O Globo, Amanhã, p. 9
14 de Ago de 2012
Precificação da natureza
Nem parceria público-privada nem privatização. Fotógrafos de meio ambiente acusam governo de querer transformá-los em sócios compulsórios
RAFAELLA JAVOSKI
rafaella.javoski@oglobo.com.br
O preço ainda não foi fixado, mas a decisão já foi tomada. O Ministério do Meio Ambiente, por meio de um de seus órgãos, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), decidiu cobrar pelas fotos clicadas nas 312 unidades de conservação espalhadas por todo o país. A decisão está prestes a completar um ano - em setembro próximo -, mas a portaria, que colocaria a medida em vigor, já foi suspensa por duas vezes. Indignados com a medida, profissionais de renome internacional especializados em imagens da natureza promovem, dia 19, leilão para protestar a favor da liberdade de expressão e pelo fortalecimento do mercado de artes visuais. A data não é aleatória: domingo é o Dia Internacional da Fotografia.
Procurados, técnicos do ICMBio explicaram que o uso das imagens gratuitamente está autorizado apenas para fins jornalísticos, educativos ou científicos. A cobrança, dizem, vai incidir sobre imagens que venham a ter uso comercial, seja em publicidade ou divulgação de agências de turismo. Enquanto o próprio governo não se entende sobre o valor a ser cobrado, os profissionais da fotografia se uniram para promover a exposição "Antes que a natureza acabe", que reúne 27 imagens de natureza. Essas fotos irão à venda e o dinheiro arrecadado será usado para viabilizar a ida dos profissionais a Brasília. O leilão vai ocorrer na Trilharte, escola de fotografia de meio ambiente com sede no Rio.
- No Jardim Botânico não há cobrança e por isso noivos, debutantes e gestantes são fotografados lá. Isso gera identificação da sociedade com o parque - diz o presidente da Associação dos Fotógrafos da Natureza (AFNatura), Gustavo Pedro, admitindo que aprova parte do texto que solicita o pedido de autorização para a presença de fotógrafos em áreas que não estão abertas ao público ou em caso da necessidade de horários especiais.
Entre os fotógrafos que estão participando da exposição estão profissionais reconhecidos internacionalmente, como Luiz Claudio Marigo, um dos pioneiros da fotografia de natureza no país; além de Zig Koch e João Quental, que têm nas aves sua principal fonte de inspiração; Maurício Simonetti, dono de um arquivo com cerca de 30 mil imagens que documentam a história, a cultura e a paisagem do Brasil, e também Roberto Murta, que já registrou imagens dos principais ecossistemas brasileiros e costuma colaborar em projetos de pesquisa e conservação realizados por universidades.
O Globo, 14/08/2012, Amanhã, p. 9
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