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Autor: Karla Mendes
28 de Abr de 2010
No que depender das construtoras que integram o consórcio Norte Energia, vencedor do leilão para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), não haverá espaço para as gigantes Camargo Corrêa e Odebrecht, que desistiram de participar do processo de licitação, nem para a Andrade Gutierrez, líder do grupo perdedor da concorrência. O presidente do grupo Jmalucelli, Joel Malucelli, e um alto executivo da Mendes Júnior afirmaram ao Correio que as empreiteiras campeãs têm plenas condições de erguer o empreendimento, estimado em US$ 19 bilhões, sem o auxílio das maiores companhias do setor. "Não vejo a possibilidade (de acionar as outras empresas). Não faz sentido e não há necessidade de fazer isso", ressaltou Malucelli.
Segundo as normas da competição, elas têm direito de executar as obras que colocarão de pé a terceira maior hidrelétrica do mundo. "A regra é essa. Nós temos a preferência", enfatizou o executivo da Mendes Júnior. Como o empreendimento é muito grande, pode até ser feita alguma parceria no futuro, mas o comando e o "filé" vão ficar a cargo das empresas vencedoras, garantiu João Francisco Bittencourt, diretor da construtora Jmalucelli e da Jmalucelli Energia. "Nós ganhamos o leilão, depositamos as garantias e temos de ter uma participação grande na construção. Não vamos ficar com uma pequena parte e deixar a maior parte para outras empresas", enfatizou.
Apesar das movimentações da Andrade Gutierrez, da Camargo Corrêa e da Odebrecht para angariar vultosos contratos no canteiro de obras de Belo Monte, o pleito dificilmente será aprovado pelo consórcio vencedor. Diante desse cenário, só mesmo uma forte pressão política poderia reverter o quadro em prol das três companhias. Interessados em participar do negócio como investidores não faltam. Uma fonte que acompanha as conversas de perto disse ao Correio que Petros e Funcef - fundos de pensão dos funcionários da Petrobras e da Caixa, respectivamente - bem como CSN, Gerdau e Brasken têm procurado o grupo vencedor.
"Tem empresa até que já enviou carta de intenções", revelou. Não há abertura, contudo, para a entrada de novas construtoras no bloco de investidores, pois a composição do consórcio já está acima do previsto no edital. A investida agora, é por autoprodutores de energia, como as duas siderúrgicas e o conglomerado petroquímico.
Pressa O consórcio vencedor tem pressa para equacionar os trâmites legais na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e antecipar o cronograma da obra, previsto para ter início no segundo semestre. A entrega da documentação, por exemplo, precisa ser feita até 10 de maio, mas vai ocorrer uma semana antes. "Já contratamos uma empresa para continuar o processo de licenciamento. A ideia é fazer toda a antecipação que for possível e assinar o contrato para começarmos as obras em novembro", destacou Bittencourt.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, a antecipação do cronograma é possível e traria vantagens financeiras, como o início da venda da energia no mercado livre antes do prazo fixado em contrato. Ele falou sobre o assédio das companhias que perderam o leilão ao governo. "A construtora tem que fazer contato é com o grupo vencedor. Não é um empreendimento estatal. É privado", disse.
A Jmalucelli quer iniciar a obra logo para usar o equipamento da construção da usina de Mauá (PR), com capacidade de 360 megawatts, que será concluída neste ano. O executivo da Mendes Júnior destacou a experiência da empresa nos maiores empreendimentos hidrelétricos do país. "Somos um dos precursores na construção de hidrelétricas. Nós fizemos Itaipu e as grandes usinas do país. Estamos presentes em cerca de 80% do parque instalado", ressaltou Malucelli.
NOVAS DISPUTAS » O governo vai licitar, até julho, duas usinas hidrelétricas na região da Amazônia, que complementarão a energia gerada por Belo Monte. Segundo o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, o leilão será para a construção de duas geradoras no Rio Parnaíba. Outras cinco já têm a licença prévia: Garibaldi (SC), Colida, no Rio Teles Pires , e duas no Amapá (Santo Antônio do Jaribe e Ferreira Gomes). "Essas são as usinas que devem ir (a leilão) primeiro", afirmou. Num segundo momento, haverá uma outra concorrência pública para mais uma usina no Amapá, três no Rio Parnaíba e outra no Teles Pires. O objetivo é construir 13 hidrelétricas, que gerarão 4.640 megawatts. O governo também licitará 14.529 megawatts de energia renovável, que serão usados como fonte alternativa à geração hidráulica para segurança do abastecimento. (KM)
O número R$ 19 bilhões Custo estimado do empreendimento
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/04/28/economia…
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