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Programa auxilia indígenas a registrar sua cultura em Mato Grosso

Só Notícias- http://www.sonoticias.com.br
02 de dez de 2016

O registro da cultura Boé Bororo por meio de fotografias e vídeos feitos pelos próprios indígenas do sul de Mato Grosso aproximou as gerações das comunidades da Terra Indígena Tadarimana (Rondonópolis), de acordo com o cacique da Aldeia Central Tadarimana, Cícero Kudoropa. "Os mais velhos foram ensinando que tipo de pintura cada clã pode usar e quais plantas podemos usar para a medicina".

A prática da fotografia e as filmagens foram atividades do programa de Registro da Cultura Bororo, desenvolvido durante dois anos com cerca de 40 indígenas na Terra Indígena Tadarimana e também na Terra Indígena Tereza Cristina (Santo Antônio de Leverger). O programa é um dos cinco realizados pela Concessionária Rota do Oeste por meio do "Componente Indígena do Plano Básico Ambiental das obras de duplicação da BR-163/364" (CI-PBA) desde dezembro de 2014: Comunicação Social, Registro da Cultura Bororo, Manejo Sustentável dos Recursos Vegetais, Prevenção ao Alcoolismo e Educação Ambiental. O encerramento ocorreu nesta semana, e, após a cerimônia, foi entregue uma cartilha ilustrada com as fotos e aspectos das culturas das duas terras indígenas.

Segundo o cacique, a cartilha foi importante, pois toda a cultura vai ficar registrada para as próximas gerações. "Até os nossos filhos e netos vão ver qual pintura podemos usar". Ele acredita ainda que, com as aulas de fotografia, os alunos puderam evoluir na forma de manipular as máquinas fotográficas. "Eles sabiam só tirar foto, mas não sabiam como era para usar aquela imagem e hoje o pessoal aprendeu bastante com as imagens".

As danças e os conhecimentos dos mais velhos foram os principais temas que os indígenas da Aldeia Central Tadarimana escolheram filmar, de acordo com o professor de Matemática e Ciências, Cézar Amin Rondon. "Tínhamos necessidade disso aqui em nossa comunidade, aprender nós mesmos a registrar a nossa cultura, porque muitos registros não fomos nós quem fizemos, foram pessoas de fora".

Na avaliação de Simone Elias de Souza, coordenadora da Coordenação de Técnica da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Rondonópolis, as atividades dos cinco programas nas duas terras indígenas superaram as expectativas. "Os trabalhos foram executados com grande responsabilidade e comprometimento, com sensibilidade para entender as diferenças culturais. Cumpriram o programado no Componente e foram além, muitas vezes melhorando aquilo que estava no papel, adaptando os programas mais à realidade das comunidades", analisa.

Na cerimônia de encerramento, segundo Pedro Ely, gerente administrativo e de sustentabilidade da Rota do Oeste, os indígenas disseram que foi feito muito mais do que eles esperavam. "Isso é o melhor resultado que podíamos ter para o nosso programa, porque vemos nos olhos deles uma alegria de ter concluído esse processo que nos satisfaz, já que o programa foi construído para eles", diz.

A Rota do Oeste aguarda aprovação de um novo projeto próprio pela Funai para dar continuidade a ações nas aldeias impactadas pelas obras de duplicação ao sul da BR-163 e na BR-364, e também em outros trechos da rodovia sob sua responsabilidade. A previsão é de que tenha início em 2017.

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