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Autor: Clarissa Bacellar
10 de Fev de 2015
Após minuciosa avaliação da fauna brasileira, no final de 2014 foram definidas as novas Listas Nacionais de Espécies Ameaçadas de Extinção no Brasil e 170 espécies saíram do status de risco de extinção. Para obter o resultado das novas listas, foram necessários cinco anos de trabalho, e reunidas pesquisas e estudos de diversos profissionais brasileiros e estrangeiros que trabalham diretamente com a fauna nacional. O levantamento é do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela avaliação do estado de conservação das espécies da fauna brasileira.
De acordo com a coordenadora substituta da Coordenação Geral de Manejo para Conservação (DIBIO/ICMBio), Rosana Subirá, esta é a primeira vez que uma grande variedade das espécies de vertebrados e algumas de invertebrados são reunidas nas listas. A soma chega à 12.255 espécies avaliadas, onde 1.173 (Portarias MMA no 444/2014 e no 445/2014) encontram-se ameaçadas de risco de extinção. "A amostragem anterior somava apenas cerca de 600 espécies, em 2002. Com o número maior de animais, o resultado mudou muito", disse ao Portal Amazônia.
Nesta nova contagem, 170 espécies saíram da lista de ameaçadas, como o primata de cabeça avermelhada conhecido com uacari, uacari-branco ou bicó (Cacajao calvus calvus), encontrado próximo ao rio Solimões, na Amazônia. "Diversos animais saíram da lista porque passamos a conhecê-los melhor, com estudos, pesquisas e ampliação da região estudada. Na verdade foram as informações sobre eles que melhoraram", afirmou.
Para Rosana, a ajuda na conservação e proteção desses animais também se deve aos trabalhos de conservação de ONGs, proprietários de áreas preservadas, fazendeiros e da população. "Conseguiram aumentar o esforço interno para conter a caçar e perceberam o potencial turístico que os animais traziam", comentou.
Sobre as espécies da Amazônia, no entanto, Rosana alerta: "A Amazônia está relativamente bem protegida, mas existem algumas regiões como o 'Arco do Desmatamento', no Pará, que são de grande risco para aves e outros animais que vivem nesses ambientes".
Arco do Desmatamento - Região onde a fronteira agrícola avança em direção à floresta e também onde encontram-se os maiores índices de desmatamento da Amazônia. São 500 mil km² de terras que vão do leste e sul do Pará em direção oeste, passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre. (Fonte: Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia - IPAM)
Símbolo de Manaus em perigo
Outra grande preocupação lembrada por Rosana é sobre a condição do primata símbolo de Manaus, o Sauim-de-coleira (Saguinus bicolor). "O Sauim-de-coleira é uma das espécies em piores condições, classificado como criticamente em perigo, a mais alta da lista. Protegê-los, acredito, é uma responsabilidade de todos os cidadãos manauaras, não apenas dos que estão se esforçando para salvá-lo", afirmou.
De acordo com a lista, o primata "possui distribuição restrita, compreendida entre os rios Cuieras e Urubu, no estado do Amazonas. Devido ao efeito do desmatamento, competição com Saguinus midas e expansão urbana, tendo uma perda mínima de hábitat de 80%, estima-se uma redução de pelo menos 80% da população em três gerações desde 1997. Portanto, sendo categorizada como Criticamente Em Perigo (CR) sob o critério de A4ace".
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