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Pocos: ameaca a saude e aos reservatorios

OESP, Cidades, p.C6
30 de Abr de 2004

Poços: ameaça à saúde e aos reservatórios 900 perfurações são feitas por ano; estima-se que 5 mil poços são irregulares
MAURO MUG
O risco permanente de racionamento de água na região metropolitana de São Paulo fez crescer a abertura de poços. Shoppings, condomínios, hospitais e indústrias estão perfurando, em média, 900 poços por ano. Já existem 12 mil. Desses, calcula-se que 5 mil sejam clandestinos - a estimativa está baseada na venda de bombas hidráulicas. A perfuração indiscriminada e sem a técnica adequada coloca em risco a saúde da população e reduz o nível dos aqüíferos.
Essas informações constam do Relatório de Qualidade das Águas Subterrâneas do Estado, divulgadas ontem pela Cetesb. Legalizados, com outorga concedida pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), existem 7 mil poços, a maioria no ABC, Guarulhos e capital. Esses poços não são chamados de artesianos porque necessitam de bomba para retirada da água.
De acordo com o relatório, existe um déficit de 8 metros cúbicos por segundo de água para abastecer a região metropolitana. Para suprir a deficiência e driblar o risco de racionamento, moradores recorrem aos poços. Assim, 3 milhões de habitantes são abastecidos por água proveniente de poços subterrâneos. O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, por exemplo, utiliza 8 poços, que operam 12 horas por dia, fornecendo 2.700 m3 de água por dia. Há a previsão de duplicar esse volume.
Volume - Legalizados ou não, os poços estão reduzindo o volume dos principais reservatórios de água subterrâneos do Estado. "Temos indícios de que está havendo rebaixamento no nível dos aqüíferos, principalmente nas regiões de Rio Preto, Ribeirão Preso, São José dos Campos e na região metropolitana de São Paulo", informou Gerôncio Rocha, da Diretoria de Recursos Hídricos do DAEE. "O departamento vai, em breve, realizar estudos para comprovar esses indícios."
Os poços clandestinos oferecem riscos a saúde. "Há uma abertura indiscriminada e sem a técnicas adequada, principalmente por parte de empresas também clandestinas", informou o engenheiro José Eduardo Cavalcanti, diretor do Departamento de Engenharia Ambiental e Energia do Instituto de Engenharia (IE). "Normalmente essas empresas só pagam o trabalho de abertura se der água em volume suficiente. Se isso não acontecer, o buraco é abandonado, que poderá provocar a contaminação do aqüífero."
O DAEE possui apenas 98 fiscais para combater a abertura de poços clandestinos e fiscalizar os 30 mil legalizados. O DAEE mantém uma ouvidoria para denúncias (0xx11) 3293-8523.

Amostras têm boa qualidade, mas são de áreas preservadas
Entre 2001 e 2003, técnicos da Cetesb realizaram 32.400 testes laboratoriais em amostras colhidas em 162 pontos de monitoramento da água subterrânea nos 6 principais aqüíferos do Estado. Contatou-se que 90% das amostras apresentaram qualidade excelente e apenas 10% foram classificadas como aceitável.
As amostras do Aqüífero Cristalino, na região metropolitana, ultrapassaram em 4,8% o padrão de potabilidade para coliformes fecais, o que pode ser resolvido com cloração.
Na região metropolitana foram coletadas amostras de 11 poços e 4 nascentes.
Nenhuma foi feita no ABC, apesar de concentrar boa parte dos poços. Para a coleta foram escolhidos lugares mais preservados. "Em locais que sofreram impactos ambientais não conseguiríamos coletar dados da geoquímica natural como referência", disse Dorothy Casarini, gerente da Divisão de Qualidade de Solo, Água Subterrânea e Vegetação da Cetesb.
(M.M.)

OESP, 30/04/2004, p. C6

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