OESP, Nacional, p.A13
19 de Dez de 2004
Produção familiar rural ganha espaço
Estudo da Fipe mostra maior participação das unidades familiares no PIB agrícola, enquanto ruralista destaca peso do agronegócio
Roldão Arruda
O debate sobre a reforma agrária no País tem provocado constantes estudos e pesquisas sobre a agricultura familiar. O mais recente deles, encomendado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, mostra que o peso deste setor agrícola no conjunto da economia está aumentando.
De acordo com o estudo, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, de 2002 para 2003 a participação das cadeias produtivas da agricultura familiar no PIB do Brasil cresceu 9,7%. No mesmo período, o PIB nacional cresceu 0,5%. Em números absolutos, a produção familiar subiu de R$ 143 bilhões para R$ 156 bilhões (em valores de 2003).
As unidades rurais tocadas por famílias respondem por quase 60% do total da produção de suínos, 56% de leite e 51% de aves. Em relação à soja, 33% do cultivo era controlado no ano passado pelos grupos familiares - um número expressivo num setor onde predominam os grandes empresários, mas menor que o de 1995, quando o peso familiar girava em torno de 37%.
VITALIDADE
O estudo também mostrou que entre 2002 e 2003 a agricultura familiar mostrou mais vitalidade que a agricultura patronal - termo usado para se referir a propriedades maiores, que empregam pessoas para a execução dos trabalhos. Enquanto o PIB do primeiro grupo cresceu 9,7%, o do segundo aumentou em 5,3%.
O estudo foi divulgado para mostrar a importância econômica da unidade familiar e, indiretamente, oferecer mais subsídios para os defensores da reforma agrária. Para eles, a redistribuição de terras e a instalação de mais famílias no campo é a melhor alternativa do governo para criar empregos a curto prazo e com custos baixos.
Coincidentemente, no mesmo dia da divulgação do estudo da Fipe, o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), João de Almeida Sampaio Filho, pôs no site da entidade na internet um artigo sobre empregos gerados pelo agronegócio. "É o setor que mais emprega em toda a cadeia produtiva da economia brasileira", diz ele. "Gera 18 milhões de empregos, o que corresponde a 30% da população economicamente ocupada do País." Isso significa que de cada três novos empregos no País, um está no agronegócio.
OESP, 19/12/2004, p. A13
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