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Autor: Cyneida Correia
19 de Jul de 2010
A Organização dos Professores Indígenas de Roraima (Opir) denunciou que faltam cerca de 90 professores em comunidades indígenas de Roraima, o que está atrapalhando a continuidade das aulas.
Segundo a entidade, que representa cerca de 40 comunidades indígenas, na quinta-feira houve reunião com os professores concursados e um bom número destes profissionais já avisou que não vai retornar para as comunidades.
"Está cada vez mais aumentando a necessidade nas escolas e até o mês passado, tínhamos aproximadamente 77 professores faltando e agora aumentou: a ausência já está em 90 profissionais", disse o presidente da Opir, professor Enilton André da Silva.
Segundo o professor Enilton André, a ausência de professores pode atingir o Censo Escolar Indígena que começou a ser feito. "Se não tiver os professores, os alunos podem ficar prejudicados e vão dizer que não está tendo aula. É nossa preocupação agilizar e ver como ficará a contratação de novos professores para suprir essa necessidade", disse
A Opir afirmou que os professores abandonaram as comunidades por vários motivos. "Existem professores que não são da comunidade, outros reclamam das condições de excesso de chuva, ficam doentes, têm famílias na cidade e outros criaram problemas na comunidade. Ou seja, vários fatores justificam que não retornem. Como não tem energia, a estrada é ruim, não tem casa de apoio nem transporte, a maioria dos professores desiste", disse.
CENSO - A organização reclamou também do fato dos professores estarem sendo obrigados a fazer o Censo Escola Indígena. "Não é da competência dos professores fazerem o Censo. Vamos fazer, mas precisamos de apoio logístico. Precisamos de transporte, combustível e diárias, o que é de direito. Se não tiver, não tem como fazer. Essa foi a decisão tomada pelo povo indígena, e precisamos de tempo para formar as equipes para fazer o trabalho", disse.
EDUCAÇÃO - A assessoria de comunicação da Secretaria de Educação informou, na sexta-feira, que os professores foram rejeitados pelas comunidades indígenas, que não aceitaram que não índios dessem aulas nos locais.
Segundo a assessoria, o Ministério Público tomou conhecimento e houve recomendação para que eles voltassem às atividades. A assessoria informou também que não procede o número de 90 professores fora da sala de aula e que as faltam estão sendo minimizadas com hora/aula pagas aos outros professores que permanecem nas comunidades.
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