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Popular, mas em dia com o ambiente

OESP, Imóveis 1 e 2, p. Ci1 2, Ci2 14
28 de Fev de 2010

Popular,mas em dia com o ambiente
Projeto feito em parceria com a ONU tenta achar soluções sustentáveis para moradias de baixo custo no Brasil

Jennifer Gonzáles

As moradias populares no Brasil são agora objeto de estudo da ONU para torná-las mais sustentáveis ambientalmente. Em parceria com o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), o Pnuma (Agência das Nações Unidas para o Meio Ambiente) lançou, em novembro, o Sustainable Social House Initiative (Sushi), projeto realizado simultaneamente no Brasil (São Paulo) e na Tailândia (Bangcoc) com o objetivo de introduzir soluções sustentáveis e de baixo custo nesse tipo de construção.
"Escolhemos essas cidades por suas grandes carências em matéria de habitação social e pelo fato de o Pnuma ter mapeamentos urbanos e ambientais dessas cidades, com um bom número de avaliações e informações na área, incluindo dados sobre densidade populacional. "Segundo estudos mundiais, apenas 15% dos gases de efeito estufa emitidos por residências ocorrem durante sua construção.
Os quase 80% restantes são produzidos na fase em que as pessoas habitam o espaço", diz a representante do escritório do Pnuma no Brasil, Cristina Montenegro (cerca de 5% do total são emitidos no projeto da construção, transporte de materiais e, por fim, na demolição, em uma fase posterior).
MENOS ENERGIA
"Por isso focamos a iniciativa no uso e operação da residência. Queremos introduzir melhorias que permitam o menor consumo de energia, especialmente nas áreas de água e energia elétrica." Assinado em novembro, o Sushi tem uma verba de US$150 mil para o projeto de São Paulo, baseado nas características da cidade,como clima e temperatura, e reúne um conjunto diverso de profissionais, empresas e entidades,como especialistas em energia e sustentabilidade, associações de arquitetos, organizações de condomínios, construtoras, a Caixa e o CDHU (Ver Imóveis 2).
"Vamos criar uma metodologia que possa ser replicada em outras partes da América Latina e da Ásia", conta a diretora do CBCS, Diana Csillag."O mesmo trabalho está sendo realizado em Bangcoc e, no dia 5 do próximo mês, as duas equipes irão se reunir, em São Paulo,para troca de informações. No fim do ano, um seminário divulgará os resultados obtidos e também será produzido um manual destinado a construtoras.
ECONOMIA
A coordenadora do Pnuma observa que, embora a maior parte da matriz energética brasileira seja constituída de recursos renováveis (hidrelétricas), deve haver um esforço por parte das incorporadoras de empreendimentos de padrão econômico para reduzir o consumo de energia - uma das frentes do projeto Sushi.
"Deve-se levar em conta que as chuvas não são constantes ao longo do ano e que a demanda por energia elétrica no País está aumentando com o crescimento econômico e da população", diz Cristina,do Pnuma."E não tenho dúvidas de que algum tipo de taxação deve surgir por causa dos poluentes emitidos pelas residências."
A instalação de recursos sustentáveis - chuveiro movido a energia solar, entre outros - e a adoção de mudanças estruturais de construção - como uma maior altura no pé-direito,afim de aumentar a ventilação dos ambientes - elevam o preço de um imóvel, especialmente porque as novas tecnologias ainda não têm escala comercial.
VANTAGENS
Os benefícios, no entanto, são evidentes, aponta Cristina. "A instalação de chuveiros sustentáveis, por exemplo, não produz mais horário de pico na hora do banho, já que demanda menos energia e, assim, a concessionária terá menos necessidade de fazer novos investimentos na rede elétrica", explica Cristina.
"Estamos buscando alternativas para instalar soluções sustentáveis a um custo mais baixo do que o atual", acrescenta o presidente do CBCS, Marcelo Takaoka. "A ideia é não alterar em demasia o valor desse tipo de moradia, que possui um orçamento limitado de construção."
Como executor do projeto Pnuma no Brasil, o CBCS está mapeando algumas funções da construção civil que podem se tornar mais viáveis economicamente. É aí que entra o projeto Sushi, diz a coordenadora do Pnuma. "O desafio do projeto é esse, descobrir que barreiras impedem a adoção de soluções sustentáveis em moradias sociais", relata. "O obstáculo é principalmente econômico, mas a mentalidade de atentar apenas para o custo da obra e não considerar o consumo de recursos ao longo da vida útil da construção precisa começar a mudar", opina ela.
Uma das equações a serem resolvidas pelo projeto Sushi é verificar quanto custa para introduzir uma solução sustentável em cada uma das unidades de uma moradia popular.

