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Processo em curso, em um País solidário

GM, Relátorio Gazeta Mercantil, p. 1-4
21 de Dez de 2004

Processo em curso, em um País solidário
O Brasil começa a vencer patamares na valorização de princípios da boa prática social.

Durante o Ano Internacional do Voluntariado, 2001, a Organização das Nações Unidas (ONU), que o promovia, deu ao Brasil altíssima nota, qualificando-o como o país onde mais se avançou no trabalho anônimo de praticar a solidariedade. No ano seguinte, a mesma ONU quantificou aquele avanço, ao anunciar que 42 milhões de brasileiros estão envolvidos em atividades voluntárias.
Soube-se assim, com aval dos mais respeitáveis, o que se intuía: o brasileiro é um povo solidário. Trata-se, pois, de boa terra onde plantar iniciativas de alcance social. Iniciativas não têm faltado. Apesar de haver ainda certo equívoco sobre o que seja plenamente responsabilidade social e o que se enquadre apenas como ação filantrópica. Um e outro têm em comum o fato de serem completamente voluntários; o primeiro, contudo, deve ser preocupação permanente.
"Não dá para dizer que uma empresa chegou ao limite de sua responsabilidade social. (...) É um processo educativo que evolui com o tempo", ensina o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, entidade das mais respeitadas do País, cuja missão é "mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável" (leia o artigo abaixo). Atos de filantropia, por sua vez, são geralmente limitados, no raio de ação e no tempo.
Internamente, a primeira medição em profundidade desse setor apareceu apenas agora, neste mês de dezembro, com a divulgação de levantamento inédito, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com ajuda da Associação Brasileira de Organizações não governamentais (ABONG) e com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE). A pesquisa revela números expressivos: existem mais de 274 mil entidades dedicadas ao setor - concentradas em nove áreas de atividade -, nas quais trabalham 1,5 milhão de pessoas, que recebem salários ou remunerações de R$ 17,2 bilhões. Todos os dados referem-se ao ano de 2002.
Está aí o resultado da multiplicação das organizações que tentam ajudar a melhorar a vida do próximo. Há uma geração, Terceiro Setor - denominação sob a qual se abrigam as atividades do ramo - era expressão de conhecimento restrito a iniciados. Só chegou ao cidadão comum depois da realização da conferência Eco-92, no Rio de Janeiro, onde o assunto foi apresentado e debatido por sumidades internacionais, ganhando enorme exposição.
Passados doze anos do evento, percebe-se que a compreensão do que seja responsabilidade social começa a subir um patamar. O indício está na pesquisa "Responsabilidade Social das Empresas - Percepção do Consumidor Brasileiro 2004", realizada em 11 Regiões Metropolitanas brasileiras pelos institutos Akatu e Ethos em parceria com o Instituto de Pesquisa de Mercado GfK Indicator, sob patrocínio do Grupo Carrefour.
Quando perguntados sobre qual deve ser o papel das empresas na sociedade, 44% dos mil entrevistados afirmaram que deveria ser maior do que o simples cumprimento das leis. Cumprida suas tarefas - lucrar, pagar impostos e dar emprego - deveriam "estabelecer padrões éticos mais elevados" para pautar suas relações com as comunidades onde estão instaladas. A manifestação mostra evolução naquele entendimento; nas pesquisas similares anteriores, 35% (2000) e 39% (2002) concordavam com a afirmação.
A mesma pesquisa alerta as empresas para a necessidade de melhorar a comunicação com o público, pois as Organizações não governamentais (Ongs) são as enti-dades que merecem o voto de "muita confiança" dos entrevistados (25%), enquanto as empresas nacionais recebem 12% e as internacionais 8%. Essas últimas têm também o maior índice de rejeição, quando 30% dos consumidores ouvidos declararam não ter "nenhuma confiança" nelas.
Isso não significa, no entanto, uma falha geral no sistema, pois não são poucas as companhias que têm desenvolvido projetos sérios e consistentes de responsabilidade social. Essas ações, com cara brasileira, servem, mais à frente, de emulação a outras. Pois começa a ficar claro no mundo empresarial que, mesmo se o objetivo não for ganhar dividendos econômicos com o trabalho social, esses aparecem. Um exemplo: quando a Natura - cuja atuação na área tem repercussão internacional - lançou ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em maio passado, a procura pelos papéis foi de dez vezes o total oferecido.
Para o lançamento, a propósito, a empresa optou pelo "Novo Mercado", onde entram as companhias que aceitam as regras e exigências muito rígidas em termos de governança corporativa - aquelas que atuam com total transparência nas relações com clientes, fornecedores, mercado, comunidade, etc. Para os aplicadores houve resultados imediatos, com a valorização das ações em mais de 70% de maio para cá.
Não é surpresa ver que a pragmática Bolsa sabe como transformar o valor intangível em tangível. Tem rica experiência alheia onde mirar. Nos Estados Unidos, os Socially Responsible Funds (SRFs), fundos de investimentos que utilizam princípios de responsabilidade social, lançados nos anos de 1980, na década seguinte tiveram um desempenho 15% superior aos tradicionais. Esses fundos movimentam atualmente mais de US$ 3 trilhões. Têm até, desde 1999 um indexador próprio, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (Dow Jones Sustainability Index).
Desfazer equívocos, clarear e popularizar o conceito de responsabilidade social é questão de tempo no Brasil. Pois o processo educativo ainda está em curso... e deve ir vencendo etapas. Afinal, 30 anos atrás, quem insistisse em falar em meio ambiente desmanchava qualquer rodinha de conversa. Hoje, há leis sobre o assunto.

