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Professora índia de Sapezal percorre 600 km para estudar no Projeto Hayô

24 HORAS NEWS
27 de jul de 2007

Leontina Nanbiquara, 27, casada, mãe de quatro filhos, moradora da Aldeia Jacú, localizada no município de Sapezal, a 480 km de Cuiabá, percorre cerca de 600 km para chegar ao pólo de Juina, onde freqüenta o Curso de Magistério Intercultural. O Curso é oferecido pelo Projeto Hayô - uma formação para índios promovida pelo governo de Mato Grosso, por meio da Seduc, em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Conselho Estadual Indígena
(CEI) e municípios participantes.

A superação de Leontina vai além da distância territorial, ela precisa administrar a v ida familiar para conseguir estudar. Como a professora ainda amamenta a pequena filha Wendylene Nanbiquara, 2 anos, o jeito foi trazer o filho mais velho, Túlio Welling Nanbiquera,12 anos, para ajudar a cuidar da irmã durante o módulo que terminou nesta sexta, 28 de julho.
"Me casei aos 14 anos, meus pais não queriam que eu fosse para a cidade estudar, aprendi a ler sozinha, sempre me interessei pela língua e cultura materna, mas sei que para sobreviver hoje preciso também adquirir o conhecimento dos brancos".

Em casa, pela manhã, Leontina realiza os serviços domésticos. À tarde, leciona, de segunda à sexta-feira para crianças de 1ª e 2ª séries, numa sala multiseriada. "Estudar é necessário, dou aula e procuro aumentar os meus conhecimentos, quero adquiri r mais prática para auxiliar as crianças da minha turma", relatou.

O Projeto Hayiô, respeitando as questões sócio-culturais, garante a permanência de crianças em fase de lactação junto das mães nos 30 dias de curso. Para tanto, assegura o direito à aluna de levar um acompanhante para cuidar do bebê durante a permanência dela em sala de aula.

"A mãe índia amamenta seus filhos por muito mais tempo que a não-índia. Em respeito a esse saudável costume indígena a Seduc garante a estadia para o ajudante da mãe, o que tem trazido satisfatórios entre as mães cursistas", comemorou Letícia Antonia de Queiroz, gerente de Educação Indígena.

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