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Preso acusado por morte de líder no PA

OESP, Nacional, p. A7
06 de Fev de 2006

Preso acusado por morte de líder no PA
Vereador teria contratado pistoleiro que deu cinco tiros em sem-terra

Carlos Mendes

O vereador de Itupiranga Paulo Rosa da Silva (PFL) e seu filho, Paulo Silva Júnior, foram presos ontem por policiais civis de Marabá. Eles são acusados de mandar matar Domingos Santos da Silva, o Domingão, líder de agricultores sem-terra que haviam invadido a Fazenda Mineiro, em Itupiranga, no sul do Pará. Domingão foi morto em novembro, atingido na frente de sua casa por cinco tiros disparados à queima-roupa.
O autor do crime, de acordo com a Polícia Civil, é um pistoleiro, mas seu nome é mantido sob sigilo para não prejudicar as investigações em andamento. Ele está foragido e a Justiça já decretou mandado de prisão preventiva. A única informação divulgada sobre o pistoleiro é que mora em Goiânia.
Policial militar reformado, Domingão era ligado à Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura (Fetagri). A entidade pressiona para que o crime seja esclarecido logo e discorda do resultado das primeiras investigações da polícia, que apontam para uma suposta vinculação entre o líder sem-terra e os responsáveis por seu assassinato.
O delegado André Albuquerque contou que a prisão de pai e filho foi decretada pela Justiça de Itupiranga na sexta-feira. Os dois andavam por uma rua da cidade no momento em que receberam voz de prisão dos policiais civis. Eles foram levados para o Presídio Estadual Mariano Antunes, em Marabá. Paulo Rosa da Silva está respondendo a outro processo por homicídio, mas o julgamento ainda não foi marcado.
HIPÓTESES
A polícia trabalha com duas hipóteses para o assassinato de Domingão. A primeira seria a disputa pela posse da Fazenda Mineiro. O vereador tinha interesse na propriedade, que pertence ao pecuarista Aurélio Anastácio de Oliveira. O delegado Albuquerque apurou que mesmo depois da reintegração de posse, autorizada pela Justiça em julho passado, os sem-terra continuavam no local, o que provocava conflitos com funcionários da fazenda.
O outro motivo para o crime, segundo a polícia, seria queima de arquivo. O líder dos sem-terra já teria trabalhado para os acusados como pistoleiro. A Fetagri, porém, garante que Domingão nunca foi pistoleiro.

OESP, 06/02/2006, Nacional, p. A7

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