Do varejo à sustentação política da solidariedade
A partir de 2005, o Instituto Pão de Açúcar pretende dar início à fase de expansão das parcerias em programas sociais que mantém atualmente com os governos federal e estadual e as Organizações Não Governamentais (ONGs). "Até 2008, queremos estar presentes em todos os Estados brasileiros", diz Rosangela Bacima Quilici, diretora executiva da instituição criada há seis anos para dar sustentação à política de responsabilidade social do Grupo Pão de Açúcar.
Além de ampliar a liderança no segmento em que atua, a maior empresa do varejo nacional planeja tornar-se na mais admirada do País também pela política de responsabilidade social. Seus investimentos em projetos nessa área saltaram de R$ 28 milhões, em 2002, para R$ 36,3 milhões, no ano seguinte, quando o faturamento total empresa foi de R$ 12,8 bilhões.
Em 2004, o Instituto Pão de Açúcar destinou R$ 11,8 milhões em projetos sociais, educativos e esportivos distribuídos em quatro Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Ceará). De acordo com Rosangela, o compromisso da companhia com o desenvolvimento do Brasil começa com a geração de empregos. Segundo ela, o Pão de Açúcar é hoje o maior empregador privado nacional, com mais de 70 mil pessoas trabalhando em suas 560 lojas e 12 centrais de distribuição em 12 estados brasileiros. Para o Grupo Pão de Açúcar, a prática diária da ética nas relações com os seus diferentes públicos colabora para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
Trata-se de uma visão estratégica do negócio e também da certeza de que a responsabilidade social faz parte da essência da empresa que elegeu como seus principais stakeholders (partes interessadas) colaboradores e familiares; comunidades do entorno; fornecedores e parceiros; clientes e consumidores; governo e sociedade. O modelo de administração respeita as mais sólidas práticas de governança corporativa na busca da profissionalização, da melhor performance, da maior produtividade e lucratividade, sempre em nome da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável.
A gestão da Responsabilidade Social Corporativa é partilhada por todas as áreas da empresa e o Comitê de Responsabilidade Social, um amplo fórum de discussão criado em 2002 e integrado por representantes das diversas áreas da CBD, reflete essa postura. Sua função é direcionar as ações relacionadas ao tema. Com o Comitê, o Grupo Pão de Açúcar desenvolve diversas ações por meio do Instituto Pão de Açúcar de Desenvolvimento Humano (responsável pelo investimento social externo e pela gestão do voluntariado), das Unidades de Negócios, do Marketing Institucional (responsáveis pelas ações esportivas, culturais, ambientais e de apoio a causas) e da área de Recursos Humanos (gestão do público interno).
Essa é a base de construção de uma linguagem corporativa única, que agrega competência às bandeiras da Companhia Brasileira de Distribuição - Pão de Açúcar, Extra e CompreBem - e estimula as suas 560 lojas, abrigadas sob elas, a promover ações localizadas de interação com a comunidade e suas lideranças. Com ações, iniciativas e experiências sólidas em diversas áreas de competência, incluindo a responsabilidade social, o Grupo Pão de Açúcar tem se destacado no mercado brasileiro pela rápida consolidação de um modelo de "varejo socialmente responsável", cada vez mais justo e transparente e que significa o sucesso do próprio negócio.
Em 2005, os investimentos programados pelo Pão de Açúcar somam R$ 500 milhões, sendo R$ 258 milhões na abertura de novas lojas (8 hipermercados Extra, 8 supermercados Pão de Açúcar, 5 supermercados CompreBem, entre outros); R$ 155 milhões em reforma de lojas; R$ 87 milhões para aquisição de terrenos estratégicos, tecnologia e logística.

Um procedimento que nunca se esgota
É grande a preocupação da comunidade de investidores com a exposição das empresas a riscos sociais e ambientais, crescentes nos últimos anos. Há razões para isso: a atividade das empresas exerce impacto sobre o meio ambiente e sobre a sociedade - e esse impacto pode influir sobre o seu desempenho financeiro. A percepção por parte da sociedade de práticas sociais inadequadas põe em risco o valor das ações e do patrimônio das empresas, tanto quanto a má gestão da qualidade do ar no interior das instalações.
É fácil compreender, nesse contexto, a importância crescente que assume nos dias atuais a responsabilidade social. Essa importância torna-se ainda mais patente ao se observar que os valores intangíveis, como pessoas, imagem e marca, passam a disputar com os valores tangíveis, como instalações e equipamentos, a referência para o êxito nos negócios. A atualidade da responsabilidade social vem da mudança na estratégia de geração de valores.
Um problema associado á imagem da empresa pode ser-lhe mais prejudicial do que os efeitos de uma catástrofe física, da mesma forma como o capital humano tornou-se estrategicamente mais decisivo para o seu futuro que o seu capital físico. Disso estão cientes, de modo especial, as empresas seguradoras e os bancos, que se tornam cada vez mais exigentes na avaliação de risco dos clientes, nela incorporando critérios de desempenho socioambiental.
No novo contexto de prevalência dos valores intangíveis, são as relações humanas que importam como fator crítico. Assegurar a fidelidade dos clientes, motivar os empregados, construir relações duradouras com os fornecedores, praticar a ecoeficiência, adotar a gestão de ciclo de vida do produto, respeitar o meio ambiente e ser transparente na governança corporativa - eis alguns dos requisitos que caracterizam a responsabilidade social empresarial.
Segundo a acepção do Instituto Ethos, instituição pioneira na introdução do conceito no Brasil, "responsabilidade social empresarial é uma forma de conduzir os negócios que torna a empresa parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente) e conseguir incorporá-los ao planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos, não apenas dos acionistas ou proprietários", em proveito da perenidade do negócio.
A despeito da clareza conceitual, a expressão responsabilidade social é com freqüência identificada, de modo equivocado no Brasil, com filantropia. A filantropia é basicamente uma ação social externa da empresa, que tem como beneficiária principal a comunidade em suas diversas formas (conselhos comunitários, organizações não-governamentais, associações comunitárias, etc.) e organizações. Já a responsabilidade social incide diretamente na cadeia de negócios da empresa, em benefício da sustentabilidade do empreendimento, e engloba preocupações com um público diretamente ligado a seu negócio (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente), cuja demanda e necessidade a empresa deve buscar entender e incorporar à sua estratégia.
Assim, a responsabilidade social trata diretamente dos negócios da empresa e de como ela os conduz. Ou, como observa a Associação das Seguradoras Britânicas (ABI) - instituição pioneira na divulgação do conceito na Europa -, a filantropia diz respeito ao que é externo ou paralelo ao negócio essencial da empresa (gerar lucros), ao passo que responsabilidade social refere-se ao modo como a empresa se conduz. Nesse sentido, importa mais, no contexto, o modo como se geram lucros do que quanto de lucro se gera ou quanto dele é distribuído entre sócios e acionistas.
De acordo com a orientação do Ethos, a ética é a base da responsabilidade social, expressa nos princípios e valores adotados pela organização. Não há responsabilidade social sem ética nos negócios. Na perspectiva da responsabi-lidade social, de nada adianta uma empresa desenvolver programas voltados a entidades sociais da comunidade, se paga mal seus funcionários, corrompe a área de compras de seus clientes ou paga propinas a fiscais do governo. Para que haja responsabilidade social, é fundamental a coerência entre ação e discurso.
A responsabilidade social, por se situar para além da responsabilidade perante a lei, é um processo que nunca se esgota. Por definição, não pode ser objeto de um programa, com escopo limitado no tempo e no espaço. Como observa o Instituto Ethos, "não dá para dizer que uma empresa chegou ao limite de sua responsabilidade social", pois sempre há algo a fazer quando se busca assegurar a sustentabilidade."É um processo educativo que evolui com o tempo".
A prática demonstra que a responsabilidade social traz resultados positivos em primeiro lugar para a empresa, pois o que se visa, ao incorporá-la à estratégia, é garantir-lhe a perenidade. Benefícios sociais que daí resultem - e resultam necessariamente - são corolários. Por isso, a empresa precisa ter a cultura da responsabilidade social incorporada ao seu pensamento. Desenvolver programas sociais apenas para divulgar a empresa, ou como forma compensatória, não traz resultados sustentáveis.
A sustentabilidade resulta da incorporação dos princípios e das diretrizes associados à responsabilidade social. São estes que contribuem de forma decisiva para: adequar as práticas da empresa às expectativas de seus públicos de interesse; reduzir o custo operacional; assegurar a lealdade de seus públicos de interesse; assegurar o apoio da comunidade; elevar o potencial de vendas mediante a fidelidade dos clientes; atrair e reter funcionários talentosos; assegurar a melhoria contínua da produtividade e a qualidade; assegurar vantagens competitivas a partir da inovação; reduzir riscos em fusões e aquisições; reduzir a volatilidade das ações; prevenir e reduzir a intervenção regulatória; ampliar o acesso ao capital a um custo menor.

