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Pós-Copenhague: esforços redobrados

CB, Opinião, p. 25
Autor: MILIBAND, Ed
04 de Fev de 2010

Pós-Copenhague: esforços redobrados

Ed Miliband
Ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido

Acordar uma solução abrangente para as mudanças climáticas não é uma tarefa fácil. Almejamos algo que nenhuma geração jamais fez: reduzir permanentemente as emissões de gases de efeito estufa. Isso não é importante apenas para o nosso futuro, é importante agora. Os efeitos das mudanças climáticas já podem ser vistos em todos os continentes. Há sinais de um número maior de secas afetando a produção de alimentos e de aumento no nível dos mares devido ao derretimento das geleiras e o aquecimento dos oceanos. No Brasil, o aumento das temperaturas pode secar a bacia Amazônica, causando uma redução nas chuvas que sustentam as regiões agrícolas do país.

Por isso, a Conferência para Mudanças Climáticas da ONU, em Copenhague, foi tão importante. Pela primeira vez, todos os países do mundo se uniram em busca de uma oportunidade para todos - países desenvolvidos e em desenvolvimento - concordarmos em agir.

É verdade que a Conferência não chegou ao acordo abrangente que nós e outros países, como o Brasil, esperávamos. Precisamos redobrar nossos esforços para assegurarmos um acordo juridicamente vinculante, que nos forneça toda a segurança que precisamos e preencha as lacunas deixadas por Copenhague.

Copenhague, no entanto, representa importante avanço que não deve ser menosprezado. Houve progressos significativos quanto à redução de emissões, à verificação e ao financiamento. Pela primeira vez, os principais países em desenvolvimento, bem como os países desenvolvidos, chegaram a um acordo voltado para as emissões. E uma parte importante do acordo determinou que as ações de combate às mudanças climáticas de cada país fossem publicamente registradas até o dia 31 de janeiro. O acordo endossa as recomendações científicas de que devemos evitar aumento de mais de 2oC na temperatura.

Também pela primeira vez, houve acordo quanto a um processo internacional de monitoração, acompanhamento e verificação.

Em todos os países, progressos em relação aos compromissos assumidos estarão sujeitos a um processo de consulta e análise internacional.

O progresso financeiro refletido no acordo vai auxiliar as populações nos países em desenvolvimento. Começando em 2010, com um prazo de três anos, até US$ 30 bilhões serão destinados para assistência imediata. A longo prazo, o acordo estabelece planos para ajuda financeira de até US$ 100 bilhões e já ativou uma força tarefa para identificar fontes sustentáveis de financiamento.

Esse é apenas o começo. O mundo precisa avançar ainda mais. Tanto que nas próximas semanas e meses, o Reino Unido buscará ampliar, fortalecer e aprofundar o acordo.

Queremos ampliá-lo, aumentando o número de países a se alinhar com o acordo. Queremos aprofundá-lo, garantindo que tenhamos máxima ambição com as ofertas de cortes de emissões. Para a Europa, isso significa, se considerarmos que outros países também tenham metas altas, aumentar nosso comprometimento de 20% para 30% de redução nas emissões até 2020, em comparação com os índices de 1990. E queremos fortalecê-lo, retomando as negociações para um acordo juridicamente vinculante.

Porém, a solução para nossos problemas climáticos não será resolvida por acordos internacionais por si só. Ela passa pela ação tomada por todo e qualquer governo. E devemos insistir nesse sentido. No Reino Unido, não nos desviaremos de nosso plano para cortar nossas emissões em 34% até 2020, em comparação com os índices de 1990. Estamos fazendo isso não apenas porque é o certo para o meio ambiente, mas também para nossa economia e segurança energética.

As indústrias de baixo carbono do futuro serão essenciais para o crescimento econômico. Portanto, seguiremos em frente com nossos planos para tecnologia de carvão limpo, nova energia nuclear e aumento significativo no uso de energia renovável. Continuaremos a ajudar o povo britânico a desperdiçar menos energia, bem como incentivaremos meios de transporte menos poluentes, como carros elétricos.

Embora a Cúpula de Copenhague não tenha alcançado a solução abrangente que a maior parte de nós almejava, não devemos permitir que a frustração com essas duas semanas obscureça a mudança histórica ocorrida no último ano. Há agora uma tendência irreversível para o baixo carbono. O trabalho para acordarmos uma solução começou, continuará neste ano e deverá ser bem-sucedido.

CB, 04/02/2010, Opinião, p. 25

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