GM, Meio Ambiente, p.A8
06 de Ago de 2004
Programa de fomento a negócios sustentáveis ganha aliado no Brasil
O fomento a empreendimentos sustentáveis no Brasil acaba de ganhar um novo aliado: o Programa New Ventures Brasil, iniciativa da organização internacional World Resources Institute (WRI) com direção do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp) e apoio do banco ABN Amro Real, co-fundador do programa. Criado nos Estados Unidos em 1999, o programa New Ventures atuava de modo regional na América Latina - nos países dos Andes e Amazônia e no México, por exemplo - e agora passar a ter âmbito nacional.
O programa busca a identificação de projetos sustentáveis com potencial para obtenção de investimentos e dar apoio aos empreendedores no aprimoramento dos planos de negócio, condição-chave para atração de investidores. Os empreendedores devem inscrever no programa projetos com atuação nos setores de agricultura orgânica, produtos florestais certificados, piscicultura sustentável, ecoturismo, energias renováveis, reciclagem, produção limpa e uso racional dos recursos naturais. Outro pré-requisito é que as empresas estejam em busca de investimentos de capital privado entre US$ 100 mil e US$ 3 milhões.
Em dezembro, será realizado o Fórum de Investidores em Negócios Sustentáveis, durante o qual os autores dos 10 projetos finalistas apresentarão seus planos de negócios às possíveis fontes de financiamento, que incluem fundos multilaterais, de capital de risco e mesmo os que investem em negócios com viés ambiental. O WRI estima que, nos próximos cinco anos, serão investidos US$ 15 milhões em projetos sustentáveis.
O programa está aberto a cooperativas, mas não deverá abranger organizações não-governamentais. "É um programa para financiar pequenas empresas, mas não deve ser confundido com assistencialismo. Queremos mostrar aos investidores projetos criativos, consistentes e empreendedores com capacidade administrativa", afirma Mario Monzoni, coordenador adjunto do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV.
Esses projetos estão na mira de fundos de investimento como o ClearTech, com foco em eficiência energética e energias renováveis da Econergy, consultoria americana especializada no tema. Segundo Julio Cezar Zogbi, diretor do ClearTech, o fundo já tem recursos da ordem de US$ 20 milhões, com expectativa de retorno de 17% a 30% sobre o investimento, e já tem cinco projetos brasileiros em análise.
"O mercado de produtos e serviços ambientais tem espaço para crescer. Faltam investidores para esta área e preparo para os empreendedores, mas isso já está mudando", diz Zogbi. Nessa linha, os projetos em energias renováveis já estão mais estruturados, e podem agregar valor a partir da negociação de créditos de carbono.
Segundo Luiz Maia, diretor executivo de gestão de ativos (asset management) do ABN Amro Real, o apoio ao programa New Ventures veio na forma de um "capital semente", de valor não divulgado, que será utilizado em parte na contratação de consultoria especializada. O banco não deverá conceder financiamento direto aos projetos, mas não exclui a possibilidade de, num futuro próximo, abrir uma linha de crédito específica para o empreendedorismo sustentável. "Já temos produtos com foco sócioambiental e adotamos critérios de sustentabilidade na concessão de crédito. Essas ações devem evoluir para outros produtos com o mesmo viés", diz.
GM, 06/08/2004, p. A8
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