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Produção crescerá 6% este ano

CB, Economia, p. 11
25 de Jan de 2005

Produção crescerá 6% este ano

Luís Osvaldo Grossmann
Da equipe do Correio

Com investimentos bilionários, a começar pela construção de novas fábricas, a produção de celulose no país deve crescer aproximadamente 6% e superar as 10 milhões de toneladas até o fim do ano. Em 2004 foram produzidas 9,4 milhões de toneladas. Até 2012, as empresas de papel e celulose do Brasil planejam investir US$ 14,4 bilhões, num ritmo de US$ 1,5 bilhão por ano.
A consultoria Global Invest, que elaborou um relatório sobre o setor, aposta na recuperação do dólar e na manutenção do aquecimento da economia doméstica como sinais para o otimismo do mercado. Fundamental, porém, é a crescente demanda da China, que sozinha compra 15% da produção mundial.
Como essa demanda também deve aumentar na União Européia, espera-se um aumento entre 5% e 10% no preço da celulose ainda em 2005, mas deve esse cenário específico deve sofrer estabilidade ou até queda em 2006, quando os investimentos mundiais serão finalizados e terão como resultados produção global de 3 milhões de toneladas de celulose de mercado.
De acordo com a Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa), o volume de celulose anual deve crescer no Brasil em 2005 principalmente graças ao término do projeto da Veracel Celulose , que terá capacidade instalada para produzir 900 mil toneladas anuais de celulose.
"Estamos entrando no mercado em um momento muito favorável", diz o presidente da Veracel Celulose, Vitor Costa. A fábrica da Veracel Celulose, próximo ao município de Eunápolis(BA), a cerca de 800 km de Salvador, é o maior investimento privado em execução no país. Com 85% da obra concluída, a expectativa da empresa é iniciar a operação no próximo mês de maio. Este ano, a produção deve ficar nas 365 mil toneladas de celulose.
As grandes empresas do setor mantém planos ambiciosos. A Aracruz Celulose, dona de 50% da Veracel e com unidades no Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, pretende construir uma nova fábrica com capacidade superior a 900 mil toneladas por ano. Só aí serão necessários cerca de US$ 1 bilhão.
Outra empresa, a Suzano, quer construir uma segunda linha de produção na fábrica que já possui em Mucuri, no sul da Bahia, o que adicionará mais um milhão de toneladas de celulose até 2007, com a perspectiva de uma produtividade ainda 25% maior até 2013. A americana International Paper, que tem subsidiária no Brasil, planeja investir R$ 1,2 bilhão em uma nova fábrica de celulose e papel no Mato Grosso do Sul.
Já a VCP, do grupo Votorantim, quer triplicar a atual produção anual de 4 milhões de toneladas de celulose (e 2 milhões de toneladas de papel) até 2020. "O programa de investimentos de US$ 14,4 bilhões nos permitirão aumentar ainda mais as exportações de celulose e papel, além de satisfazer plenamente a demanda interna e gerar mais de 60 mil novos empregos diretos, até 2012", diz o presidente da Associação Brasileiras das Empresas de Papel e Celulose (Bracelpa), Osmar Zogbi.
Com relação ao mercado doméstico, as perspectivas dos analistas da Global Invest também são positivas, já que a demanda doméstica segue aquecida. Ainda de acordo com o relatório, um dos problemas é a expansão de capacidade para atender a demanda, o que tem levado empresas a fazerem investimentos na área florestal.
Para escapar do custo, social e econômico, de comprar de novas terras, e ainda evitar o desabastecimento no futuro, as empresas de papel e celulose apostam em parcerias com pequenos e médios proprietários no plantio de árvores de eucalipto.

Origem na Austrália
Originário da Austrália e outras ilhas da Oceania, o eucalipto foi trazido para o Brasil na segunda metade do século XIX com o objetivo de ajudar na produção de dormentes para as linhas férreas que se instalavam no país.
Hoje, o Brasil tem a maior área plantada de eucaliptos do mundo - são mais de três milhões de hectares -, é o maior produtor mundial da celulose (9,4 milhões de toneladas por ano), e conta com o maior índice médio de produtividade (40 metros cúbicos por hectare ao ano).
0 eucalipto brasileiro se destina basicamente à produção de celulose e papel e ao carvão que abastece as siderúrgicas. As indústrias brasileiras que usam o eucalipto como matéria-prima para a produção de papel, celulose e demais derivados representam 4% do PIB, 8% das exportações e geram aproximadamente 150 mil empregos.

CB, 25/01/2005, Economia, p. 11

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