kicker: Entre os valores intangíveis, são as relações humanas que importam como fator crítico
kicker2: Apesar da clareza conceitual, ainda se confunde responsabilidade com filantropia

O ISR movimenta US$ 3 trilhões nos EUA
No Brasil, os investimentos socialmente responsáveis já dão lucro aos investidores de alta renda. C onceito ainda recente no mercado brasileiro, o investimento socialmente responsável (ISR) leva em conta, além dos resultados financeiros para o investidor, considerações ambientais, éticas e sociais para selecionar ou dar continuidade a investimentos realizados em empresas. Nos Estados Unidos, os SRFs (Socially Responsible Funds), como são chamados os fundos que utilizam princípios de responsabilidade social para definir investimentos, existem desde a década de 1980 e, hoje, movimentam mais de US$ 3 trilhões. Na década de 90, tiveram um desempenho 15% superior aos fundos "tradicionais" e ganharam, em 1999, um indexador próprio, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (Dow Jones Sustainability Index).
No Brasil, os investimentos socialmente responsáveis já entraram no cardápio de aplicações dos investidores institucionais e dos clientes das áreas de private banking - pessoa física de alta renda. Mais bem informados sobre as tendências no mercado externo, estes investidores incorporaram a percepção de que é possível ser socialmente responsável e ainda lucrar com isso. Isto porque, perceberam que empresas que tem preocupações sociais e ambientais são sustentáveis e têm maiores perspectivas de rentabilidade. Não à toa, os investimentos socialmente responsáveis são chamados também de "investimentos éticos" pois seu objetivo vai além do lucro, uma vez que visam induzir as empresas a adotar, cada vez mais, as práticas de responsabilidade social.
A tendência verificada no exterior foi trazida para o mercado brasileiro pelo banco ABN Amro que lançou, no final de 2001, o fundo de ações Ethical. Desde então, a carteira dominou o cenário, mas em setembro deste ano, ganhou a companhia do Itaú Excelência Social FIA, do Banco Itaú.
Na ocasião do lançamento, o diretor do Itaú, Alexandre Zákia, disse que o fundo foi criado para atender a uma demanda dos clientes, principalmente de investidores institucionais. O fundo do Itaú segue as premissas básicas de qualquer fundo ISR, mas procurou ir além e também repassará metade da taxa de administração para projetos sociais, o que o aproxima de uma outra modalidade de investimento, mais comum no mercado brasileiro, o fundo social.
Perfil filantrópico
Esta outra vertente é conhecida como Investimento Social Comunitário (ISC) e tem teor filantrópico, pois destina recursos para instituições beneficentes. Os ICS têm recebido maior atenção dos gestores e vários bancos oferecem fundos com este perfil, como a Caixa Econômica Federal (CEF), HSBC, Banco Bonsucesso e Unibanco.
Nos Estados Unidos e Europa, a preferência dos investidores é pelos ISR. De acordo com levantamento da consultoria italiana Value Partners, nos Estados Unidos, os fundos socialmente responsáveis chegam a deter 13% do patrimônio total do setor de fundos. Na Europa, somavam € 15,4 bilhões no final de 2003. No Brasil, a demanda por investimentos socialmente responsáveis é liderada pelos fundos de pensão - cuja carteira de investimentos é de quase R$ 300 bilhões. Estes fundos estão incluindo em suas metas de investimento a proposta de aplicar apenas em empresas que, além das práticas de boa governança, cumprirem as regras básicas de cidadania, como ter empregados com carteira assinada, adotar normas rígidas em relação à qualidade do meio ambiente, ter conduta ética com os fornecedores, clientes e governo, por exemplo.
O movimento iniciou-se no final de 2003, encabeçado pelos fundos de pensão Previ, Petros e Funcef (dos funcionários dos Banco do Brasil, Petrobras e CEF, respectivamente) que definiram a responsabilidade social como um dos critérios para a seleção das empresas que comporão o seu portfólio de aplicações.
Ainda em linha com a tendência externa, as ações de empresas responsáveis ganharão um índice próprio. Em desenvolvimento pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), entra em operação em 2005 e será operado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

O conceito já está bem assimilado no País
O s brasileiros já assimilaram bem o conceito de responsabilidade social, mesmo cometendo algumas contradições ao verbalizar tal percepção. Esse é um dos resultados da pesquisa "Responsabilidade Social das Empresas - Percepção do Consumidor Brasileiro 2004", realizada pelos institutos Akatu e Ethos em parceria com o Instituto de Pesquisa de Mercado GfK Indicator e divulgada no último dia 15, patrocinada pelo Carrefour.
Pelas respostas de 44% dos mil entrevistados - de 18 a 74 anos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Distrito Federal, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo - o papel das grandes empresas deveria ser maior na sociedade que o simples cumprimento das leis. Ou seja, além de gerar lucro, pagar impostos e dar emprego, precisariam "estabelecer padrões éticos mais elevados" de forma a ajudar na melhora da sociedade. Esse entendimento é crescente, pois em pesquisas similares anteriores, 35% (2000) e 39% (2002) deram a sugestão compartilhada pelos 44% deste ano.
As áreas de atuação principais, segundo os entrevistados, seriam saúde (25% das respostas) e educação e treinamento (23%). Essa priorização diferencia-se da registrada na pesquisa anterior, quando apareceu o quesito "combate à pobreza" em primeiro lugar (24%), educação estava em segundo, com 20% e saúde ficava em terceiro, com 16%, junto a "segurança e prevenção do crime".
A contradição ocorre quando os entrevistados opinam quanto à forma de fazer com que as empresas estendam suas ações além do tradicional: 57% acreditam que o governo deveria criar leis obrigando-as a isso, mesmo à custa de encarecimento de preços e menor oferta de empregos. Os brasileiros não estão sozinhos no equívoco, já que o pressuposto principal para a adoção de programas de responsabilidade social é a decisão voluntária. Mesmo onde o conceito é mais disseminado, Canadá e Espanha, por exemplo, 50% dos cidadãos também acham necessária a intervenção oficial conforme os dados de pesquisas da GfK Indicator - similares à brasileira - realizadas em 21 outros países.
Apesar de 54% dos consumidores concordarem em que "as empresas grandes estão fazendo um bom trabalho em construir uma sociedade melhor para todos", um número maior, 76%, têm consciência de que podem interferir na gestão das empresas, tornando-as mais socialmente responsáveis. Essa consciência é maior (86%) quando consideradas apenas as respostas dos líderes de opinião ouvidos pela pesquisa.
Coerentemente, uma proporção semelhante de consumidores deu resposta positiva quando perguntados se têm interesse em conhecer melhor os meios utilizados pelas empresas para serem mais socialmente responsáveis. No total, 72% concordaram; quando isolados, os líderes de opinião somaram 89%. Se comparado, neste quesito, aos demais 21 países onde a pesquisa foi realizada, o Brasil ocupa a 8ª posição, em um ranking liderado pelo México (83% ) e encerrado com o Uruguai (42%).
O alegado alto conhecimento de que o consumidor o poder de interferir na gestão das empresas, prestigiando com sua preferência as socialmente responsáveis e punindo as que não sejam não tem descido á vida prática. O estudo brasileiro registra apenas 17% de entrevistados que escolheram produtos de companhias que atuam com responsabilidade social no último ano, enquanto 70% não levaram o assunto em conta. Na outra ponta a participação ainda é menor: 14% afirmaram ter adotado atitudes punitivas, contra 76% que não consideraram tal atitude.
O levantamento avaliou também as relações dos consumidores com as empresas que os empregam. No caso das companhias grandes, com mais de mil empregados, a maioria absoluta dos funcionários (90%) concordou com a afirmação "minha empresa precisa se preocupar mais em ser socialmente responsável". Deram também voto a favor da comunicação, pois 70% assinalaram que a empresa onde trabalham "fez um bom trabalho em informar sobre seu comprometimento com a responsabilidade".
No mesmo capítulo, descobre-se que as ações de responsabilidade social da empresa funcionam como importante estímulo dos funcionários. A afirmação "quanto mais responsável socialmente for a minha companhia, mais motivado e leal me torno como funcionário" recebeu unânime 100% de respostas positivas dos entrevistados das grandes empresas.

