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Povos tradicionais monitoram biodiversidade

www.emtempo.com.br
Autor: Renan Albuquerque
29 de ago de 2007

Os moradores tradicionais das unidades estaduais de conservação (UCs) do Amazonas, os quais residem em áreas enquadradas tanto na categoria de Proteção Integral (3,94 milhões de hectares) quanto de Uso Sustentável (12,54 milhões de hectares), estão sendo integrados a planos de monitoramento da biodiversidade.

Com apoio do projeto Corredores Ecológicos, da Moore Foundation e do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), a partir de financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), o governo começou a efetivar o Programa de Monitoramento em Unidades de Conservação Estaduais (Probuc).

A proposta visa fortalecer o etnoconhecimento dos povos que moram em UCs e fazer com que o saber seja compartilhado e auxilie nas políticas públicas de conservação ambiental. A meta do projeto também é utilizar os conhecimentos históricos que foram desenvolvidos ao longo de décadas e são oriundos de hábitos psicossociais das populações tradicionais que residem nas UCs do Estado para incentivar a conservação dos ecossistemas.

O Probuc visa estabelecer um sistema de monitoramento que permita aos gestores das UCs compreender o status da biodiversidade, de que forma ela está sendo aproveitada ou ameaçada, ressalta Thaís Kasecker, mestre em biologia e membro do setor de Projetos Especiais da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), que coordena o Probuc.

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, localizada no município de Carauari (a 782 km de Manaus), foi a primeira a receber investimentos do projeto. No local, 21 comunitários, moradores da UC, foram avaliados a partir da atividade de monitoramento da biodiversidade. Eles finalizaram recentemente uma oficina técnica para mensurar a efetividade do sistema de monitoramento.

Conforme Thaís, o resultado foi positivo porque se tornou possível, a partir da experiência pioneira dos comunitários da RDS Uacari, realizar ajustes no processo de monitoramento. Tiveram apenas pequenos reajustes logísticos, como por exemplo o uso de canoa para colher dados e melhorar a descrição de informações sobre a bioviversidade, explicou Thais.
Grande parte do sucesso do Probuc é a apropriação dos seus resultados pelos comunitários residentes nas unidades de conservação, através dos monitores de biodiversidade, líderes comunitários e representantes dos conselhos gestores e do associativismo locais, valorizando efetivamente o etnoconhecimento, complementou a bióloga.

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