VOLTAR

Por falta de pagamento a fornecedor, índios doentes no AM têm refeição regulada

A Crítica (AM) - http://acritica.uol.com.br/
Autor: Elaíze Farias
16 de mar de 2011

Houve dias em que os índios almoçaram e jantaram apenas ovo com arroz, segundo conselheira distrital de saúde indígena em Manaus

Pacientes provenientes de aldeias para tratamento médico alojados na Casa de Saúde Indígena Manaus (Casai) estão se alimentando com refeições improvisadas desde que o pagamento dos fornecedores dos produtos foi suspenso, em dezembro de 2010.

No último final de semana (dias 11 e 12) a refeição dos indígenas (pacientes e acompanhantes) foi ovo com arroz.

As informações são da conselheira distrital de saúde indígena, Mara Cambeba, que mantém contato freqüente com os indígenas doentes e que esta semana comunicou a gravidade da situação à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

"Há dias em que tem almoço, mas não tem jantar. Está faltando arroz, feijão, frango, peixe. Quando isto acontece, os próprios funcionários da Casai se viram, correm atrás, se humilham para os fornecedores pedindo que eles liberem mais produto, mas eles não podem fazer milagre", disse Mara.

Mara Cambeba contou ao acritica.com que nesta terça-feira (15) conversou, "depois de várias tentativas", por telefone, com Alexandre Neto, responsável pelo setor de finanças da Sesai e este lhe informou que um empenho já está encaminhado para que em abril seja realizado uma licitação para contratar novos fornecedores.

A preocupação da conselheira, contudo, é saber como será resolvido o pagamento dos atuais fornecedores para que os indígenas não fiquem sem alimentação.

Ela disse que tomou conhecimento da situação por meio dos contatos regulares que possui com os indígenas da Casai.

"Alguns me visitam em casa. Outros, encontro durante treinamento de futebol com uma equipe de índios que estão na Casai. Foi no domingo passado que eles me afirmaram que comeram ovo", afirmou.

Retorno

Segundo Mara, os contratos foram firmados pela superintendência estadual da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), quando esta ainda era responsável pela saúde indígena.

Conforme a conselheira, outro problema está causando preocupação: a não autorização de passagens para o retorno dos indígenas que estão curados.

"Há dois meses, havia 31 indígenas que terminaram o tratamento. Agora deve ter mais. Imagine isso. O 'parente´ fica bom, mas tem que continuar na Casai. Ele acaba ficando doente de novo", observa ela.

A Casai fica localizada no KM 25 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara). Atualmente, aloja aproximadamente 300 indígenas, entre pacientes e acompanhantes.

Contatos

Ouvido por celular nesta quinta-feira (18), o superintendente estadual da Funasa, WanderleiyGuenka, que está no cargo desde janeiro deste ano, disse que "não está faltando comida" na Casai.

Ele confirmou que o montante de R$ 5, 7 milhões repassado pelo Ministério da Saúde chegou à Superintendência da Funasa no último dia 10. Questionado sobre o atraso nos pagamentos dos fornecedores, ele não entrou em detalhes afirmando que estava com dificuldade de entender a conversa por telefone.

O coordenador do Dsei/Manaus, Francisco de Assis Lima, confirmou que o pagamento dos fornecedores está atrasado desde dezembro de 2010. No entanto, segundo ele, os fornecedores liberam os produtos por meio de pagamento em forma de empenhos.

Segundo o coordenador, um dos principais impasses enfrentados pelo atendimento à saúde indígena é a fase de transição, na qual a Funasa continua responsável pelo repasse dos recursos até 19 de abril.

A partir desta data, a gestão será exclusiva da Sesai, órgão criado pelo governo federal em outubro do ano passado.

Outra situação é o fato de a superintendência estadual da Funasa estar passando por intervenção diante das denúncias de desvio de dinheiro público nas gestões passadas.

http://acritica.uol.com.br/amazonia/Doentes-Casai-Manaus-alimentam-impr…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.