Casas da CDHU mais confortáveis
Companhia dará importância ao bem estar dos usuários, além de instalar recursos sustentáveis nas moradias

Jennifer Gonzáles

A partir de agora, os imóveis da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), conhecidos por terem áreas pequenas e parcos recursos em matéria de conforto, passam a ser construídos levando em conta elementos sustentáveis e que trazem maior bem estar aos usuários. Para isso, as unidades começam a ganhar maior metragem, um pé-direito maior (o que aumenta a ventilação no interior dos ambientes)e recursos sustentáveis, como chuveiros movidos a energia solar e forro de teto (que ajuda no conforto térmico),entre outros.
Essas mudanças começaram antes de a Companhia tornar-se parceira do Sushi, projeto concebido pelo Pnuma. A associação com a Agência das Nações Unidas para o Meio Ambiente vai trazer mais know how sustentável para será plicado nos projetos da empresa.
"Esperamos que essa parceria traga benefícios em duas áreas, a econômica e a ambiental", diz Gil Scatena, assessor da Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo, à qual a CDHU está vinculada."Um dos produtos desse trabalho será a diminuição na conta elétrica do nosso morador da unidade habitacional."
MUDANÇAS
Um dos projetos pioneiros da CDHU nesse quesito é o conjunto habitacional de Atibaia, cujas unidades ganharam aquecedores solares para chuveiros desde o ano passado. Outros conjuntos, localizados em diversas cidades do Estado, também receberam esses aparelhos nas unidades.
"Aproveitamos os recursos de uma lei federal que obriga empresas concessionárias de energia a doarem cerca de 0,5% do seu lucro e conseguimos esses chuveiros para os conjuntos habitacionais", diz Scatena.
Para os outros conjuntos que serão erguidos e que não irão receber os chuveiros como parte de doação, a CDHU está negociando com empresas de energia para a aquisição de mais aparelhos.
A CDHU também está construindo um pé-direito mais alto para suas novas unidades. Até o fim do ano passado, a altura média dos apartamentos era de 2,4 metros, e ganhou 20 centímetros para aumentar a ventilação no interior das unidades.
"Moradias populares sempre perderam em matéria de conforto, mas agora precisam ser introduzidas soluções sustentáveis que suportem as mudanças climáticas", afirma o presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), Marcelo Takaoka.
A CDHU vai incorporar, no futuro, soluções sustentáveis e economicamente viáveis que a entidade irá desenvolver junto como Pnuma. A expectativa,segundo o assessor Scatena, é a de que o valor de cada imóvel aumente, no máximo, 10% do valor da unidade habitacional com essas melhorias.
"Existem alternativas mais caras e outras economicamente viáveis", enfatiza a coordenadora do Pnuma, Cristina Montenegro." Uma edificação pode valer-se da direção e velocidade dos ventos para construí-la em determinada posição e local, a fim de tornar as moradias mais agradáveis de viver. O mesmo se dá com a incidência do sol", exemplifica. Cristina admite que, pelo fato de ser um tema novo, o da sustentabilidade, há ainda muito estudo e preparação a serem feitos. "Mas não há outro caminho. Daqui para a frente, vamos ter que pensar cada vez mais nessa questão."

Antes
1 ou 2 dormitórios por unidade e
área útil média de 42 m²
Pé-direito de 2,4 metros e unidade
entregue sem acabamento

Agora
Imóvel de até 3 dormitórios, área de 64 m² e casa com forro.
Pé-direito de 2,6 metros e acabamento como piso e azulejos

OESP, 28/02/2010, Imóveis 1 e 2, p. Ci1 2, Ci2 14

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