadas, além de atividades de apoio psicológico aos pacientes. Atualmente são oito oficinas, realizadas periodicamente todas as semanas.
A proposta foi formulada em 2005, e executada em caráter temporário entre 2006 e 2007. Após o sucesso do primeiro momento, se transformou em um programa permanente. "Tudo é feito em diálogo constante com os indígenas, por isso mudamos algumas ações para adaptar ao que eles queriam", argumenta a antropóloga.
Segundo a profissional, as ações do Tamoromu resultaram em uma redução nos conflitos dentro da Casai, mesmo entre etnias rivais, além de reduzir a demanda por doações. Sobre as doações, Vanessa explica a situação. "Era muito comum o indígena chegar a Casai e já ir pedindo roupas e outros objetos. Com o programa, mudamos a lógica e as doações que recebemos são entregues por eles mesmos, de uns para os outros. Tem o aspecto de um presente. Essa pequena mudança tem um impacto psicológico muito positivo".
Especificidades
Vanessa lembra que ações terapêuticas como estas são desenvolvidas de alguma forma em todas as Casais, mas destaca algumas particularidades da ação desenvolvida na Casai de São Paulo. "Estamos em um município que é referência nacional em medicina, então recebemos indígenas de todo o país que vem se tratar aqui. Muitas vezes o tratamento é demorado e precisamos cuidar da saúde mental desses pacientes". Para ela, esses pacientes precisam de um acompanhamento especial.
Outro fator que chama a atenção, segundo o relatório do programa, é o fato de que os indígenas têm um interesse muito grande em estudar a língua portuguesa. "Nas oficinas é o que eles mais pedem, eles querem conhecer e entender melhor o português", explica Vanessa.
Balanço
A equipe é composta por psicólogo, pedagogo, arte educador e antropóloga. No total, o grupo realizou 889 atividades em 2010, e planeja expandir suas atividades agora sob gestão da Sesai. Entre os projetos para o futuro, a equipe estuda a manutenção de uma horta na Casai, além de ampliar os trabalhos de reciclagem e de acompanhamento pedagógico que já são desenvolvidos de forma experimental.
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