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Poluentes afetam 90% dos europeus

O Globo, Ciência, p. 31
16 de Out de 2013

Poluentes afetam 90% dos europeus
Regras rígidas não evitam que cidades ainda sofram com ar contaminado

Renato Grandelle

RIO - Cerca de 90% dos moradores das áreas urbanas da União Europeia estão expostos a níveis de poluentes considerados nocivos à saúde. Segundo um estudo publicado ontem pela Agência Europeia do Meio Ambiente (EEA), o continente reduziu de forma significativa a emissão de poluentes como o dióxido de enxofre e o monóxido de carbono. Ainda assim, o ozônio e partículas tóxicas apresentam uma concentração muito acima do que seria tolerável, o que compromete a qualidade de vida da população. A poluição aumenta a acidez dos solos e traz ainda prejuízo à agricultura.
No corpo humano, particulados como chumbo e outros poluentes são inalados e penetram no pulmão e na corrente sanguínea, provocando ansiedade, irritação nos olhos, garganta e nariz, asma, câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e impactos nos sistemas nervoso central e reprodutor, entre outros efeitos.
- Até 98% da população urbana está exposta a níveis de ozônio acima dos admitidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em relação às micropartículas, o tipo de poluente que mais afeta a saúde humana, este índice é de 96% - alertou Harry Bruyninckx, diretor-executivo da EEA. - Notamos como a população está preocupada com a poluição atmosférica e se ressente ao ver suas áreas verdes contaminadas.
As doenças provocadas pela poluição atmosférica afetam a economia europeia. As safras agrícolas são menores e a produtividade da mão de obra também diminui, com mais consultas médicas e dias de internação.
Segundo a OMS, a mortalidade associada à poluição do ar é aproximadamente 20% maior em cidades com altos níveis de poluição em comparação com cidades relativamente limpas.
Na União Europeia, a população de áreas com maior concentração de poluentes particulados vive, em média, 8,6 meses menos do que em regiões onde os habitantes estão menos expostos a poluentes.
Na apresentação do estudo, em Copenhague, Bruyninckx ressaltou que o tamanho e a composição química da mistura de poluentes pode mudar em função das fontes de emissão e das condições meteorológicas:
- Precisamos analisar um leque de poluentes, e não apenas um ou dois. É um ciclo que passa por interações químicas, é impactado pela exposição ao sol, tem padrões de dispersão na atmosfera. Só começamos a desvendar a complexidade deste sistema na última década - admitiu.
Alguns destes poluentes interferem diretamente nas mudanças climáticas, como o ozônio. O aumento de sua concentração na atmosfera provoca o aquecimento da Terra. Os particulados, por sua vez, atuam indiretamente nas mudanças climáticas, ao alterarem a propriedade das nuvens e, assim, causarem mais chuva.
- É impossível negar a relação entre a busca pela qualidade do ar e o combate das mudanças climáticas - acrescentou o diretor da EEA.

O Globo, 16/10/2013, Ciência, p. 31

http://oglobo.globo.com/saude/poluentes-afetam-90-da-populacao-europeia…

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