OESP, Internacional, p. A18
19 de Jun de 2008
Plantio de coca colombiana cresce 27% em 1 ano
Segundo a ONU, novos campos de cultivo concentram-se em áreas dominadas pelas Farc
AP, EFE, REUTERS E AFP
A área utilizada para o cultivo de coca na Colômbia aumentou 27% em 2007 em relação ao ano anterior, de acordo com um estudo do Escritório da ONU contra Drogas e Crime (UNODC), que qualificou a informação de "uma surpresa e um choque".
"Esse aumento é uma surpresa porque ocorre num momento em que o governo da Colômbia tenta com grande empenho erradicar a coca", afirmou num comunicado o diretor do UNODC na Colômbia, Antonio María Costa. "E é um choque por causa do tamanho dos campos de cultivo."
O aumento dos cultivos ilícitos, porém, não foi acompanhado de um crescimento da produção de cocaína no país - que, segundo cálculos da entidade, permaneceu praticamente estável em 600 toneladas (em 2006 foram produzidas 610 toneladas). A explicação, segundo a ONU, é que os novos campos cultivados não são tão produtivos quanto os que foram destruídos em anos anteriores. Ainda assim, a Colômbia responde por mais de 60% da cocaína produzida em todo o mundo (984 toneladas).
De acordo com o relatório do UNODC, em 2007 foram cultivados na Colômbia 99 mil hectares de coca, comparados com os 78 mil hectares plantados em 2006. Foi a primeira vez que a área plantada teve um aumento tão significativo desde o início da implementação do Plano Colômbia, em 2000, ao qual os Estados Unidos já destinaram de US$ 5 bilhões em assistência técnica e treinamento militar.
O governo colombiano diz que no ano passado esses recursos colaboraram para a erradicação manual de mais de 66 mil hectares de cultivos ilícitos, além de terem financiado a fumigação, com substâncias químicas, de otros 153 mil hectares em todo o país.
PRESENÇA GUERRILHEIRA
De acordo com o documento do UNODC, as novas áreas cultivadas se concentram em territórios nos quais ainda é forte a presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "A produção da folha de coca e da cocaína em 2007 esteve concentrada em dez municípios", diz o documento. "Da mesma forma que no Afeganistão, onde a maior parte do ópio é cultivada em províncias com forte presença do Taleban, na Colômbia a maior parte da coca é cultivada em áreas controladas por insurgentes."
Maior aliado político dos EUA na América do Sul, o governo colombiano vem se empenhando em combater os grupos armados que movimentam o negócio da droga no país, com amplo apoio logístico e financeiro dos americanos.
Os grandes cartéis foram desmantelados no final da década de 90 e, nos últimos anos, uma pesada ofensiva militar do governo do presidente Álvaro Uribe empurrou as Farc, que antes dominavam imensas porções do território colombiano, para regiões isoladas ou próximas às fronteiras.
O problema, segundo especialistas, é que, por causa do imenso potencial lucrativo desse mercado, muitas vezes o "narconegócio" se retrai numa área para expandir-se em outra. A droga passa de poucas para muitas mãos e diversificam-se suas rotas, seus mercados consumidores e suas técnicas de produção.
De acordo com a ONU, os cultivos de coca na Bolívia cresceram 5% no ano passado, passando de 27.500 para 28.900 hectares. Segundo a organização, com essa área de cultivo, a Bolívia tem capacidade para produzir 10% da cocaína do mundo. No Peru, o aumento foi de 4% (de 51.400 para 53.700 hectares).
OESP, 19/06/2008, Internacional, p. A18
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