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Polícia indicia seguranças por morte

OESP, Nacional, p. A13
21 de Nov de 2007

Polícia indicia seguranças por morte
Inquérito culpa nove funcionários e dono da NF Segurança por confronto em fazenda da Syngenta no Paraná

Miguel Portela

Nove seguranças privados e o proprietário da NF Segurança, Nerci Freitas, foram responsabilizados no inquérito policial sobre o confronto na fazenda experimental da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste (PR), a 530 quilômetros de Curitiba. Ocorrido em 21 de outubro, o confronto com integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) que pela segunda vez invadiam a fazenda resultou nas mortes do líder sem-terra Valmir Mota de Oliveira, de 42 anos, e do segurança Fábio Ferreira, de 25 anos.

O delegado que presidiu o inquérito, Renato Bastos Figueiroa, responsabilizou os nove seguranças e o dono da NF por homicídio e formação de quadrilha.Os quatro volumes do inquérito foram entregues anteontem à 2ª Promotoria Criminal da Comarca de Cascavel.

Figueiroa não culpou ninguém pela morte do segurança e não apontou nenhum sem-terra como responsável pelo confronto. Apenas o líder do MST Celso Ribeiro Barbosa foi responsabilizado no inquérito por esbulho possessório (invasão com violência ou ameaça a bens alheios). O crime prevê detenção de um a seis meses e multa.

O advogado dos seguranças e da empresa, Hélio Ideriha Júnior, não concordou com o resultado das investigações. "Trata-se de um inquérito vergonhoso e parcial. Desde o início denunciamos que a polícia só ouvia um lado", reclamou. Durante o trabalho policial os acusados se negaram a prestar esclarecimentos, preferindo se manifestar apenas perante a Justiça.

A Secretaria Estadual de Segurança não quis comentar o caso, informando apenas que as investigações prosseguem, mesmo com o encerramento do trabalho policial. A promotora Fernanda Garcez deve iniciar a análise do processo a partir de amanhã. "A promotora pode oferecer denúncia, arquivar o processo ou solicitar mais informações. Esta última hipótese é mais provável", contou o advogado. Segundo o Ministério Público, a promotora tem cinco dias para analisar o inquérito.

O MST e a Via Campesina marcaram para hoje um ato público na fazenda da Syngenta, para lembrar os 30 dias da morte do líder Valmir Mota de Oliveira e cobrar a prisão dos culpados pelo confronto. O enfrentamento ocorreu quando os seguranças tentavam retomar a fazenda, que fora invadida de manhã por 200 integrantes do MST e da Via Campesina.

Oliveira foi morto com um tiro no abdômen e outro na perna. O segurança Fábio Ferreira, com um tiro na cabeça. Outras oito pessoas ficaram feridas, sendo cinco sem-terra.

OESP, 21/11/2007, Nacional, p. A13

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