OESP, Negocios, p.B16
11 de Fev de 2005
Preço da soja já está 43% menor
Em Sorriso (MT), valor da saca está abaixo de R$ 20, e não há perspectiva de alta no médio prazo
João Baumer
Enquanto o Brasil praticamente parava durante os festejos do carnaval, os preços da soja continuavam em deterioração. Durante os feriados, o preço da saca em Sorriso, na região do médio-norte de Mato Grosso, perdeu o patamar de R$ 20,00. Na Quarta-Feira de Cinzas, não havia comprador com indicação de preço acima de R$ 19,80 na região. É consenso no mercado que não há perspectiva de alta para o produto - pelo menos no curto ou no médio prazos.
O preço atual praticado em Sorriso é 43% inferior ao pago pela saca de soja na primeira semana de fevereiro do ano passado. A baixa é praticamente a mesma em relação a 2003. O preço, contudo, ainda é superior à média histórica para a região, até 2002, antes da bolha que inflou os preços da soja em todo o mundo. A diferença é que os custos de produção também aumentaram desde então e o produtor mato-grossense não tem conseguido pagar sua lavoura com a venda da mercadoria pelos preços vigentes.
Pressão
A pressão sobre os preços mantém a comercialização da soja lenta, ao mesmo tempo que a colheita avança tanto na Região Centro-Oeste como no interior do Estado do Paraná. "O produtor está tendo prejuízo, mas reluta em vender, na expectativa de que algum milagre aconteça", resumiu um corretor de Cuiabá.
A consultoria Céleres informa que 30% da produção nacional prevista para este verão tinha sido comercializada até o dia 4, em comparação com os 54% registrados na mesma data do ano passado e aos 43% na média de cinco anos para o período.
A lentidão na comercialização é mais acentuada nas praças da Região Centro-Oeste, que são também mais sensíveis à pressão dos fretes. Como a colheita ainda é inicial, em baixo volume, tal pressão ainda não se manifestou.
Mas os consultores da Céleres alertam que os fretes tendem a reduzir ainda mais o preço da soja ao produtor, bem como a capacidade insuficiente de armazenagem. Quanto mais longe está a lavoura da indústria ou dos portos, maior o desconto aplicado ao preço em razão do frete.
OESP, 11/02/2005, p. B16
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