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Preservação e progresso

CB, Opinião, p. 20
Autor: GARCIA, João Cláudio
22 de Mar de 2006

Preservação e progresso

Histórias nebulosas sobre a Amazônia sempre permearam o imaginário brasileiro. Livros escolares norte-americanos que apresentam a região como um "protetorado" internacional e laboratórios internacionais que atuam na floresta e dali extraem matérias-primas sem qualquer controle são apenas alguns exemplos difíceis de se comprovar. Certo mesmo é que países onde a biodiversidade já atingiu nível precário estão pressionando cada vez mais o Brasil a preservar os recursos naturais. A fama de sermos o pulmão do mundo se espalha e reacende o debate: qual é nossa parcela de responsabilidade pelo futuro do planeta?

Ninguém é mais responsável que ninguém.Temos a Amazônia, mas não poluímos tanto quanto Estados Unidos ou Rússia. Nossa responsabilidade é de manter as riquezas que ainda temos, enquanto em outras nações o estrago já está feito. Nesta semana, as Nações Unidas revelaram que apenas uma das 15 metas de defesa da biodiversidade apresentou progressos. O objetivo de proteger 10% de cada região que tenha combinações únicas de espécies continua distante.

A idéia de preservação é mais latente entre os países europeus, tomados por um sentimento ecologicamente correto - talvez uma compensação tardia pelo impacto da Revolução Industrial sobre o meio ambiente. Chamou atenção a iniciativa do milionário Johan Eliasch, publicada no jornal The Sunday Times. Executivo-chefe da marca de artigos esportivos Head, ele comprou por US$ 14 milhões 162 mil hectares de uma madeireira na Amazônia, com o objetivo de proteger a vida selvagem. Eliasch, que trabalha em Londres e tem uma fortuna estimada em US$ 623 milhões, faz campanha para outras pessoas e empresas seguirem o exemplo, incentivando a "colonização verde". Segundo ele, com essa estratégia seria possível adquirir a floresta brasileira por cerca de US$ 50 bilhões.

O governo brasileiro está acostumado a receber críticas e ameaças nesse sentido, sem se impressionar. É preciso, claro, fazer o dever de casa. No entanto, a preservação não deve se transformar em obstáculo ao crescimento. Quando se trata de desenvolvimento sustentável, estamos entre os mais avançados do mundo. Portanto, em vez de apenas ouvir queixas, temos de dar lições e cobrá-las.

CB, Opinião, 22/03/2006, p. 20

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