Confiança no potencial humano, por seis décadas
A responsabilidade social é uma filosofia incorporada pelo empresário Norberto Odebrecht desde que fundou a primeira empresa do grupo em 1944. E os princípios da organização Odebrecht incluem "a confiança no ser humano, a descentralização e a delegação planejada". Por isso mesmo, "a responsabilidade social e o investimento social são praticados por todas as empresas do grupo e não estão concentrados na Fundação Odebrecht, instituição privada, sem fins lucrativos, mantida pelas empresas da Organização Odebrecht", diz Marta Castro, coordenadora de Comunicação da Fundação.
Criada em 1965, a Fundação Odebrecht tem como objetivo "promover a educação dos jovens para a vida, estimulando sua participação como sujeito ativo, bem como sua postura autônoma, solidária e produtiva diante da comunidade", diz Marta Castro. A Fundação investe na realização de programas educacionais e no aperfeiçoamento de políticas e ações desenvolvidas nos diferentes setores da sociedade brasileira.
Desde 1988, a fundação privilegia sua missão de "educar jovens para a vida e atualmente nosso foco é o jovem do interior dos estados do Nordeste e o nosso desafio é ajudá-los a se realizarem pessoalmente e profissionalmente na sua região de origem, evitando a imigração involuntária para os grandes centros urbanos e suas conseqüências", diz Marta Castro. Na década de 1990, as ações da Fundação Odebrecht beneficiaram cerca de 500 mil adolescentes e 12 mil educadores em todo o país. Segundo Marta Castro, a fundação trabalha "num contexto de desenvolvimento sustentável, onde o jovem é o principal agente e beneficiário da mudança de cultura e de estrutura da sua comunidade".
Projetos da holding
A holding Odebrecht S.A. também investe em vários projetos de apoio a cultura, diz Marta Castro. Um deles é o Projeto Memória, lançado em 1997 em parceria com a Fundação Banco do Brasil e com o objetivo de resgatar a memória cultural por meio de homenagens a personalidades ou fatos marcantes do cenário nacional que tivessem alguma relação comemorativa com o ano em que ocorreram. As homenagens resultam em livros, vídeos, exposições, como foi o caso do poeta Castro Alves, homenageado em 1997, quando se comemoravam 150 anos do seu nascimento.
Em 1998, o homenageado foi o escritor Monteiro Lobato, pela passagem do 50o aniversário de sua morte. E em 1999, homenagearam-se os 150 anos do nascimento de Rui Barbosa. No ano 2000, quando se comemoraram os 500 anos do Descobrimento do Brasil, o Projeto Memória homenageou a Pedro Álvares Cabral, foi realizada uma extensa pesquisa, da qual resultou na restauração da Igreja da Graça e da Casa de Cabral, em Santarém, Portugal, na exposição Cabral, o Viajante do Rei - As Origens do Brasil, num jogo RPG (Role Playing Game), na edição de um livro de arte e uma página na Internet.
O ex-presidente Juscelino Kubitschek foi o homenageado em 2002, ano de seu centenário, quando o Projeto Memória promoveu lançamento do livro "Juscelino Kubitschek, o tocador de sonhos", realizou mostra itinerante que percorreu 300 cidades dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, exibiu vídeo documentário e distribuiu uma cartilha para estudantes e professores dos ensinos médio e fundamental.
O homenageado de 2003 foi Oswaldo Cruz, médico que revolucionou a saúde pública no Brasil na área sanitária, combatendo a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. O Projeto Memória produziu o livro fotobiográfico "Oswaldo Cruz, o médico do Brasil", além de uma exposição itinerante lançada na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, um vídeo documentário e o Almanaque Histórico.
A holding Odebrecht S.A. também instituiu o Prêmio Clarival Prado Valadares, que patrocina anualmente um projeto de pesquisa inédito que aborde tema ligado à história do Brasil, com ênfase prioritária para o Estado da Bahia. O objetivo do prêmio é "incentivar a pesquisa histórica e a produção editorial que contribua para a historiografia do Brasil, ampliando o conhecimento e a compreensão da história econômica, da evolução sócio-política e da criação artística brasileiras".
Marta Castro diz ainda que a exemplo de outras empresas do grupo, a Construtora Norberto Odebrecht negocia ações nas comunidades do Brasil e do exterior, onde está presente com suas obras, a exemplo do Programa de Prevenção à Aids implantado em agosto de 2001, em Angola, na África. Para isso, a Construtura Odebrecht destinou recursos próprios no valor de US$ 1 milhão e tem o apoio técnico da IFC -The International Finance Corporation. O programa é autorizado pelo Ministério da Saúde de Angola e atingirá umas 30 mil pessoas.
Segundo Marta Castro, a Braskem, outra empresa do grupo Odebrecht, também realiza ações de responsabilidade social onde estão as plantas das fábricas. As ações estão voltadas principalmente para a educação ambiental e para a cultura.
kicker: Investimento no social é uma prática constante em todas empresas da organização

