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Político usava avião para traficar cocaína

O Globo, O País, p. 10
06 de Dez de 2005

Político usava avião para traficar cocaína

Jorge Gouveia
Especial para O Globo

A quadrilha envolvida com o tráfico de cocaína presa no fim de semana na divisa de Tocantins com Pará usava o avião de um político do PSDB ligado ao grupo do ex-governador Siqueira Campos. A Polícia Federal apreendeu 505 quilos da droga numa pista clandestina às margens do Rio Xingu, no município de Santana do Araguaia. O avião pertence a Misilvan Chavier dos Santos, candidato a prefeito de Tupiratins (TO) pelo PSDB em 2004 e candidato a deputado estadual pelo PSL em 2002. Os dois partidos são ligados à União do Tocantins, comandada por Siqueira Campos e por seu filho, o senador Eduardo Siqueira Campos, ambos do PSDB.
Ex-candidato foi preso em cidade do Pará
Misilvan, conhecido como Parceirinho, foi preso no município de Castanhal (PA) tentando escapar do cerco da Polícia Federal. No dia 28, o avião de Parceirinho foi obrigado a pousar em Tupiratins, a 278 quilômetros de Palmas, depois de ser perseguido por um avião do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Na operação, foram encontrados 59 quilos de cocaína no avião, mas Parceirinho conseguiu escapar da PF.
Os investigadores acreditam que os 505 quilos apreendidos seriam remetidos para os Estados Unidos e a Europa. A droga ficará em Palmas. Parceirinho está preso em Goiânia e deve ser transferido para a capital de Tocantins, onde responderá ao inquérito policial.
Segundo a PF, o grupo de Parceirinho agia principalmente em Tocantins e Goiás, onde mais cinco pessoas foram presas. Na operação, foram detidos Elias Lopes Pimentel e Leocádio Lima Cruz, que, de acordo com a Polícia Federal, foram recrutados pelo tucano em um garimpo no Suriname. A PF suspeita que o dinheiro arrecadado com o tráfico pudesse ser usado em campanhas políticas.
Em nota, PSDB diz que já expulsou Parceirinho
A direção estadual do PSDB divulgou nota informando que desde as primeiras notícias sobre envolvimento de Parceirinho com tráfico determinou sua expulsão do partido. "Temos a convicção de que, não só o PSL em 2002, bem como PSDB, PMDB e PT, partidos que homologaram a coligação para o pleito municipal de 2004, desconheciam completamente as atividades criminosas do sr. Misilvan, situação essa que entendemos estender-se também à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público Eleitoral, haja vista que nenhuma impugnação foi apresentada ou qualquer notícia sobre conduta criminosa do então candidato foi divulgada à época das eleições das quais ele participou. Cumpre ressaltar que a própria Polícia Federal, com todos os recursos de que dispõe, passou três anos investigando o caso, que só agora se tornou público", diz a nota.

O Globo, 06/12/2005, O País, p. 10

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