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Produtores rurais protestam contra avanço das reservas

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
09 de Jan de 2005

O esperneio contra demarcações ou ampliações de reservas indígenas é parte da rotina em Roraima. Diante da publicação do relatório de delimitação de mais duas áreas os presidentes de duas associações classistas protestaram contra a insaciável sede por terras demonstrada pela Fundação Nacional do Índio (Funai).
Na avaliação do presidente da Associação dos Arrozeiros, Luiz Afonso Faccio, já não resta mais dúvida que a Funai tem prestado desserviço, porque estas medidas prejudicam as comunidades indígenas. "Em vez de procurarem desenvolver uma atividade econômica que poderia melhorar a qualidade de vida destas populações, a Funai se interessa apenas em mapear as reservas deixando as comunidades indígenas abandonadas".
O rizicultor espera que o governo e os parlamentares que representam o Estado tomem as providências necessárias para que seja dado um basta na ampliação de reservas. "Também espero que o Congresso Nacional chame para si a responsabilidade de demarcação de reservas indígenas. A Funai deve ser extinta. Não há mais como o governo manter este órgão em prejuízo da sociedade brasileira", atacou Faccio.
O presidente da Cooperativa do Grão Norte, Dirceu Vinhal, ironizou os obstáculos enfrentados pelo setor produtivo. "Aqui em Roraima, produzir é apenas um detalhe". Para ele, a demarcação de mais duas reservas é outro golpe no setor produtivo e na esperança de crescimento do Estado. "Vou apelar ao governador para que ele coloque uma equipe de advogados para auxiliar os produtores que já não têm mais tempo para trabalhar".
Para Vinhal, a marcha insolente da Funai avalizada por autoridades do governo federal permite consolidar o pensamento de que existe um complô para inviabilizar a Amazônia e particularmente Roraima. O número de indígenas não justifica mais tantas ampliações. Se aprovada a PEC do senador Mozarildo, prevendo que apenas 50% do território de qualquer unidade federativa poderiam ser destinados a reservas indígenas, só com as áreas que já estão homologadas Roraima ultrapassaria este limite".
O presidente da Grão Norte diz que, apesar da campanha para desestabilizar o setor produtivo em Roraima, os produtores resistirão porque conquistaram uma produtividade jamais registrada em plantio de primeiro ano, em qualquer parte do mundo. Além disso, fazem venda direta do produto ao consumidor final, como é o caso da exportação para Venezuela. "Nosso patrimônio já está incorporado às nossas vidas, portanto é nosso sangue, e vamos dar o nosso sangue para defender esta terra", declarou Vinhal

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