Quando a vida não depende só de um fio
Fortaleza, 21 de Dezembro de 2004 - OProjeto Ilhas, conduzido pelo sistema Hapvida, no Ceará, atende hoje 500 crianças e adolescentes - de 5 e 15 anos, em situação de risco - do bairro Pirambu, um dos mais pobres e populosos de Fortaleza, e do município de Maracanaú, na área do distrito industrial. "O trabalho alcança indiretamente outras 1.500 pessoas", diz a diretora administrativa do projeto, Débora Messas Rovani Boni.
Do tratamento médico-odontológico à alimentação, passando por noções de higiene, atividades pedagógicas, com aulas de história e geografia sobre a região, e canto coral, música instrumental, balé e capoeir, a proposta mantém ocupados os menores a semana inteira. "Desde cedo as crianças são estimuladas a desenvolver a criatividade, montando os próprios brinquedos com material reciclável como o papelão", afirma a diretora. Para estimular a participação, o Ilhas fornece ônibus para transporte das crianças.
A empresa investe R$ 70 mil mensais nas ações do projeto. Implantado em Maracanaú em 2000 e no ano seguinte em Fortaleza, o Ilhas avançou em 2004 com o projeto de inclusão digital. Desde julho, uma sala de 12 metros quadrados, equipada com cinco computadores e um professor contratado, serve de base para a nova etapa, atendendo as crianças do bairro Pirambu. O espaço funciona em uma das unidades da empresa, no centro de Fortaleza, e abriga 40 participantes no curso de informática básica, divididos em 4 turmas de 10, cada, com aulas de segunda à quinta-feira, pela manhã e pela tarde. A nova investida contou com apoio do Comitê para Democratização da Informática (CDI), que cedeu os equipamentos.
O superintendente comercial nacional do Sistema Hapvida, Candido Pinheiro de Lima Júnior, diz que a proposta será ampliada em janeiro para Maracanaú. E pretende ainda estender o benefício aos jovens de comunidades carentes que não fazem parte do projeto.
Além do trabalho com crianças, a estratégia proposta envolve o acompanhamento dos familiares, com visitas em domicílio, palestras educacionais conduzidas por médicos, nutricionistas, dentistas, e terapeutas ocupacionais, além de capacitação artesanal para as mães, com a finalidade de aumentar a renda. O programa atende de 254 famílias e, a longo prazo, Ilhas pretende que as crianças que freqüentam o projeto concluam o ensino médio. "A partir daí, os adolescentes poderão optar por um curso técnico, profissionalizante ou ingressar na universidade", diz Débora Messas Rovani Boni.
Os planos envolvem a capacitação de 70% das mães em cursos que gerem renda e trabalho, e reduzir em 80% o número de pais analfabetos, via trabalho de parcerias nas classes de alfabetização, estruturadas pelos especialistas do projeto.
O Hapvida é um conglomerado de empresas de saúde interligadas, com atuação nacional, por meio da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abrange), e com, filiais em Manaus, Belém, São Luís, Sobral, Teresina, Fortaleza, Mossoró, Juazeiro do Norte, Campina Grande, Natal, João Pessoa, Maceió e Salvador. É a quinta maior operadora do setor no País, tem 3.300 médicos credenciados, 700 clínicas, 300 laboratórios e 350 hospitais.
Em outubro, lançou o plano "Pleno", para atender as classes AB, com cobetura total, que conta com 2.427 médicos credenciados e 350 hospitais para os associados de Fortaleza. O grupo oferece ainda os planos Hapvida e Nosso Plano, tem 315 mil associados e infra-estrutura de 5 hospitais próprios - Fortaleza, Maracanaú, Natal e Salvador -, 26 Hapclínicas - unidades de saúde com atendimento médico rápido, posto de autorização para procedimentos médicos e de coleta laboratorial, além de clínicas de diagnóstico por imagem, e unidades de serviços.
O superintendente Lima Júnior estima incremento de 10% no número de usuários, entre dezembro de 2003 e 2004. "A expectativa para o próximo ano é crescimento superior a 15%", afirma.
kicker: Projeto Ilhas resgata crianças e adolescentes que vivem em situação de risco em Fortaleza

Transparência ajuda no fortalecimento da marca
Política social da Natura rende vitórias consecutivas no mercado. O envolvimento com projetos sociais e, principalmente, ambientais, tem rendido importantes dividendos à Natura, a segunda empresa brasileira de perfumaria - R$ 1,4 bilhão de receita líquida em 2003 -, na classificação da revista Balanço Anual. Um dos fatos mais importantes ocorreu em maio deste ano, quando abriu o capital. Para colocar seus papéis na Bolsa, a empresa optou por entrar no ainda exclusivo Novo Mercado - o nicho reservado às companhias que aceitam as regras e exigências mais rígidas em termos de governança corporativa, ou seja, as que pautam-se por total transparência nas suas relações com clientes, fornecedores, mercado, etc. À oferta de ações correspondeu uma demanda dez vezes maior.
Tal sucesso não foi apenas sorte de estreante, pois, de maio para cá, as ações valorizaram em mais de 70% . Essa é uma das respostas mais positivas do mercado à política de responsabilidade social pratica de forma pioneira da Natura, acredita Rodolfo Guttilla, diretor de Assuntos Corporativos e Relações Governamentais.
No ano passado, a companhia destinou R$ 7,2 milhões a mais de 30 programas de responsabilidade social. Pelo menos dez grandes projetos concentram cerca de 60% desses recursos. O de maior repercussão é a parceria com cinco comunidades extrativistas na região Norte do País. Esse programa garante parte das necessidades de abastecimento de matérias-primas como castanha do pará, andiroba, cupuaçu, priprioca, breu branca, entre outros insumos utilizados pela Natura na transformação de óleos essenciais.
Com essa parceria, a Natura enquadra-se na Medida Provisória do governo brasileiro que regula o acesso à biodiversidade. Pela MP, produtos ou matérias-primas associados ao conhecimento tradicional não podem ser objeto de transação mercantil (compra e venda). Fornecedores devem desfrutar da "repartição do benefício", o que significa participar da receita final do produto.
Guttilla lembra que a transparência com o mercado é uma prática que a empresa adotara antes mesmo da abertura do seu capital. "O compromisso da Natura com a transparência é reconhecido pelo mercado e por importantes formadores de opinião", reitera. "Não só praticamos como nos comunicamos com transparência".
Segundo ele, a Natura é a única empresa no Brasil a seguir o modelo proposto pela Global Reporting Initiative (GRI), instituição internacional que visa desenvolver e disseminar um modelo de comunicação sobre os impactos econômicos, sociais e ambientais das atividades empresariais. Tornou-se, este ano, a primeira empresa brasileira a apoiar formalmente o GRI na condição de Organizational Stakeholder (OS), grupo composto por empresas que apoiam institucional e financeiramente a organização e ajudam a difundir as práticas e o modelo GRI.
Na opinião do diretor de Assuntos Corporativos, a Natura chega aos 35 anos, completados agora em 2004, não só como um dos maiores fabricantes de cosméticos e produtos de higiene e de perfumaria, no Brasil. Nesse período, acredita ele, consolidou também seu compromisso com a qualidade dos produtos e serviços que desenvolve, produz e comercializa, e com a qualidade das relações que mantém com seus diferentes públicos, de acordo com um modelo empresarial baseado no desenvolvimento sustentável.
Para o executivo, a busca do equilíbrio e a integração entre os aspectos econômico-financeiro, social e ambiental caracteriza a gestão de negócios da Natura e está na base do crescimento da companhia. A história da empresa descreve uma trajetória de constante expansão, expressa, em 2003, por um EBITDA de R$ 295,7 milhões, 48% acima do obtido em 2002 e o maior de sua história.
Uma pequena loja e um laboratório, inaugurados em 1969 na rua Oscar Freire, em São Paulo, deram origem a um complexo industrial cuja produção alcança perto de 140 milhões de unidades por ano, a uma força de vendas integrada por 392 mil revendedoras autônomas - as Consultoras Natura -, no Brasil e no exterior em 2003, e a um quadro de 3 mil colaboradores diretos, além de mil temporários e terceiros. No terceiro trimestre de 2004, o número de consultoras no Brasil somava 392 mil. A empresa se destaca ainda nos mercados da Argentina, Chile e Peru.
No ano passado, as linhas de produção da fábrica manufaturaram, 136 milhões de unidades de cosméticos. No momento, a Natura conta com um quadro de 2.800 colaboradores e 367 mil consultoras em todo o País.
Com tudo isso, a companhia tem colecionado algumas vitórias importantes. Por exemplo: de acordo com pesquisa divulgada em junho deste ano pela Interbrand, empresa inglesa considerada líder mundial em consultoria de marcas - pertencente ao grupo de comunicação Omnicom - o nome da Natura vale US$ 536 milhões. Tal resultado a coloca em terceiro lugar entre as 100 companhias mais valiosas do País, depois do bancos Itaú e Bradesco e à frente do Banco do Brasil - essa uma marca quase bicentenária, criada por D. João VI, e uma das mais tradicionais e lembradas do Brasil.

