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Autor: João Paulo de Lima
31 de Jan de 2026
As ações criminosas geraram fumaça tóxica, prejuízos materiais e riscos à saúde, além de incêndios que forçaram famílias a abandonarem suas casas. O RN, em pleno governo petista de Fátima Bezerra segue sendo o único estado do país sem terras indígenas demarcadas, escancarando o racismo endêmico das elites brasileiras e a violência histórica contra os povos originários.
Segundo o MPF (Ministério Público Federal), que denunciou o agrônomo à Justiça Federal como o responsável pelos desmatamentos e queimadas, as fazendas São Geraldo e Talismã têm operado sem licença válida, conforme comunicação do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA/RN). A denúncia também aponta a omissão do agrônomo, que deixou de registrar a existência de áreas de preservação no Cadastro Ambiental Rural (CAR), tendo promovido desmatamentos não autorizados de vegetação em área de Reserva Legal.
De acordo com a ação penal, o agrônomo vem promovendo desmatamentos e queimadas frequentes para o cultivo de cana-de-açúcar sem as devidas licenças ambientais e descumprindo normas legais.
Pelo o que pudemos descobrir à partir de um texto publicado em site do MPF, é possível realizar a consulta da Ação Penal no 0002642-76.2026.4.05.8400 no site da Justiça Federal da 5ª Região, onde se mostra que o réu responde pelo nome de João Eduardo Alpes de Souza, e que, de acordo com o site CNPJ BIZ, é um empresário que realiza o cultivo de cana-de-açúcar, serviços de pulverização e controle de pragas agrícolas, bem como de preparação de terreno, cultivo e colheita.
Segundo osite Econodata, João Eduardo Alpes de Souza (Razão Social da empresa) é a 3ª maior empresa de agricultura do Rio Grande do Norte em faturamento, escancarando como o agronegócio, enquanto setor que lucra e enriquece às custas da concentração de terras, da fome e do encarecimento dos alimentos necessitados pela classe trabalhadora e povo pobre, conseqüentemente são também que também mais atacam os povos originários, indígenas e suas terras legítimas, ao mesmo tempo destruindo o meio-ambiente e afetando todo o equilíbrio climático global.
Os ataques não se restringem aos Tapuia-Tarairiú. O povo Potiguara Katu, na APA Piquiri-Una, sofre com retirada ilegal de madeira, monocultura da cana e perseguições intensificadas em meio à luta pela demarcação. Recentemente, placas que sinalizam o território indígena foram removidas, numa tentativa de apagamento e de abrir caminho para novas invasões. Exigimos a imediata reinstalação das placas e a responsabilização dos envolvidos!
Esses ataques se conectam a uma ofensiva nacional contra os povos originários e os trabalhadores. No Pará, indígenas do Tapajós ocupam instalações da Cargill contra o decreto do governo Lula que ameaça privatizar rios amazônicos em favor do agronegócio. Ao mesmo tempo, servidores municipais de Belém da educação, saúde e setor administrativo seguem em greve unificada contra o "pacote de maldades" do prefeito Igor Normando (MDB), denunciando o desmonte dos serviços públicos, a privatização e a retirada de direitos. Todo apoio à essa greve legítima, que mostra o caminho da luta dos trabalhadores e povos originários!
A unidade entre a luta indígena e a luta da classe trabalhadora aponta um caminho estratégico contra o capital, o agronegócio e os governos que os servem. Toda solidariedade aos povos indígenas do RN, do Tapajós e aos servidores em greve em Belém. Pela demarcação imediata de todas as terras indígenas, contra o desmatamento, as queimadas e a privatização dos bens comuns.
Os territórios indígenas não estão à venda!
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