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Polícia especializada em crimes ambientais

Correio Braziliense-Brasília-DF
Autor: Cristina Ávila
07 de Fev de 2002

O contrabando de mogno será investigado pela Coordenação de Combate aos Crimes Ambientais, organismo recém-criado pelo Departamento de Polícia Federal. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) entregou ontem à PF um dossiê com nomes de 11 empresários suspeitos de comandar a extração de madeira em áreas indígenas para exportação com documentos falsos.
''O mogno não será mais tratado apenas pelo Ibama, mas por polícia especializada. Como temos polícia especializada para drogas e armas, agora temos para crimes ambientais. Estamos tirando a carga do Ibama de ter que combater sozinho o contrabando'', disse no início da noite de ontem o responsável pela coordenação, delegado Jorge Pontes.
O Ibama apreendeu 25 mil metros de cúbicos de mogno em pátios de serrarias no sul do Pará. Mais 19 mil metros cúbicos estão na floresta, esperando por transporte. Todos os 44 mil metros fazem parte da safra madeireira de 2001. Cada metro cúbico sai dos portos brasileiros por US$ 1.500. Os principais compradores são Estados Unidos, Japão e Inglaterra.
As serrarias tinham autorização do próprio Ibama para exploração de 64 mil metros cúbicos de mogno na região. O coordenador geral do Departamento de Fiscalização do órgão, José Lelande, disse que os contrabandistas fazem projetos de exploração atendendo exigências da lei para extração das árvores em determinadas áreas, mas na verdade retiram as árvores de áreas indígenas e transportam o mogno com autorizações do Ibama. É o que se chama ''esquentar a madeira'', usando documentos regulares em cargas de contrabando.
A principais áreas de extração do mogno são no sul do Pará, principalmente em territórios indígenas. A Polícia Federal acredita que o contrabando de mogno possa ter conexão com o tráfico de drogas e armas. ''O crime organizado faz esse consórcio para facilitar o transporte'', diz Pontes.
O Ibama informou à PF que 70% da madeira que é exportada sai do Brasil pelos portos Antonina e Paranaguá, no Paraná, embora o Pará tenha cinco portos com saída para o Atlântico, mais próximo aos locais de extração. O delegado Jorge Pontes não estranha a preferência pelo percurso mais longo. ''É uma prática do crime organizado. As drogas muitas vezes fazem escala na Europa, vão para a África para ser depois desembarcadas na Europa. Os traficantes escolhem caminhos por vários motivos, nem sempre para despistar perseguições da polícia, mas para evitar caminhos que consideram complicados'', diz Pontes.
O presidente do Ibama, Hamilton Casara, quer a criação de uma rede de fiscalização do órgão no país, divididas em 56 escritórios espalhados nos estados para controle das regiões costeira, continental e de fronteiras. Para as fronteiras, ele já negociou US$ 60 milhões para 26 pontos em dez estados, com fronteiras com dez países.

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