Quinze anos de estímulo ao respeito ao meio ambiente
Fundação O Boticário já repassou US$ 11 milhões em 950 projetos. P lantar uma árvore para cada sabonete, perfume ou xampu vendido - com essa idéia, Miguel Krigsner, fundador e presidente da fabricante de perfumaria e cosméticos O Boticário deu a partida para uma série de projetos na área de meio ambiente. Essa área ainda hoje recebe parte dos investimentos sociais da companhia. No geral, O Boticário destina 1% da receita líquida (de R$ 542 milhões em 2004, conforme previsões) para projetos sociais privados.
O objetivo inicial ficou inviável, pois significaria ocupar com árvores boa parte do território brasileiro, mas a idéia deu origem à criação da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. Hoje uma das mais respeitadas organizações ligadas ao meio ambiente que já repassou US$ 11 milhões para cerca de 950 projetos nos 15 anos de existência, a serem completados em 2005.
Com a fundação, a empresa mudou a estratégia na forma de abordar programas sociais e deixou de concentrar-se exclusivamente em projetos filantrópicos. "Ser socialmente responsável é um princípio de ética. A questão era usar recursos para atacar os problemas e não apenas os seus efeitos", diz Miguel Milano, diretor da área de responsabilidade social. Com esse foco, as ações passaram a ser organizadas em três divisões: Incentivo e Conservação à Natureza, Educação e Mobilização, e Áreas Naturais Protegidas.
O objetivo dessa última é instalar e incentivar a criação de reservas particulares de patrimônio natural, como a de Salto Morato, que contempla 2.340 hectares no município de Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná. Localizada na Mata Atlântica, a área foi considerada Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco.
Para 2005, segundo Milano, a previsão é adquirir uma área no cerrado para a criação de mais uma reserva. A longo prazo, o projeto contempla, a criação de áreas de preservação na caatinga, no pantanal e na floresta amazônica. "O grande desafio é fazer um trabalho emergencial de longo prazo. Vivemos em uma época de muita destruição ambiental, inclusive com alguns retrocessos. Hoje se dá muita ênfase para a questão da pobreza e da fome, o que é essencial. Mas se não nos preocuparmos com a questão ambiental, mataremos a fome, mas morreremos de sede", observa Milano.
Outra novidade é a ampliação do projeto Estação Natureza, espaço educacional criado para exposições que mostram a biodi-versidade brasileira, voltada principalmente para estudantes. O programa, que funciona desde 2001 no shopping Estação, localizado em um prédio restaurado da antiga rede ferroviária em Curitiba, recebe a visita de 35 mil estudantes por ano, a maior parte deles de escolas públicas. Em 2005, entra em operação o Estação Natureza Pantanal, cujas obras começam nesta semana e demandarão recursos de R$ 1,5 milhão.
A exemplo da estação de Curitiba, a unidade Pantanal, localizada em Corumbá (MS), funcionará em prédio histórico, que está sendo revitalizado, construído em 1908, integrante do conjunto arquitetônico Porto Geral. Dessa empreitada participam a Companhia Vale do Rio Doce (Urucum Mineração) e a Transportadora Brasileira do Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), esta última responsável pela aquisição do imóvel, fechado desde 1987.
Do 1% da receita líquida destinada pelo O Boticário a projetos sociais privados, 80% são dirigidos à Fundação e 20% ficam para os programas nas áreas cultural e social, reunidos recentemente em um instituto, que tem atuação em Curitiba e região metropolitana. Sob esse guarda-chuva estão, dentre outros, os programas de treinamento de funcionários, capacitação profissional de pessoas da comunidade e de voluntariado.
Ainda que o objetivo imediato das ações não seja o de vender mais perfumes ou cosméticos, os investimentos ambientais têm rendido bons frutos ao grupo, que emprega diretamente 1,5 mil funcionários. Os R$ 540 milhões previstos em receitas para 2004 na indústria e R$ 1,8 bilhão na rede de lojas, representam crescimento de 20% sobre o apurado em 2003. O desempenho supera a média do setor de higiene e beleza, que deve encerrar o ano com aumento de 18% e receitas de R$ 12,8 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). "Não dá para dimensionar o peso das ações no desempenho de vendas e muito menos as ações sociais estão pautadas em ganhos de ordem econômica. Mas em condições iguais de qualidade e preço, o consumidor brasileiro tem um histórico de premiar as empresas que tem um comprometimento maior com áreas sociais", diz Milano.
O executivo, que faz questão de dizer que a responsabilidade social vai além dos projetos sociais privados - abrangendo todas relações com funcionários, fornecedores, governo, além do respeito às legislações trabalhistas, tributárias e a questões éticas - orgulha-se do fato de que boa parte da rede (70%) da marca ter aderido de alguma forma a causas sociais. "Hoje mais da metade dos franqueados fazem doações voluntárias mensais para a Fundação O Boticário". A rede é composta por 2.272 lojas no Brasil, das quais 40 são próprias e 2.232 franqueadas.

