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16 de Mai de 2015
Estudo foi realizado em Moju e Tailândia, no Pará, e envolveu espécies de aves nas florestas primárias, florestas secundárias, pastos e dendê
Os plantios de dendê, cada vez mais crescentes, são pouco importantes para a conservação da fauna de aves da região amazônica. A avaliação está na pesquisa publicada na revista internacional PLOS ONE desse mês. A pesquisa foi realizada por pesquisadores do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) e faz parte do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, rede de pesquisa que engloba diversas instituições científicas.
O estudo, realizado nos municípios de Moju e Tailândia (distante cerca de 80km de Belém), envolveu levantamentos de espécies de aves em quatro principais tipos de uso: florestas primárias, florestas secundárias, pastos e dendê. O objetivo foi entender como as aves estavam ocupando cada um desses usos e assim avaliar o valor de conservação para cada tipo de uso, com o enfoque nos plantios de dendê. Um total de 249 espécies foram registradas durante todo do estudo, porém apenas 69 estavam dentro das áreas de dendê e longe de qualquer outro tipo de ambiente.
Segundo o Alexander Lees, líder da pesquisa, as espécies presentes nesses plantios possuem baixo valor para conservação por serem muito comuns também nas áreas de pastagens, bordas de florestas, inclusive algumas dessas espécies podem ser encontradas em ambientes urbanos. De acordo com Lees, "as espécies que possuem um alto valor para a conservação, por exemplo, as espécies ameaçadas e as de distribuição restrita são aquelas que requerem florestas primárias em um bom estado de conservação".
Conservação
O destino dessas espécies exclusivas de florestas fica a cargo das empresas que fazem o cultivo, e que são obrigadas, pelo código florestal, a manter e proteger uma área de reserva legal e de preservação permanente. Para Alexander, essas empresas conseguem resguardar a biodiversidade dentro de suas áreas não permitindo caça, pesca e derrubada de madeira. "Mas só proteger essas áreas não garante a manutenção das populações, que precisam ter fluxo gênico, e as espécies precisam dispersar para outros lugares. Tem que ser feito um trabalho em toda a região, conectando fragmentos, por exemplo, para que esses poucos remanescentes de floresta não sejam transformados em ilhas, pois, se isso acontecer, muitas espécies podem ser extintas localmente ou até globalmente", alerta o pesquisador.
Para a coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, Ima Vieira, dispor de informações de qualidade, como essa agora publicada pelo grupo, é essencial a quem toma decisões ligadas ao desenvolvimento regional. "Esse estudo é muito relevante no contexto atual, em que há uma preocupação crescente em buscar modelos sustentáveis de usos da terra na Amazônia, considerando a conservação da biodiversidade dentro dos cenários mais otimistas", afirma a pesquisadora.
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