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PM é chamada para conter manifestação

Diário de Cuiabá
Autor: Dana Campos
03 de abr de 2008

Índios entraram no palácio para protestar sobre mudança da sede da Funai de Cuiabá para Juína. Na tentativa de falar com governador, houve tumulto.

ndios de oito etnias invadiram ontem o Palácio Paiaguás, no Centro Político Administrativo, para reivindicar o retorno da sede administrativa Executiva Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) para Cuiabá, que foi transferida para o município de Juína (a 735 quilômetros de Cuiabá) por meio de uma portaria publicada no dia 26 de março pela direção nacional, sem a consulta prévia aos povos do Estado. A ação dos indígenas causou tumulto e a Polícia Militar teve que intervir.

A mudança vai contra os interesses dos indígenas mais próximos da Capital. "Dessa forma, vamos perder autonomia financeira e administrativa", disse Manuel Rondon, cacique dos terenas.

Outro problema destacado por ele é a questão da distância da cidade de Juína. "Nossas aldeias ficam mais perto daqui. Lá (Juína) fica muito difícil pra gente ir", frisou o cacique.

Após vários minutos de bate-boca para entrar no prédio, cerca de 200 representantes das etnias bacairis, terenas, xavantes, umutinas, bororós, chiquitanos, guatós e nambiquaras conversaram com o Rômulo Vandoni Filho, superintendente do governo para assuntos indígenas, que encaminhou os líderes das tribos ao gabinete do governador Blairo Maggi.

Ao final da reunião, a cacique da etnia umutina, Creuza Soripa, informou que o governador garantiu a chegada do vice-presidente da Funai, Aluisio Guapindaia, nesta manhã, a Cuiabá. "Vamos esperar até o meio-dia, se ele não aparecer, vamos bloquear as BR 070, 163 e 364", ameaçou a índia Mariléia Soripa, uma das articuladoras da manifestação. Ela ainda acrescentou: "somos mais de 400 índios unidos para que a sede volte a funcionar em Cuiabá".

DESPREPARO - O líder da etnia umutina, Felisberto Kupodonepa, protestou sobre a forma com que os índios foram recebidos na chegada ao palácio. "Eles não podem agir assim. É muita falta de preparo. Nós estamos lutando pelos nossos direitos", protestou o líder, se referindo ao impedimento de sua entrada ao prédio público.

O coronel da Polícia Militar, Orestes Oliveira, afirmou que tudo não passou de um mal-entendido. "Eles chegaram de repente, tentaram atingir um dos nossos homens com uma lança e não queriam se identificar na portaria. Foi um momento de tumulto", disse ele. Segundo Orestes, faltou diálogo na chegada dos manifestantes. "Agora eles estão resolvendo o problema corretamente, por meio da conversa", salientou Oliveira, no momento em que os índios discutiam com o superintendente do governo.

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