Na fiação de uma rede transformadora
D epois de completar dez anos dedicados a projetos para "formação integral da criança e do adolescente em situação de risco pessoal e social, e com um milhão de pessoas atendidas anualmente", a Fundação Orsa, criada em 1994 pelo empresário Sérgio Amoroso, presidente do Grupo Orsa, trabalha agora para desenvolver um modelo que equilibre o negócio, o social e o meio ambiente, e contribua para retirar as populações menos favorecidas da linha de pobreza.
Mas para isso, diz Sérgio Amoroso, é preciso mudar o modelo econômico controlado pelas elites do País e, portanto, segregador. Segundo ele, a política de responsabilidade social adotada pelas empresas é importante, inclusive porque seus projetos tornam-se referências para as políticas públicas, mas ainda assim são insuficientes para resolver os graves problemas sociais brasileiros, pois são gerados por um modelo econômico equivocado.
Com capital 100% nacional, o grupo Orsa é um dos maiores conglomerados de celulose, papel para embalagens, chapas e embalagens de papelão do Brasil. Controla as holdings Saga Investimentos e Participações S.A. e Grupo Orsa Participações S.A., as empresas Orsa Celulose Papel e Embalagens, Jari Celulose e Orsa Florestal. Na clas-sificação da revista Balanço Anual é o 206o grupo, entre os 300 maiores do País, com patrimônio líquido de R$ 173,5 milhões e receita líquida de R$ 508,2 milhões em 2003. A Fundação Orsa recebe anualmente 1% do faturamento bruto de todas as empresas do grupo. "Sem compensação fiscal", ressalta Amoroso.
Nos últimos dez anos, as contribuições financeiras das empresas do grupo Orsa para a fundação somaram R$ 52 milhões, que financiaram 70 projetos. O primeiro deles, o Programa de Inclusão Social e Construção da Cidadania começou em Campinas (SP), em 1994, com 80 crianças e adolescentes de sete a 17 anos. A experiência repetiu-se em Carapicuíba, Suzano, Nova Campinas e na capital paulista, em São Paulo; em Almeirim, Planalto e Monte Dourado, no Pará e em Vitória do Jarí e Laranjal do Jari, no Amapá. Com a meta de incentivar a convivência familiar, a cidadania e a autonomia dos jovens, o programa já atendeu 1,6 milhão de pessoas e trabalha com oficinas lúdicas e educativas, nas quais formaram-se a banda Bate Lata, do grupo folclórico Magia de Tupã e os grupos culturais Swing Sucata e Cia Batucaê.
Na seqüência de realizações, a fundação iniciou, em 1998, o Programa de Formação de Profissionais de Educação Infantil, que já preparou 1.595 educadores em São Paulo, Amapá, Bahia e Alagoas. Na mesma linha, inaugurou, em 2001, o Programa de Gestão Pedagógica para a Infância, destinado a promover o desenvolvimento integral de crianças na faixa de zero aos seis anos de idade. Já foram atendidas 996 mil crianças nos Centros de Educação Infantil (CEI) de Caraguatatuba e Barueri, interior de São Paulo, e em Vitória do Jarí, Amapá.
A atuação na área de saúde começou com o Programa de Promoção à Nutrição Infantil (Projeto Bandeira), de 1996, que agora cobre 17 municípios da região sudoeste do Estado de São Paulo e no Vale do Jari, Amapá, onde foram atendidas 158.170 crianças. Em 2000 foi criado o Programa de Disseminação de Atenção Humanizada ao Recém-nascido de Baixo Peso - Método Mãe Canguru, em 490 maternidades brasileiras e com 3.398 profissionais capacitados. Depois veio o Programa Saúde Bucal, em 2002, do qual já se beneficiaram 8.104 crianças e adolescentes.
Neste ano, a fundação lançou, em São Paulo, o espaço lúdico Quimioteca no hospital do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc). "Para resgatar a auto estima e o direito da criança e do adolescente com câncer a tratamento adequado e digno", diz Amoroso. "O objetivo é atender 28.800 pacientes ao ano".
A fundação conta atualmente com 766 profissionais trabalhando em seus projetos. O trabalho começa com a elaboração de um diagnóstico e mobilização da comunidade e voluntários, seguidos de desenvolvimento e instalação. Depois de os resultados serem avaliados criticamente, são definidos modelos para serem testados, aprovados, e finalmente disseminados pelas "sementeiras".
"Um modelo de ação testado e aprovado, termina servindo não só pela fundação, mas também para outras organizações do setor privado e do setor público", conclui Amoroso. "Assim, criamos, influenciamos e melhoramos políticas públicas. Não cabe ao Terceiro Setor substituir o papel do Estado, mas o de somar, para junto com governos, universidades e iniciativa privada, ter uma rede capaz de transformar o social do País".

No meio da Amazônia, um modelo ideal
N ascido em Birigui, interior de São Paulo, Sérgio Amoroso começou suas andanças na indústria aos 25 anos, em 1974, ao fundar a Artevinco. De pequena fábrica de caixas de papel a empresa evoluiu para a terceira maior empresa brasileira entre os fabricantes integrados de papel para embalagens, chapas e embalagens de papelão ondulado. Vitorioso nos negócios, o empresário faz ato de fé no Brasil como potência mundial.
"Temos talentos, recursos e oportunidades, mas os graves problemas sociais e a falta de um programa voltado para o desenvolvimento sustentável das populações de baixa renda nos mantém na incômoda e aparentemente eterna situação de país do futuro. Só que não há futuro sem planejamento", reclama. "Os governos têm se preocupado com ações imediatistas e assistencialistas, talvez porque o próprio mandato estabeleça certo 'período de validade' para que as ações possam dar certo".
A solução, ele vê na adoção de uma visão mais pragmática, de médio e longo prazos, que estabeleça modelos completos, com o envolvimento da iniciativa privada, organizações não-governamentais e comunidade, "capazes de criar políticas públicas de geração de emprego que tanto foram prometidas".
Há modelos prontos. Por exemplo, um projeto de uma fábrica de fécula de mandioca do Grupo Orsa na Amazônia, em área onde várias comunidades ribeirinhas vivem em situação de risco social e pessoal. Ali, a soma da vocação "nata" das pessoas para o extrativismo à tradição no cultivo de mandioca. O projeto apenas visa a organizar a comunidade em cooperativas que se tornem fornecedores regulares. "Sem cair no assistencialismo e pagando preço justo pela matéria-prima, o rendimento familiar médio pode girar em torno de R$ 900 mensais, valor muito considerável para a realidade econômica da região", garante o empresário.
Em casos como esse seria desejável intervenção oficial. Como na criação de legislação que proíba a cultura da mandioca em áreas não degradadas "fundamental em um País sem cultura de preservação ambiental" e a oferta de subsídios para o plantio de forma a viabilizar o negócio e a competitividade dos produtores.
O poder público pode mesmo criar mercado, se fizer com que pães e massas fabricados no País incluam um percentual de fécula de mandioca - como ocorre na mistura álcool-gasolina. Tal medida ajudaria ainda a diminuir em parte a dependência brasileira do trigo e abriria chances de tornar o Brasil um grande exportador de fécula e outros derivados da cultura da mandioca, afirma o empresário.
Em paralelo à geração de emprego e renda, Amoroso lembra ser preciso também "atuar fortemente com projetos que eliminem os entraves sociais que afligem essas comunidades, a exemplo da violência e falta de saneamento básico, saúde e educação". Ele diz que não tem nada contra o programa Bolsa Família. "Mas se ficarmos apenas nisso e no Fome Zero, perpetuaremos o assistencialismo e a cultura de comodismo e dependência, que acaba por contaminar toda a sociedade. Num primeiro momento o assistencialismo é necessário, mas devem ser estabelecidos limites e contrapartidas, além de um verdadeiro envolvimento da sociedade, para propor, criticar, debater, cobrar resultados e criar uma verdadeira rede de parcerias", conclui presidente do grupo Orsa.

