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Polícia pede prisão de sete pelo rompimento de barragem em MG

O Globo, País, p. 7
24 de Fev de 2016

Polícia pede prisão de sete pelo rompimento de barragem em MG
Para o delegado, todos os indiciados se omitiram após o desastre

A Polícia Civil de Minas pediu a prisão preventiva de seis executivos da Samarco pelo rompimento da barragem do Fundão, em novembro, em Mariana. Entre eles, o ex- presidente da empresa Ricardo Vescovi. - BELO HORIZONTE- A Polícia Civil de Minas Gerais pediu ontem a prisão preventiva de sete pessoas pelas 19 mortes provocadas pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana. Entre elas estão Ricardo Vescovi, ex- presidente, e Kléber Terra, ex- diretor de Operações da empresa que pertence à Vale e à BHP Billiton. Até o momento, foram encontrados 17 corpos, mas a polícia incluiu no cálculo as duas pessoas ainda desaparecidas.
O acidente ocorreu em 5 de novembro do ano passado, causando uma enxurrada de lama que destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, além de poluir o Rio Doce até a foz, no Espírito Santo. De acordo com delegado Rodrigo Bustamante, responsável pela investigação, todos foram indiciados por homicídio qualificado. A pena pode variar de 12 a 30 anos para cada uma das 19 mortes.
Entre os indiciados também estão Germano Lopes, gerente- geral de Projetos da Samarco; Wagner Alves, gerente de Operações; Wanderson Silvério, coordenador técnico de Planejamento e Monitoramento; Daviely Rodrigues, gerente; e Samuel Paes Loures, engenheiro da empresa VogBR.
CRIME AMBIENTAL EM OUTRO INQUÉRITO
Eles também responderão pelo crime de causar inundação e pelo de poluição de águas potáveis. No primeiro, a pena varia de 3 a 6 anos de prisão mais multa. No segundo, de 2 a 5 anos de prisão. Segundo o delegado, todos os indiciados se omitiram após o rompimento da barragem, além de terem assumido o risco de causar um possível acidente.
Bustamante disse que o crime ambiental e a validade das licenças da Samarco serão analisadas em um segundo inquérito. Os pedidos de prisão preventiva foram apresentados à Justiça para restabelecer a ordem pública, no sentido de acalmar a população em relação aos responsáveis pelo desastre. O inquérito que apurou as 19 mortes causadas pelo rompimento da barragem possui 13 volumes, 2.432 páginas e cerca de cem depoimentos.
O diretor presidente da VogBR, André Euzébio de Souza, disse que a empresa não vai se posicionar sobre o indiciamento do engenheiro Loures. Em nota, a Vale e a BHP Billiton afirmaram que uma investigação independente está em curso e, "até que a mesma seja concluída", não fará "especulações sobre possíveis causas ou sobre o que pode ou não ter contribuído para o acidente na barragem. Essa investigação inclui inspeções em campo, compilação de dados, testes de laboratório e análises". A Samarco não se pronunciou.
A causa do desastre, segundo a polícia, foi excesso de água nos rejeitos. O delegado explicou que houve elevada saturação de rejeitos arenosos depositados na barragem de Fundão, além de falhas no monitoramento, equipamentos com defeito e número reduzido de equipamentos de monitoramento.
A polícia também apontou entre as razões do acidente a elevada taxa de alteamento anual da barragem - obra para aumentar a capacidade de acomodação de rejeitos -, o assoreamento do dique 2 e a deficiência do sistema de drenagem. Para Bustamante, este foi "o maior desastre ambiental da História do país". O inquérito foi aberto no dia 6 de novembro de 2015, um dia após o rompimento da barragem de Fundão. A investigação durou três meses.

O Globo, 24/02/2016, País, p. 7

http://noblat.oglobo.globo.com/geral/noticia/2016/02/policia-civil-pede…

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