OESP, Economia, p. B17
19 de Fev de 2010
Prioridade para o carro elétrico
San Francisco quer que imóveis tenham fiação para recarga
Suzanne Goldenberg
The Guardian
A cidade de San Francisco, na Califórnia, adotou códigos de construção que exigem que as novas casas e escritórios tenham fiação para a recarga de carros elétricos, numa tentativa de se posicionar como a capital do carro "verde" dos Estados Unidos. A medida ocorre antes dos lançamentos, planejados para este ano, do Nissan Leaf e do Chevy Volt, que prometem percursos de 64 quilômetros (40 milhas) ou mais com uma única carga de bateria e estão sendo oferecidos a famílias de classe média.
No próximo mês, as autoridades locais lançarão um esquema de empréstimo para estimular proprietários de casas a instalarem seus próprios postos de carregamento. "Quem quiser colocar um posto de carga elétrica em sua casa, em antecipação a todos esses veículos elétricos, pode fazê-lo por esse programa de financiamento verde", disse o prefeito de San Francisco, Gavin Newsom. Ele comprou o seu próprio carro elétrico há uma década, e postos de recarga de carros foram instalados ao lado da Prefeitura no ano passado.
A medida consolida ainda mais a reputação da Califórnia como o Estado mais ecológico dos EUA. Nos últimos 30 anos, ela liderou o país, estabelecendo limites para emissões de veículos e impondo normas de eficiência mais altas para casas e eletrodomésticos.
Poucos preveem uma adoção generalizada de carros elétricos por americanos - ao menos no futuro imediato. Mas o lançamento de veículos elétricos também estimula ideias em outras cidades, como Houston, San Diego e Portland, cidades que, se imagina, devem liderar a demanda da nova tecnologia.
Planejadores urbanos e empresas de energia também começam a fazer preparativos, com postos de carregamento elétrico e planejamento de contingência para o caso de a envelhecida rede de distribuição elétrica ficar sobrecarregada.
"Conversei com executivos do setor de energia que temem o que ocorrerá mesmo quando passarmos de mil veículos", disse Terry Tamminen, que assessora o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, em questões de energia e meio ambiente. "Não se pode confiar que as pessoas só recarregarão seus carros à noite e descarregarão durante o dia."
A principal fornecedora de eletricidade de San Francisco, a Pacific Gas & Electric, está traçando os mapas de bairros sob risco de sobrecarga ou blecautes quando motoristas começarem a plugar seus carros. Pode demorar oito horas para recarregar um carro usando a rede elétrica normal, enquanto nos postos específicos isso só tomaria uma fração desse tempo.
O planejamento futuro nessas cidades vai na contramão das evidências que se acumulam em Washington de que os esforços do presidente Barack Obama para uma economia americana "verde" estão rateando. Há algum ceticismo também sobre a capacidade de Obama de cumprir suas promessas de colocar 1 milhão de veículos elétricos na rua até 2015. A despeito de Washington, porém, algumas cidades e Estados americanos estão avançando. O presidente da Nissan, Carlos Ghosn, previu que em 2020 até 10% das vendas serão de carros elétricos.
A maioria desses novos carros deve ficar concentrada em algumas cidades para facilitar o suprimento de revendedoras e centros de manutenção, e motoristas do norte da Califórnia já demonstraram um gosto pelos carros ecológicos.
Um de cada cinco carros vendidos na região de Berkeley é um Toyota Prius. Na ponta de luxo, a Tesla Motors, fabricante de carros elétricos esportivos de US$ 100 mil, vendeu 150 modelos na região de San Francisco. Hoje, San Jose reserva vagas de estacionamento para veículos elétricos e grandes empregadores já estão instalando postos de recarga em locais de trabalho.
OESP, 19/02/2010, Economia, p. B17
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