Busca de desafios em comunidades carentes
D ona de algumas das marcas mais conhecidas no País, como Arisco, Omo e Kibon, a Unilever manterá seus investimentos em programas sociais no mesmo patamar de 2004, quando aproveitou as comemorações pelo 75o aniversário de atuação no Brasil para anunciar que dobraria os recursos aplicados nessa área.
Segundo a programação para 2005, a companhia destinar R$ 13 milhões a projetos de desenvolvimento sustentável e comunitários nos Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco, onde estão localizadas as 15 fábricas do grupo.
Além de participar do programa Fome Zero, a multinacional mantém 18 projetos nessa área, beneficiando diretamente cerca de 200 mil pessoas por meio de programas de inclusão social voltados para a profissionalização, desenvolvimento educacional e infantil, preservação do Meio Ambiente, entre outros.
Uma nova investida está prevista para o ano que vem, em Pernambuco, que abriga cinco fábricas da companhia. "Será o nosso carro-chefe", diz Elaine Molina, gerente de Responsabilidade Social da Unilever. O novo projeto ainda não tem nome, mas os recursos a ele destinado já foram definidos: US$ 1 milhão, que serão aplicados ao longo de três anos em programas na pequena cidade de Araçoiaba, interior de Pernambuco.
Esse município ostenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) razoável, de 0,637, o que o coloca na categoria de "desenvolvimento médio", segundo os critérios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), embora abaixo da média do estado de Pernambuco (0,705) e da brasileira (0,766). No ranking brasileiro é o 65o colocado entre as 185 cidades pernambucanas e 3.983o no cotejo de todos os 5.507 municípios brasileiros existentes no ano do mais recente levantamento, 2000.
Ocorre que, dos 17 mil habitantes do lugar, 12 mil, vive em um bolsão de miséria, esclarece Elaine. É essa maioria de araçoiabenses o alvo da campanha.
Em Pernambuco, a companhia já implantou o programa Primeiro Emprego, cujo objetivo é desenvolver o jovem sem experiência no mercado de trabalho, incluindo-o, posteriormente, no quadro de funcionários das fábricas de Igarassu, Paulista, Abreu e Lima, Olinda e Recife. Elaine Molina reconhece a dificuldade de mensurar os resultados de uma política de responsabilidade social dentro da empresa. O retorno, nesse caso, é basicamente o reconhecimento dos funcionários e das comunidades beneficiadas diretamente.
"Uma atuação socialmente responsável é fundamental para o relacionamento e reconhecimento entre os diferentes públicos com os quais a Unilever interage: consumidores, acionistas, funcionários, fornecedores e prestadores de serviços", acrescenta Maria Claudia Souza, diretora-adjunta de Assuntos Corporativos da Unilever.
"Faz parte da missão corporativa e dos princípios da Unilever identificar e buscar parcerias com o governo nos inúmeros países em que atua. No Brasil, estamos ao lado do principal programa do atual governo", afirma Maria Cláudia.
Em 2003, a Unilever recebeu o certificado de Empresa Parceria do Programa Fome Zero e teve cinco projetos sociais certificados. Um ano antes, em 2002, o comprometimento com ações socialmente responsáveis foi reforçado com a criação do Instituto Unilever, associação civil sem fins lucrativos, de caráter assistencial e educativo, que incentiva e apóia ações sociais da companhia, tanto as corporativas quanto as de marcas. Foram investidos R$ 3,5 milhões para criação do Instituto.
A Unilever opera atualmente em mais de 150 países, nos quais somou um faturamento mundial, em 2002, de US$ 56 bilhões. Nesse resultado, a divisão brasileira participou com R$ 7,3 bilhões. No País desde 1929, a empresa entra nos lares nacionais com as marcas OMO, Dove, Lux, Lipton, Hellmann´s, Kibon, Arisco e Knorr Cica. Emprega um total de 14 mil funcionários distribuídos em três divisões operacionais: Higiene e Beleza, Alimentos e Sorvetes.

Setor dá 1,5 milhão de empregos
Salários são superiores, na média, aos dos demais brasileiros
O Terceiro setor já é um grande empregador no País, conforme revelou pesquisa, com dados do ano de 2002, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) e Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), em parceria com a Associação Brasileira de Organizações não governamentais (Abong) e com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE).
São mais de 1,5 milhão de pessoas, assalariadas ou remuneradas, que servem em 274,4 mil instituições privadas e sem fins lucrativos, cuja folha de pagamento soma mais de R$ 17,5 bilhões.
É uma folha formidável, superior em 30% à massa salarial brasileira daquele ano, enquanto que o número de trabalhadores representava 8,5%. Esclareça-se que os números não são comparáveis e servem apenas para dar uma dimensão do Terceiro Setor. A massa salarial é a soma dos ganhos apenas daqueles que são contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), isto é, quem tem registro em carteira profissional... num tempo em que o volume de trabalho informal ou terceirizado empata com o formal. Da mesma forma, o salário médio do Terceiro Setor não se identifica com a mera divisão do bolo pelo 1,5 milhão de trabalhadores. Tal conta daria um rendimento percapita superior a R$ 11,5 mil anuais. Mesmo assim, o salário do Terceiro Setor é mais compensador que o da média dos brasileiros Nas contas do IBGE/IPEA, equivale a 4,5 salários mínimos, contra 4,3 SM dos demais.

GM, 21/12/2004, Relátorio Gazeta Mercantil, Responsabilidade Social, p. 1-2, 7-8

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