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Preços da borracha sobem 16% no ano

GM, Agribusiness, p. B10
19 de Dez de 2003

Preços da borracha sobem 16% no ano
Cultivo da seringueira proporciona renda líquida entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por hectare ao produtor.

O segmento de borracha vive seus melhores dias no Brasil. Desde 1997 a produção de látex não remunera tão bem quanto nos dias atuais. Os preços praticados no mercado, de R$ 1,40 por quilo de coagulo pagos ao produtor, são 16,6% superiores aos registrados em igual período do ano passado.

"Os preços da borracha estão em bons patamares e desde 1997 o setor não vive um momento tão promissor. As cotações no entanto ainda têm espaço para um incremento da ordem de 10%", diz Wanderley Santana, presidente da Associação Paulista dos Produtores de Borracha (Apabor).

No estado de São Paulo a produção de látex já atinge cerca de 45 mil toneladas por ano, o equivalente à metade da oferta brasileira. Após longo período de crise, que durou cinco anos e se arrastou entre 1997 e 2001, a produção de látex se tornou um excelente negócio no mercado interno.

Com a alta dos preços internacionais da borracha, verificada a partir de 2002, o mercado seringueiro ganhou "status" e se tornou uma das atividades agrícolas que melhor remuneraram o produtor em 2002 e em 2003. Atualmente a extração de borracha proporciona renda líquida entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por hectare, segundo representantes do mercado.

Os bons preços pagos ao produtor estão incentivando o aumento do plantio em São Paulo, que há dois anos mantém a posição de maior produtor do Brasil. "A oferta de mudas deste ano, no volume de 2 milhões unidades, foi insuficiente para atender à demanda", diz. Isso porque além da expansão por parte de quem já conhece a atividade, novos produtores estão surgindo. "É gente que trabalha com gado, cana-de-açúcar ou soja e está entrando na atividade", diz. No próximo ano a produção de mudas dobrará, para 4 milhões de unidades.

Ciclo produtivo

Para analistas, os altos lucros justificam o aumento da demanda, mas o caminho que leva à alta rentabilidade, entretanto, é longo. O investimento até a árvore começar a produzir, o que leva cerca de oito anos, chega a R$ 5 mil por hectare. São 18 meses para a formação da muda, mais 7 anos até que a árvore se desenvolva a ponto de iniciar a produção de látex (forma líquida) e coágulo (forma sólida da borracha). Entre o sétimo e o décimo ano de vida, a seringueira apresentará produção considerada pequena que crescerá gradualmente. Somente a partir do décimo primeiro ano de vida é que a árvore, já em fase adulta, vai estabilizar a produção em altos níveis.

Com manejo adequado, uma única árvore pode produzir por mais de trinta anos, com produtividade de 7 quilos de borracha por ano. Por este motivo, produtores paulistas que há uma década iniciaram a produção de maneira tímida não escondem os investimentos agressivos no aumento da área de cultivo. "A demanda cresce mais rápido que a produção", afirma Santana. No Brasil os 2000 mil produtores espalhados em diversas regiões respondem por pouco mais de um terço do consumo do País, estimado em 250 mil toneladas de borracha por ano. Para 2004 as estimativas são de crescimento de 6% da produção, para algo em torno de 96 mil toneladas. "Aos poucos o setor cresce."

Crise mundial

Entre 1997 e 2002 o crescimento da produção no sudeste da Ásia, que tinha custos baixíssimos em razão do excesso de mão-de-obra local, derrubou os preços mundiais, que despencaram para R$ 0,30 o quilo de coágulo. Com isso, produtores brasileiros solicitaram ao governo federal a implantação de uma política de preços mínimos, de R$ 2,58 o quilo de coágulo, que ainda vigora, mas pouco usada atualmente.

O aumento da demanda mundial - impulsionada pelas compras dos Estados Unidos, que consomem hoje 4,3 milhões de toneladas por ano; da China, que compra 4,8 milhões de toneladas; da Europa, que adquire 3,5 milhões; e do Japão, com 2,6 milhões de toneladas - contribuiu para elevar os preços mundiais.

O Brasil está longe de pertencer ao ranking dos maiores produtores, mas se esforça para fazer frente à demanda interna: 85% do consumo interno se refere ao consumo da indústria pneumática, e os outros 15% são destinados às indústrias de sapatos e de produtos de higiene (luvas cirúrgicas e preservativos).

GM, 19-21/12/2003, Agribusiness, p. B 10

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