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20 de Jul de 2009
A convite de quatorze lideranças indígenas, do Conselho Indígena de Roraima (CIR), da Organização dos Povos Indígenas de Roraima (OPIR), Sociedade dos Índios Unidos do Norte de Roraima (Sodiurr), Aliança de Desenvolvimento Indígena (Alidcir) e representantes dos Yanomami decidiram por um consenso sobre a renovação do processo seletivo realizado em 2008.
A reunião ocorreu na secretaria no final da tarde desta sexta-feira, a convite do secretário estadual da Educação, Dirceu Medeiros, especificamente para tratar sobre a lotação dos professores nas comunidades indígenas. Todos serão reconduzidos nas comunidades onde trabalham e residem.
As lideranças também concordaram que os professores concursados já lotados e aprovados pelas comunidades permanecerão trabalhando e se comprometeram em atuar diretamente no processo de adaptação deles ao cotidiano, cultura e costumes dos indígenas, para assegurar uma convivência harmônica.
Foram mais de duas horas de reunião da qual também participaram a secretária adjunta de Assuntos Pedagógicos, Ana Célia Paz, a diretora de Recursos Humanos, Geórgia Briglia, a diretora da Divisão Indígena, Natalina Messias, a secretária adjunta de Gestão do Sistema Educacional, Marisa de Fátima Pedrosi, e as diretoras do Departamento de Políticas Educacionais da Secretaria, Dorete Padilha.
Todos prestaram esclarecimentos às lideranças quanto ao concurso indígena, renovação de contratos do processo seletivo de 2008 e outras questões estruturais e específicas que dizem respeito a cada uma das 10 etnias de Roraima.
O secretário comentou que 60% das escolas do Estado fica em áreas indígenas, por isso precisa da participação das organizações no processo de construção de políticas educacionais que realmente atendam as necessidades das crianças indígenas.
"Estarei sempre buscando o diálogo e a participação das lideranças para implantarmos e fortalecermos ações que nos levem a alcançar nosso objetivo de implantar uma educação indígena de referência para o Brasil, que atinja os indicadores estabelecidos pelo Ministério da Educação, mas acima de tudo um processo que garanta o respeito à diversidade e especificidade de cada etnia. Estaremos unidos nesse desafio de lutar por um sistema diferenciado de avaliação", disse.
LIDERANÇAS - Os representantes das organizações indígenas esclareceram que não respaldam decisões e políticas públicas impostas a seus povos porque sabem as consequências e problemas que geram para o poder público quando há resistência. Mas lembraram que querem participar das decisões e ajudar no processo de construção de ações e projetos que visam garantir não apenas uma melhor educação para os povos indígenas, mas melhoria em todos os aspectos de vida das comunidades.
Os 14 líderes elogiaram a iniciativa do secretário Dirceu Medeiros em convidá-los para dialogar e esclarecer os motivos que geraram o impasse quanto à resistência de algumas comunidades em não aceitar professores não índios concursados.
Enilton André Silva, um dos representantes da Opirr, reconheceu que o número de índios com formação acadêmica ainda não atende a demanda das escolas, mas lembra que há muitos estão se qualificando através dos projetos de capacitação desenvolvidos pelo governo como o Projeto Magistério Indígena Tamî'kan, Insikiran da Universidade Federal (UFRR), entre outros.
Segundo ele, esses índios passaram no processo seletivo de 2008 e não seria inteligente por parte da secretaria não aproveitar esse potencial em benefício das crianças que precisam de professores não apenas com qualificação acadêmica, mas que acima de tudo conheçam a realidade, tenham compromisso com a educação indígena e respeitem a especificidade de cada comunidade.
Dionito José de Souza, representante do Conselho Indígena de Roraima (CIR), disse que o resultado da reunião atendeu as expectativas das lideranças.
"A abertura para o diálogo, a oportunidade que nos deram para discutir e falar das nossas preocupações quanto às medidas que devem e como devem ser adotadas para construirmos uma educação indígena de qualidade e que atenda nossos anseios, é uma iniciativa muito positiva da secretaria. Mostra que o Governo de Roraima quer o mesmo que nós: que nossos índios cresçam, se qualifiquem e participem ativamente do processo de transformação das comunidades, respeitando e preservando a diversidade de nossa cultura", disse.
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