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Presidente da Sabesp admite que água pode acabar em novembro

O Globo, País, p. 14
16 de Out de 2014

Presidente da Sabesp admite que água pode acabar em novembro
ANA acusa estatal paulista de descumprir decisão judicial sobre Cantareira

A presidente da Sabesp, Dilma Pena, admitiu que a água do Sistema Cantareira na capital paulista pode acabar em meados de novembro, caso não chova. -SÃO PAULO E BRASÍLIA- A presidente da Sabesp, Dilma Pena, admitiu ontem, em depoimento à CPI da Câmara Municipal de São Paulo que investiga o contrato da prefeitura com a estatal, que a água na capital paulista pode acabar em meados de novembro, caso não chova. Dilma Pena voltou a culpar o clima, dessa vez o calor, pelo aumento do consumo de água nos últimos dias. A temperatura em São Paulo começou a subir somente esta semana.
- Temos uma disponibilidade suficiente para atender a população nesse regime de chuvas até meados de novembro - afirmou Dilma Pena, que negou durante o depoimento que haja racionamento na cidade.
A presidente da estatal disse que a Sabesp está realizando obras para a utilização da segunda parte do chamado volume morto do Sistema Cantareira. Ontem, a reserva técnica do manancial, que abastece 6,5 milhões de pessoas na região metropolitana, chegou a 4,3%.
Aos vereadores paulistanos, Dilma Pena assumiu a responsabilidade pela atual crise de abastecimento, dividindo-a com o governo e a população:
- Este problema eu divido com a diretoria colegiada da Sabesp, com os nossos superintendentes, que estão trabalhando de 12 a 18 horas ininterruptas por dia, com o governo de administração, com o governo do estado e com a sociedade paulista.
Para Dilma Pena, a decisão liminar da semana passada da Justiça Federal proibindo a utilização da segunda reserva do manancial - exceto se estudos técnicos comprovarem ser impossível o cumprimento da ordem judicial - não é problema para o governo paulista.
O promotor de Justiça José Eduardo Ismael Lutti, do Ministério Público Estadual, também em depoimento na CPI, disse que as ações adotadas pela Sabesp não são suficientes para garantir o abastecimento de água.
- O que fica claro, depois de ouvir declarações de funcionários, é que a Sabesp não planeja o bastante para garantir a segurança hídrica em qualquer tipo de cenário, a não ser acreditando que as chuvas virão normalmente - disse Lutti.
RETIRADA ALÉM DA COTA PERMITIDA
A Agência Nacional de Águas ( ANA) acusou a Sabesp de estar descumprindo a determinação da agência e uma medida judicial ao retirar água além da cota de 777 metros no Rio Atibainha, do Sistema Cantareira. Segundo vistoria da régua de medição feita pela ANA, terça-feira, o nível da água naquele rio estava em 776,62 metros, abaixo do piso em 38 centímetros, portanto.
O bombeamento de água abaixo da cota de 777 metros significa que a Sabesp já estaria usando a segunda parte do volume morto do sistema Cantareira, para o qual pediu autorização de uso da ANA apenas na sexta-feira. Segundo a ANA, os dados do sistema da Sabesp estão diferentes daqueles verificados em campo.
Ontem, o presidente da ANA, Vicente Andreu, enviou ofício ao Departamento de Águas e Energia Elétrica do estado de São Paulo (DAEE), solicitando que "adote as providências cabíveis, em caráter de urgência, devido à rigorosa estiagem que ocorre na região".
Em ofício enviado ao DAEE na sextafeira, a Sabesp informava que "manutenções imprevistas no sistema" ocasionaram um deplecionamento além do esperado no Atibainha.

O Globo, 16/10/2014, País, p. 14

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