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Povos indígenas do Vale do Javari se reúnem para discutir Levantamentos Ambientais Participativos

CTI- http://www.trabalhoindigenista.org.br
05 de set de 2014

Representantes dos povos indígenas Marubo, Matis, Mayoruna e Kanamari e de suas organizações, se reuniram entre os dias 25 e 27 de agosto no município de Atalaia do Norte (AM) para discutir a gestão territorial e ambiental da Terra Indígena Vale do Javari e definir ações prioritárias. As discussões tiveram como base os Levantamentos Ambientais Participativos realizados entre os anos de 2008 e 2013 pelo Centro de Trabalho Indigenista (CTI) junto a esses povos indígenas.

Durante três dias eles discutiram questões relacionadas à sua agrobiodiversidade, os atuais desafios para a gestão de recursos naturais e a ameaças a seus territórios. A expansão da atividade petrolífera na região, que afeta o sul da TI Vale do Javari, na divisa com o Acre e também na fronteira com o Peru, foi outro ponto bastante abordado.

A Organização das Aldeias Marubo do Rio Ituí (OAMI) apresentou as experiências de manejo de quelônios (tracajás e tartarugas) e o estudo de ecologia reprodutiva a partir do monitoramento das desovas no alto e médio Ituí, realizado em 2013 em parceria com o CTI. A Organização Geral dos Mayuruna (OGM) falou sobre a articulação com os Matsés residentes no Peru para garantir a integridade de seu território na região de fronteira, com ênfase na luta contra a exploração petrolífera. A Associação Kanamari do Vale do Javari (AKAVAJA) e a Associação Indígena Matis (AIMA) ressaltaram a necessidade de fortalecimento cultural e das formas tradicionais de transmissão de conhecimentos diante das mudanças contemporâneas no modo de vida dos povos indígenas do Vale do Javari.

De modo geral, as apresentações convergiram para a definição de estratégias conjuntas para a gestão territorial frente às questões ambientais, culturais e políticas enfrentadas por estes povos atualmente.

"Os nawa destróem, derrubam tudo. Não deixam a terra esfriar. Se nós ficamos fixos num lugar, sem mudar os roçados e deixar as capoeiras crescerem, a terra fica quente. Mas tem que deixar a terra esfriar, por isso nós mudamos. O futuro, como vai ficar se destruir a terra? Onde vamos ficar?", pergunta a liderança indígena Benedito Marubo.

Deste encontro resultou um Documento Final, contendo um plano básico de ação a ser executado em seus territórios e entorno, com o apoio do CTI e FUNAI.

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