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Preço do carbono tem de saltar para cumprir acordo do clima, diz estudo

Valor Econômico - http://www.valor.com.br/internacional
Autor: CHIARETTI, Daniela
29 de Mai de 2017

Preço do carbono tem de saltar para cumprir acordo do clima,diz estudo

Daniela Chiaretti

SÃO PAULO - Um grupo mundial de economistas coordenado pelo americano Joseph Stiglitz e pelo britânico Nicholas Stern estimou que, para cumprir os compromissos do Acordo do Clima de Paris o preço da tonelada de carbono deveria estar entre US$ 40 a US$ 80 em 2020 e US$ 50 a US$ 100 em 2030, segundo estudo do Banco Mundial divulgado nesta segunda-feira em Berlim, na Alemanha.
Trata-se de estabelecer uma forte política de preços para o carbono, que estimule, com incentivos, as tecnologias limpas e as energias renováveis.
Atualmente, 87% das emissões globais de gases-estufa não são taxadas e nem têm preço de carbono negociado nos mercados de créditos de carbono. Dos 13% restantes, apenas 8% das emissões globais registram preços acima de US$ 10 a tonelada de CO2 equivalente (medida que equipara ao gás carbônico todos os outros gases do efeito estufa).
O preço das emissões de carbono atingiu seu auge entre 2008 e 2012, quando a tonelada de CO2 equivalente era comercializada a cerca de 15 euros no mercado de créditos de carbono europeu.
"O ponto central do relatório é este: com o preço de US$ 10 a tonelada de CO2 não se dá um sinal efetivo para os agentes econômicos cumprirem as metas do Acordo de Paris", diz o único brasileiro do grupo de 13 economistas, o professor Emilio Lèbre la Rovere, titular do programa de planejamento energético da Coppe-UFRJ, a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Cumprir o Acordo de Paris, no caso, seria manter o aquecimento global em 2oC neste século, fazendo esforços para que fique em 1,5oC.
Para o consumidor brasileiro, se a tonelada de CO2 custasse hoje US$ 40, isto significaria um aumento de 20 centavos no preço do litro da gasolina. "Não levará ninguém à bancarrota", diz la Rovere. No caso do litro de óleo diesel significaria um aumento de 32 centavos, e de R$ 5,00 no botijão de gás de 13 quilos.
O relatório do Banco Mundial sugere uma política de neutralidade fiscal no caso de se dar preço ao carbono e taxar a emissão de gases-estufa. "Em vez de o governo ficar com este dinheiro, poderia reduzir outros impostos, por exemplo", indica o economista. "O governo pode dar uma espécie de bolsa-carbono para proteger consumidores de baixa renda, que seriam compensados pela despesa adicional. Desta forma, a medida não terá o efeito de deprimir a economia", segue la Rovere. "Evita o impacto negativo da medida no PIB."
O relatório é o resultado das pesquisas de uma comissão de Alto Nível criada em 2016, durante a conferência do clima de Marrakesh, pela então ministra francesa do Meio Ambiente Ségolène Royal.
As metas de precificação sugeridas pelo grupo devem ser ajustadas às condições de cada país. A tonelada de carbono a US$ 40 tem um peso nos Estados Unidos e outro bem diferente na Índia.
A comissão de economistas aponta em seu relatório que uma política de preços para o carbono é peça chave para reduzir as emissões de efeito-estufa e incentivar a economia de baixo carbono direcionando investimentos, produção e consumo.

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