OESP, Vida, p. A20
Autor: ROBINSON, Mary
29 de Nov de 2010
Por que vou a Cancún
Mary Robinson
O mundo está preocupado com as negociações em Cancún. Muitos especialistas duvidam que a ONU seja capaz de solucionar o desafio da mudança climática. Para eles, as negociações são um fórum inadequado.
Eles têm razão em se preocupar. Mas estão errados quando dizem que não conseguimos avançar rapidamente.
A mudança climática não é um problema do futuro. Os impactos são sentidos em todo o mundo. E os mais afetados são os que sofrem com a fome, a pobreza, as doenças e a injustiça.
Este ano nos lembrou de eventos climáticos extremos, como secas e inundações, que se tornarão mais frequentes e severos, segundo cientistas. Alguns desses impactos estão sendo sentidos nas regiões mais inseguras do mundo, onde pobreza e instabilidade ameaçam a todos. O Paquistão é um exemplo.
A mudança climática pede uma solução global. Os que costumam ser excluídos dessas decisões - mulheres, indígenas, pobres e países vulneráveis - sabem disso. E a ONU ainda é o melhor caminho para assegurar a participação dessas pessoas.
Em Cancún poderemos estabelecer uma base comum para a criação de um fundo global para o clima que ajudará os pobres a se protegerem. Isso poderá desbloquear as negociações e criar a necessária confiança entre os países pobres e o mundo desenvolvido. Mais crucial ainda deve ser um fundo justo e imparcial que assegure recursos vitais para os que mais necessitam.
Relatório recente da ONU indica que os recursos para esse fundo podem ser levantados sem onerar contribuintes ou desviar recursos para a ajuda ao desenvolvimento. Uma taxa sobre emissões que superem limites nos setores de aviação e transporte marítimo ou um imposto sobre transações financeiras podem render bilhões para o fundo e ajudar a obter investimentos do setor privado.
É urgente ajudar os mais afetados. Por isso vou a Cancún: para lembrar os líderes mundiais de que um movimento global crescente exige iniciativas inteligentes e éticas. Queremos justiça climática. / Tradução de Terezinha Martino
É presidente honorária da Oxfam internacional, ex-presidente da Irlanda e fundou recentemente a Mary Robinson Foundation - Climete Justice.
OESP, 29/11/2010, Vida, p. A20
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101129/not_imp646734,0.php
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