Amazonas em Tempo-Manaus-AM
Autor: Patrícia Almeida
08 de Mai de 2002
Pulverização de produtos químicos em plantações colombianas por aviões norte-americanos, assassinato de líderes indígenas na guerra do narcotráfico, invasões arbitrárias de áreas indígenas demarcadas para a exploração ilegal de minerais e madeira são algumas denúncias que despontaram ontem no primeiro dia da reunião anual da Aliança Amazônica. O encontro promovido junto com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), no auditório do Hotel Mônaco, estende-se até o dia 10 de abril, reunindo representantes indígenas dos países amazônicos e de Ongs dos Estados Unidos e países da América Latina.
A reunião pretende apresentar soluções para os principais problemas dos povos indígenas e tradicionais da Bacia Amazônica. Segundo o co-diretor da Aliança, David Rothschild, uma das questões polêmicas é a pulverização com substâncias químicas, por aviões dos Estados Unidos, em áreas da Colômbia, para destruir plantações de coca. "A verdade é que grande parte dessa química atinge plantações dos colonos, o que prejudica sua alimentação diária", afirma Rothschild.
Ele destaca que os colombianos têm alternativas menos agressivas para destruir as plantações. "Eles têm projeto para acabar com a coca através de métodos naturais, que não prejudicam as plantações familiares", argumenta.
A construção do gasoduto de Urucu, no município de Coari, também preocupa os ambientalistas, que prevêem impactos irreversíveis para fauna, flora e populações nativas. "Temos experiências anteriores de estradas que foram abertas no meio da mata, e as terríveis conseqüências para a biodiversidade. Defendemos métodos menos agressivos", diz.
As conquistas alcançadas foram historiadas por Rothschild, que destacou a aprovação de uma lei no Congresso americano que restringe a compra de produtos químicos que não passaram por estudos prévios. "Essa lei foi votada na semana passada, sua aprovação representa um avanço", considera.
Ele avalia que nos últimos dez anos percebem-se mudanças positivas no comportamento da sociedade e governo no apoio às causas indígenas. "Estamos mais organizados, mais presentes na política. O movimento indígena é uma das últimas fronteiras dos direitos humanos. Ainda existe muita discriminação, não só da sociedade mas também no modelo de desenvolvimento. Os povos indígenas têm muitos direitos, mas precisam ser postos em prática", afirma.
A COIAB é a entidade anfitriã do encontro. Ela reúne 75 organizações, representando 165 povos da Amazônia Legal, num total de mais de 200 mil indígenas, o que equivale a 60% do total da população indígena do país.
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