OESP, Vida, p. A18
31 de Ago de 2009
Por ano, mudança no clima custará 10 olimpíadas
Segundo estudo divulgado no fim de semana, previsão de impacto da ONU está subestimada e incompleta
Jamil Chade
Genebra
O mundo precisaria gastar por ano o equivalente a nove ou dez vezes o orçamento que Pequim dispôs para realizar os Jogos Olímpicos para salvar o planeta dos impactos das mudanças climáticas, cerca de US$ 400 bilhões a US$ 500 bilhões. Em estudo publicado neste final de semana, cientistas de todo o mundo alertam que o custo estimado pela ONU para amenizar o impacto das alterações está subestimado e que o montante necessário é bem maior.
O trabalho foi divulgado às vésperas da Conferência Mundial do Clima, que será aberta hoje em Genebra. Para os cientistas, as negociações para o acordo climático que deve ser concluído no final do ano em Copenhague precisam ser focadas em como garantir que esses recursos sejam disponibilizados aos países mais pobres.
O risco é que, se o custo total for subestimado nas negociações, o resultado do acordo pode ser insuficiente para lidar com os problemas na próxima década. A estimativa é de que o custo seja duas a três vezes superior ao que previa a ONU como gastos máximos por ano. Os dados são do Instituto Internacional para Ambiente e Desenvolvimento e do Imperial College de Londres.
"A questão financeira é central para as negociações em Copenhague. Mas se os governos estão trabalhando com números errados, poderemos ter um acordo falso, que não irá resolver os problemas'', alertou Camilla Toulmin, diretora da entidade que publicou o relatório.
EQUÍVOCO
A ONU havia estimado que o custo de adaptação do planeta a uma elevação de temperaturas seria de US$ 40 bilhões a US$ 170 bilhões por ano. Esses dados, segundo cientistas, foram feitos de forma apressada. Já a União Europeia indica que estaria disposta a aceitar que os países ricos coloquem US$ 140 bilhões em ajuda anual para adaptar o mundo à elevação das temperaturas. A Índia já havia dito que o valor era insuficiente.
A estimativa com gastos em infraestrutura, por exemplo, chegava no máximo a US$ 130 bilhões. Mas o novo estudo, feito por cientistas que já participaram do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), alerta que as previsões são incompletas e que o valor não resolveria o aumento da pobreza e do acesso a alimentos e novas infraestruturas.
O Brasil e outros países emergentes estimam que são as economias ricas quem devem pagar pela adaptação do mundo, já que foram suas emissões nos últimos cem anos que geraram grande parte do aumento das temperaturas.
Brasil terá estação meteorológica no exterior
O Brasil vai contar com estações de meteorologia fora de seu território nacional para melhorar a previsão da produção agrícola. O Inmetro está negociando a instalação de centrais de observação na Argentina, Paraguai e Bolívia para ampliar a capacidade de obter informações.
A medida é vista como um ponto importante para a agricultura do País, e o Inmetro garante que os dados coletados serão repassados integralmente aos países vizinhos.
O acesso às informações meteorológicas será debatido hoje na Conferência sobre o Clima, em Genebra, na sede ONU. O objetivo é tentar garantir que países pobres tenham o mesmo acesso aos dados meteorológicas que as nações ricas e desenvolvidas.
O acordo proposto, que será discutido na reunião, estabelece uma espécie de rede de informações que permitiria que países mais pobres possam ser alertados a tempo sobre eventuais tsunamis, furacões e secas.
As informações ainda seriam essenciais para produtores agrícolas dos países pobres, que até hoje enfrentam dificuldades para planejar sua produção.
A estimativa é que o mundo ainda precise de investimentos de US$ 1 bilhão em estações de meteorologia para garantir que todos os países recebam informações precisas sobre chuvas, secas ou furacões. J.C.
OESP, 31/08/2009, Vida, p. A18
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