O Globo, Amanhã, p. 7
02 de Jul de 2013
Poluição do tempo
Estudo sugere que contaminação do ar pode ter contribuído para diminuição de grandes tempestades ao longo do século XX
JUSTIN GILLIS
Do 'New York Times'
À lista cada vez maior de alterações no planeta provocadas pela Humanidade, é possível adicionar agora um novo item: a poluição do ar pode ter ajudado a acalmar os ciclos de tempestade no Atlântico Norte.
É a conclusão de um estudo publicado esta semana, na "Nature Geoscience", sugerindo que a poluição industrial da América do Norte e da Europa através do século XX pode ter alterado as nuvens a ponto de esfriar a superfície do oceano. Isso teria suprimido tempestades, e particularmente grandes furacões, além do nível que teria existido em um ambiente puramente natural.
Se os autores estiverem certos, o aumento de tempestades durante as duas últimas décadas talvez não tenha sido um acaso, mas sim uma consequência das medidas do Clean Air Act - lei federal americana criada para reduzir a poluição em torno da bacia do Atlântico Norte. O sucesso da ação teria devolvido os ciclos de tempestade ao seu estado natural.
O possível impacto das tempestades emergiu de novas análises por computador do clima, que tentam levar em conta os efeitos indiretos de partículas no ar.
- Nossos resultados mostram mudanças na poluição podem ter tido um papel muito maior do que se pensava antes - diz Nick J.
Dunstone, pesquisador do Serviço Meteorológico Britânico, e coordenador do estudo.
Ele admite, contudo, que o assunto é "totalmente novo" e que a comunidade científica ainda está cautelosa.
Trabalhos anteriores já haviam sugerido que a poluição poderia exercer um papel significativo no ciclo de tempestades, mas o novo estudo traz análises mais detalhadas sobre o seu possível mecanismo. Por muito tempo, a maioria dos especialistas climáticos defendeu uma visão alternativa, a de que a variabilidade em tempestades no Atlântico Norte é uma função de oscilações naturais em grande escala na circulação oceânica.
O Globo, 02/07/2013, Amanhã, p. 7
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