VOLTAR

Polícia apreende 48 pássaros silvestres no Rio

OESP, Vida, p. A18
19 de Abr de 2006

Polícia apreende 48 pássaros silvestres no Rio
Só neste ano Delegacia de Proteção já resgatou 500 aves em situação irregular no Estado

Alexandre Rodrigues

Policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), da Polícia Civil do Rio, apreenderam na noite de anteontem cerca de 48 pássaros silvestres num criadouro clandestino em Realengo, zona oeste do Rio. As aves tinham anilhas (argolas) falsas para simular que eram legalizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). O dono, o serralheiro José Ilson Daudt, foi levado à delegacia e autuado na lei de crimes ambientais por posse ilegal de animais silvestres. Também foi multado pelo Ibama em R$ 24 mil. Ele disse à polícia que recebeu as anilhas de um clube de criadores.

Os policiais chegaram à casa do serralheiro por meio de uma denúncia anônima. Em gaiolas de madeira, eles encontraram pássaros de espécies nobres como tiziu, curió, sabiá-laranjeira, canário-da-terra, tico-tico e azulão. Alguns deles, como a patativa, o bico-de-pimenta e o trinca-ferro, são espécies ameaçadas de extinção. Segundo o delegado titular da DPMA, Rafael Menezes, o valor de algumas dessas aves pode alcançar R$ 10 mil no mercado paralelo.

Na delegacia, Daudt foi liberado depois de prestar depoimento, mas responderá pela falsificação das anilhas encontradas com os animais. Na tarde de ontem, o Ibama confirmou a suspeita dos policiais de que elas eram falsas. As anilhas são uma espécie de carteira de identidade dada pelo órgão para aves silvestres nascidas em cativeiro e que podem ser comercializadas. Elas são inseridas nas patas dos pássaros ainda filhotes, com poucos dias de vida.

Os policiais desconfiaram de que as anilhas eram falsas porque encontraram algumas maiores do que seria indicado para determinadas espécies. Algumas aves tinham a pata quebrada, num sinal de que alguém forçou para introduzir a anilha no animal adulto. "Várias aves estão machucadas, prova de que foram capturadas há pouco tempo", contou Menezes, que encontrou na casa de Daudt uma série da anilhas avulsas.

Apesar de ser cadastrado no Ibama como criador, o serralheiro tinha documentos desatualizados e não havia nenhuma anilha licenciada para ele no órgão. "Ele vai ter de explicar como obteve as anilhas. Vamos instaurar inquérito por falsificação de símbolo público, que pode resultar numa pena de até 5 anos de prisão", explicou o delegado.

A DPMA apreendeu cerca de 500 aves silvestres em situação irregular só neste ano no Rio. De acordo com o delegado, a maioria é capturada na Bahia e em Minas Gerais e chega ao Rio por meio de transporte clandestino. Os atravessadores usam lubrificantes para encaixar anilhas falsas nos pássaros e simular que são legalizados. Os animais apreendidos ontem foram levados para o Centro de Triagem do Ibama, na Baixada Fluminense. Eles poderão ser doados ao Zoológico do Rio.

OESP, 19/04/2006, Vida, p. A18

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.