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Prédios são desafio para reduzir o consumo

OESP, Cidades, p. C1
11 de Mar de 2004

Prédios são desafio para reduzir o consumo
Em São Paulo, os 6 milhões de moradores de apartamentos não têm medidores individuais

Mauro Mug

O maior desafio a ser enfrentado pelo Programa de Incentivo à Redução do Consumo de Água, divulgado ontem pelo governo do Estado, é convencer os quase 6 milhões de moradores de apartamentos de São Paulo a economizar. Como os prédios só têm um hidrômetro para medir o consumo dos condôminos, todos os moradores precisam colaborar para que haja redução significativa no gasto.
A meta do governo é reduzir o consumo em 20%. "Se conseguirmos essa redução e chover pelos menos 75% das médias históricas no período de seca, não haverá racionamento durante o outono e o inverno", prometeu o presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dalmo Nogueira.
"Não dá para gastar água sem limite por pensar que o vizinho vai fazer isso.
É necessário que todos colaborem", destacou o vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Sindicato da Habitação (Secovi), Hubert Gebara.
"O ideal seria que todos os apartamentos tivessem medidores individuais, assim cada morador poderia policiar seu consumo, como podem fazer as pessoas que residem em casas", explicou a engenheira Josiane Marcelino, da Hubert Administradora de Condomínios.
São Paulo tem um total de 2.805.700 ligações residenciais, incluindo as dos prédios, e 4.361.600 unidades de consumo. "É uma dificuldade que as administradoras vão ter de enfrentar", ressaltou Gebara. "Elas vão tentar estimular os moradores a usarem racionalmente a água."
Nesse sentido, o Secovi vai orientar as administradoras de condomínio a enviarem uma circular estimulando seus condôminos a colaborarem, pois, se não fizerem isso, não será possível atingir a meta solicitada pelo governo.
"O programa possui aspectos social e financeiro que não podem ser ignorados pelos moradores", disse Gebara. "Precisamos economizar já, para evitar o racionamento no abastecimento, que não traz benefícios a ninguém."
Problema - O secretário estadual de Recursos Hídricos, Mauro Arce, disse não saber o que os condomínios podem fazer para economizar. "Esse é mais um problema que caberá ao síndico resolver", afirmou.
O programa prevê que todos os clientes da Sabesp que atingirem uma redução de 20% em suas médias de consumo de água recebam um prêmio de 20% de desconto no valor final da conta (Veja ilustração). A partir de 15 de abril, os consumidores começarão a receber a conta com o desconto. O benefício vai até outubro, quando acaba o período de estiagem.
O impacto da medida no faturamento da empresa representará uma queda de R$ 17,5 milhões por mês. "Se fizéssemos o racionamento, perderíamos uma receita de R$ 52 milhões mensais, além de ter de gastar R$ 4 milhões na operação do rodízio", disse Nogueira.

Alckmin vai a barragem para anunciar plano
Governador visitou a maior represa do Sistema Cantareira e pediu cooperação

Às margens da Barragem Jaguari - Jacareí, na região de Bragança Paulista, o governador Geraldo Alckmin anunciou ontem o programa de redução de consumo da água. O lugar não poderia ser melhor. A represa, que é a maior do Sistema Cantareira, vem apresentando um dos menores índices de armazenamento de todos os seus 30 anos. Ontem, tinha apenas 4,1% da capacidade. No início do ano, chegou a operar com nível negativo.
Na viagem de retorno a São Paulo, o governador pode ver, do helicóptero, por que as chuvas são escassas na região. Enquanto sobre a barragem o céu se apresentava azul e sol forte, no horizonte, sobre São Paulo, podiam se ver as nuvens negras, riscadas pelos raios. E a partir de Mairiporã choveu intensamente. Em Bragança, nenhuma gota.
"Se todos colaborarem, a cidade e a região metropolitana ficarão livres do racionamento", prometeu Alckmin. "Do Sistema Cantareira são retirados 31 metros cúbicos por segundo, quantidade que pode ser reduzida para 25 metros cúbicos se a população cooperar na economia de 20%."
O governador disse estar otimista com a campanha. "Em São Paulo, o consumo de água está em torno de 180 litros por dia, por pessoa. A Organização Mundial da Saúde recomenda 100 litros por dia."
O governador anunciou ainda obras para transferir o abastecimento de 215 mil pessoas atualmente feito pelo Alto Cotia para o Sistema Guarapiranga - um manancial com maior capacidade de armazenamento que o Cotia. As obras serão iniciadas em abril e concluídas em agosto, ao custo de R$ 19 milhões. (M.M.)

OESP, 11/03/2004, Cidades, C1

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