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Por semana, 500 kg de lixo saem do lago do Ibirapuera

OESP, Metrópole, p. C12
30 de Out de 2009

Por semana, 500 kg de lixo saem do lago do Ibirapuera
Dupla responsável por recolher a sujeira já encontrou saco com seringas e até bicicleta velha; parque é o único que limpa as águas todo os dias

Cristiane Bomfim
Jornal da Tarde

Todos os dias, às 6h30, José da Silva Galdino, de 38 anos, e Luiz Antônio Carvalho de Oliveira, de 47, vestem galochas, põem luvas de plástico e entram em um pequeno barco de alumínio. Por oito horas, eles remam pelo lago do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. O objetivo é recolher o lixo que boia nas águas. Tem de tudo: garrafas pet, copos de plástico, embalagens de salgadinho, bitucas de cigarro, papel.

Por semana, são retirados 50 sacos plásticos de 100 litros repletos de lixo - que somam 500 quilos. "Tem tanta lixeira espalhada pelo parque e o povo insiste em jogar no chão. Acham que só porque tem quem limpe podem fazer uma imundície", relata Galdino. O parque tem 1 mil lixeiras e mais de 140 pessoas responsáveis por manutenção, conservação e limpeza. Na maioria das vezes, o que sobrou do piquenique ou do lanche da tarde é esquecido no gramado. "E o vento leva para o lago." Em dias de chuva, o lixo aumenta. Ele vem carregado pelo Córrego do Sapateiro, que deságua no lago.

No trajeto de barco, os rastelos têm outra função, além de recolher lixo - são usados para remar. "É mais prático." Galdino e Oliveira já têm experiência no assunto - estão há 8 e 7 anos, respectivamente, no serviço - e desenvolveram técnicas para o trabalho render mais. "Somos os limpadores oficiais. É a nossa área", brincam. Eles percorrem inicialmente as margens, que é onde há maior concentração de lixo. As áreas entre o Portão 4 do parque e a ponte de ferro são, segundo Oliveira, onde há maior circulação de pessoas. "Precisa de cuidado mais intenso", explica. O Ibirapuera tem três lagos, que somam 142 mil m² de área.

No fim de um dia de trabalho, o barco chega a pesar até 200 quilos.Vazia, a embarcação pesa 90 quilos. O item mais esquisito que já encontraram foi um saco repleto de seringas usadas. "Isso faz uns dois anos. Achei esquisito demais e é perigoso", comenta Galdino. Oliveira se lembra de ter recolhido uma bicicleta toda retorcida e enferrujada. "Não tinha mais nenhuma utilidade." Dinheiro que é bom, nada. Oliveira, certa vez, achou uma nota de US$ 1 e entregou para o amigo de trabalho. "Eu deixei na carteira para dar sorte, mas deu foi azar. Eu fui assaltado e levaram tudo."

Problema cultural

Segundo a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, o lago do Parque do Ibirapuera é o único que é limpo diariamente. Os dos outros parques passam pela faxina sempre que há demanda. A pasta diz que descartar lixo em locais irregulares "é um problema cultural presente na cidade como um todo".

Waverli Neuberger, coordenadora do núcleo e agência ambiental do curso de Gestão Ambiental da Universidade Metodista de São Paulo, acredita que falta consciência ambiental. "É uma questão cultural. As pessoas não sabem discernir que o coletivo tem tanto valor quanto o particular. Todos nós temos responsabilidade pelo que é público."

OESP, 30/10/2009, Metrópole, p. C12

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