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Povos da floresta de todo o mundo criam aliança

OESP, Vida, p. A38
05 de abr de 2008

Povos da floresta de todo o mundo criam aliança

Michelle Portela

Lideranças de povos da floresta de todo o mundo lançaram em Manaus (AM) ontem uma aliança internacional para influenciar as discussões globais sobre clima, desmatamento e mecanismos de redução de emissão de gases do efeito estufa. O objetivo da iniciativa é facilitar o acesso ao chamado "mercado verde".

A Aliança Internacional dos Povos da Floresta foi discutida durante toda a semana por participantes de um workshop realizado pela Aliança dos Povos da Floresta. A entidade reúne, há 20 anos, representantes de indígenas, extrativistas e ribeirinhos.

De acordo com o presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Manoel da Cunha, a aliança internacional terá os mesmos moldes que a experiência amazônica, também funcionando como rede de troca de experiências.

"Precisamos de um fórum transnacional para a troca de experiências entre as populações florestais de todo o mundo, tornando as demandas mais densas e ampliando a chance de virem a ser coletivas", afirmou Cunha.

ACESSO A RECURSOS

A expectativa é de que o movimento, coletivo e organizado, facilite o acesso aos recursos provenientes do mercado verde, que deverá sistematizar os mecanismos de redução de emissões do desmatamento e da degradação (REDD) previstos no Protocolo de Kyoto. Tais mecanismos deverão ser criados por meio da Convenção do Clima da Organização das Nações Unidas.

A medida de compensação é uma estratégia dos povos da floresta na luta pelos direitos que consideram básicos, como à terra e aos recursos naturais e para assegurar pleno respeito aos seus modos de vida tradicionais.

"Experiências, como a criação das terras indígenas e das reservas extrativistas, podem ser compartilhadas com os povos dos outros países da aliança, sempre com base na luta por direitos", explicou Adilson Vieira, secretário-geral do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA).

UNÂNIME

A proposta de criação da aliança foi aprovada por unanimidade entre os representantes dos 11 países - Brasil, Equador, Colômbia, Costa Rica, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Nicarágua, Venezuela, Suriname e Panamá - que participaram do workshop, encerrado ontem com a assinatura da Declaração de Manaus.

Os delegados contaram com o apoio de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) e de representantes de organizações não-governamentais (ONGs) do Brasil, da Inglaterra e dos Estados Unidos, que também participaram do evento.

OESP, 05/04/2008, Vida, p. A38

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