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Porto privado mais caro do País, no Espírito Santo, está travado no Ibama

OESP, Negócios, p. B9
26 de Jul de 2014

Porto privado mais caro do País, no Espírito Santo, está travado no Ibama
Projeto, que tem como sócios a estatal holandesa Porta de Roterdã e o grupo brasileira Polimix, teve estudos ambientais reprovados pelo instituto; com investimentos de R$ 5 bilhões, obras estavam previstas para começar no início de 2015

André Borges - O Estado de S. Paulo

O mais ambicioso projeto portuário do País travou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O Porto Central de Presidente Kennedy (ES), que prevê investimentos de R$ 5 bilhões no litoral capixaba, aguardava um sinal verde do instituto para a emissão da licença prévia ambiental, mas teve seus estudos reprovados pela equipe de técnicos do Ibama.
Na prática, o relatório entregue pelos investidores terá de ser quase todo refeito, por cometer dezenas de falhas e apresentar itens classificados como superficiais. Ao todo, mais de 40 pedidos de revisão e detalhamento de informações foram feitos pela equipe técnica na conclusão do parecer.
O revés ambiental atrasa ainda mais os planos de um grupo de empresários de logística do Espírito Santo, que conseguiu atrair para o negócio uma sociedade inédita com o Porto de Roterdã, companhia que pertence ao governo holandês e que é reconhecida como uma das principais operadoras portuárias do mundo.

Dúvidas. Na avaliação do Ibama, itens básicos do relatório precisam de esclarecimentos, como a "titularidade da área do empreendimento e as possíveis desapropriações necessárias para sua implantação", ou seja, falta dizer exatamente que área será usada para as instalações e quem são os donos da terra.
A lista de pedidos também inclui a necessidade de detalhar qual o alcance da infraestrutura do porto, suas rotas de acesso e operação. "O estudo também conclui pelo 'custo-benefício amplamente favorável' do projeto. No entanto, esta equipe técnica entende que tal afirmação não pode ser realizada, uma vez que não foi elaborado estudo específico sobre o custo-benefício do empreendimento", afirmam os analistas.
A equipe ambiental conclui que o material, "tal como apresentado, impede uma análise adequada do estudo, bem como a manifestação quanto à viabilidade ambiental do empreendimento Porto Central".
O plano dos investidores capixabas é que a estatal holandesa Porto de Roterdã entre no negócio com uma fatia de 30% do empreendimento. Os outros 70% ficarão com a TPK Logística, empresa do Espírito Santo controlada pelo grupo Polimix, que atua no mercado de concreto.

Cronograma. A previsão era obter a licença prévia do projeto neste mês, para buscar, até janeiro de 2015, a licença de instalação - documento que libera o início efetivo das obras. O imbróglio ambiental, no entanto, pode frustrar o cronograma.
O presidente do Porto Central, José Maria Novaes, minimizou os impactos da reprovação dos estudos e disse que um novo relatório já está em fase de conclusão. "Acabamos de receber esse parecer do Ibama e estamos analisando. Já vínhamos trabalhando na maior parte das solicitações que nos fizeram. Acredito que podemos apresentar um novo estudo em até 15 dias", comentou.
A questão é saber quanto tempo será necessário para que o novo relatório seja avaliado. O aval do Ibama para elaboração dos estudos de impacto ambiental foi liberado em março de 2012 para o Porto Central. Em agosto de 2013, após a conclusão dos estudos, o Ibama recebeu o pedido da licença prévia, que só agora teve seu parecer concluído. A expectativa dos investidores do projeto é que, nesta segunda análise, o processo seja acelerado.
O projeto do Porto Central prevê a construção de 30 terminais de uso privado. A meta é começar a operar em 2017, com movimentação inicial de 50 milhões de toneladas por ano, podendo chegar a 150 milhões de toneladas anuais em 2022.
A principal vocação do porto seria o escoamento do petróleo extraído do pré-sal e pós-sal das bacias de Campos (RJ) e do Espírito Santo (ES), localizadas a cerca de 200 quilômetros do complexo.

OESP, 26/07/2014, Negócios, p. B9

http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,projeto-do-porto-priva…

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